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Xico Graziano

Dia do Engenheiro Agrônomo relembra evolução tecnológica do agro brasileiro

Data é comemorada em 12 de outubro, faz lembrar dos avanços nas últimas décadas

12 de outubro de 2021 | 11h38 | Atualizado há 6 dias

Boa, e surpreendente, notícia: "Google aposta no agronegócio com novo programa de aceleração de startups". Sim, o Google. Segundo seu diretor André Barrense, a empresa identificou uma 'revolução acontecendo no agro'. Inovação no agro. Dados da Associação Brasileira de Startups mostram cerca de 300 agtechs importantes atuando no agronegócio do país. Dez delas serão aceleradas pelo Google: Aegro, Agrointeli, Bart Digital, Cromai, DigiFarmz, Go Flux, Grão Direto, Perfect Flight, Scicrop e Treevia.

Esse incrível processo de transformação tecnológica não aconteceria sem a participação dos profissionais da agronomia, que comemoram, nesse 12 de outubro, sua data profissional. Pois é. O Dia do Engenheiro Agrônomo coincide com o Dia da Criança e com o feriado nacional da padroeira do Brasil. Foi Getúlio Vargas, pelo Decreto 23.196/1933, que promoveu a regulamentação profissional dos engenheiros agrônomos. Nascia, há exatos 88 anos, a profissão do futuro do Brasil. Agora, chegamos ao presente.

Naquela época, o país era predominantemente rural. O Censo Demográfico de 1940 (IBGE) indicava uma população total de 40 milhões de habitantes, dos quais 68,8% ainda moravam na zona rural. Ou seja, todas as cidades brasileiras aglutinavam cerca de 12 milhões de pessoas....

O país se encontrava sacudido pela grave crise da economia mundial (1929-31), que derrubou a cafeicultura paulista. Os preços desabaram, arruinando produtores, comerciantes e exportadores. O desemprego grassou no campo.

De 1931 e 1944, cerca de 80 milhões de sacas de café - equivalente a 3 anos de consumo mundial - foram queimadas pelo governo. A política de destruição de estoques, todavia, não conseguiu fazer o preço reagir. Tempos difíceis.

No contexto da crise agrária, se iniciava um novo ciclo da economia nacional, comandado por Getúlio Vargas. Chegara a hora da industrialização brasileira. No campo, a monocultura cederia lugar à diversificação produtiva.

Demorou até que a agropecuária reengatasse na marcha do progresso. Apenas na década de 1960 se inicia, verdadeiramente, a modernização tecnológica do agro, puxada pelo melhoramento genética, pela mecanização e uso de insumos químicos.

Um marco histórico: em 1959 é inaugurada, em São Carlos (SP), a 1ᵃ fábrica nacional de tratores, a CBT (Companhia Brasileira de Tratores). Até então, os produtores rurais dependiam de importações de máquinas para arar e gradear suas áreas de plantio.

Nessa trajetória, contribuíram antigas e célebres instituições, que desde o Império haviam sido criadas para impulsionar o conhecimento agronômico, como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), fundado em 1887. Mais tarde, na virada do século, em 1901, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP), de Piracicaba, abriu suas portas.

Fernando Costa foi o engenheiro agrônomo mais importante da era Vargas. Ministro da Agricultura (1938-1941) e Interventor Federal de São Paulo (1941-1945), marcou seu nome no ensino agrícola, no fomento ao cooperativismo e na pesquisa agropecuária. Foi um gigante, pouco lembrado.

"Ou o Brasil acaba com as saúvas ou as saúvas acabam com o Brasil". Atribuída ao naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, a frase, suposta de 1816, instigava a agronomia a resolver um sério problema na agricultura tropical.

Duzentos anos depois, a saúva está controlada e a agropecuária brasileira ruma para ser o maior produtor mundial de alimentos. A mudança de paradigma no agro brasileiro veio com a revolucionária técnica do plantio direto. Com ela, não se ara nem gradeia mais a terra para semear. O solo fica protegido pela palhada seca. Segura a umidade, combate a erosão.

O novo sistema produtivo 'padrão Embrapa' permite sucessivas safras, no mesmo local, e ainda consegue integrar a lavoura com a pecuária. Sustentabilidade entrou na agenda do agro moderno e tecnológico. A produtividade triplicou.

Antes importador de alimentos, hoje o Brasil assegura comida para uma população muito maior, que vive (85%) nas cidades. Apenas no município de São Paulo se abastecem 12,3 milhões de residentes. Nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio e BH moram 35 milhões de pessoas.

Sim, é verdade, alguns milhões de brasileiros passam fome. Outros milhões não auferem renda suficiente para se nutrir como deveriam. A culpa, porém, não é do agro, não depende da produção. Cabe à má distribuição de renda e ao desperdício. Somente o que perde nos restaurantes e nos lares ricos daria para acabar com a fome no Brasil.

Há 50 anos, era difícil imaginar que o Brasil se tornaria um grande produtor mundial de proteínas, vegetal e animal. Soja não se conhecia. Porco dava bicho-no-pé. Frango era caipira. Bife parecia sola-de-sapato. Fruta era importada. Tilápia.

Quem conhece, ou estuda, a economia rural, sabe da façanha realizada pela agropecuária brasileira. Esse processo gerou um líder, indicado neste ano para o Prêmio Nobel da Paz: o engenheiro agrônomo mineiro, ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli. Fartura de alimento adula a paz.

Paolineli não levou. Mas sua indicação cultivou o orgulho da agronomia nacional, que hoje, 12 de outubro, comemora seu dia.

Foto: Arquivo Catve
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