A delegada Thais Regina Zanatta, do 1º Distrito Policial de Cascavel, deu detalhes sobre a segunda fase da Operação Jasmim, que investiga o desvio de R$ 2,5 milhões em verbas públicas. Mais de 60 pessoas são investigadas.
A verba seria destinada à compra de medicamentos para o tratamento de câncer da menina Yasmin, de 11 anos, moradora de Cascavel. No entanto o dinheiro o medicamento chamado Danyelza deveria ter sido entregue por uma empresa de Joinville, Santa Catarina, que ficou responsável pela compra, mas não entregou o produto.
Nesta fase a polícia chegou ao escritório do advogado envolvido na trama. Ele era advogado contratado pela família, e atuou no processo judicial para conseguir junto ao estado o dinheiro para comprar o Danyelza. Foi o advogado que fez os orçamentos e intermediou a compra do remédio. Foi aí que a família caiu no golpe, as 60 caixas do medicamento nunca foram entregues, segundo a família.
NOVA FASE
Segundo a delegada, foram cumpridos hoje nove mandados de busca e apreensão, direcionados a quatro investigados nas cidades de Foz do Iguaçu, Santo Antônio do Sudoeste, Curitiba, Maricá, no Rio de Janeiro e Rio de Janeiro. Durante a ação foram apreendidos celulares e demais dispositivos eletrônicos utilizados pelos envolvidos.
A delegada informou que durante as diligências, as equipes realizaram a quebra do sigilo bancário, e através disso conseguiram provas contundentes para poder indiciar um dos suspeitos desde o início da investigação.
Segundo Thais Regina Zanatta, a identidade dos envolvidos precisa ser mantida em sigilo, no entanto, um dos alvos da operação é um advogado que atuou no processo da vítima.
"Se trata de um advogado que atuou no processo da menina Yasmin. Ele que fez o pedido da liberação da verba pública para a compra das medicações. Então esse dinheiro foi passado para uma empresa fraudulenta e ele recebeu parte desse valor como uma recompensa por ter conseguido liberar esse dinheiro para essa empresa"
A delegada afirma que há provas que ele teria recebido cerca de R$ 50 mil. Nesta terça-feira (1°) o aparelho dele foi apreendido e passará por perícia.
"Nós já possuímos provas contra ele. Essa prova está na quebra do sigilo bancário. Já conseguimos provar que ele recebeu cerca de R$ 50 mil dos valores que foram retirados do estado e apreensão do aparelho telefônico na data de hoje é justamente para fundamentar ainda mais o possível indiciamento e denúncia deste indivíduo", explicou.
O suspeito responderá em liberdade até a Justiça ou Ministério Público descida ou não pela prisão dele.
Conforme informado, na conta bancária dos filhos ainda não foi solicitada a quebra de sigilo bancário, pois a princípio não havia indícios de participação.
"Essa transferência bancária que a gente conseguiu acesso, que ele recebeu foi através de uma conta de pessoa jurídica que está nos nomes dos filhos, que são sócios desta empresa. Mas tudo indica que seria utilizada essa empresa para receber esses valores para poder mascarar o repasse"
Segunda a delegada, as equipes estão concluindo as análises da quebra de sigilo telefônicos. Agora a terceira fase será para a captura de bens e patrimônios para ressarcir o valor do erário.
Os envolvidos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro, colocar a vida da vítima em risco, além de outras.
Por telefone o advogado investigado no processo informou que "não são verdadeiras as acusações e vai se manifestar somente nos autos".
Relembre o caso
A família da pequena Yasmin Aparecida Campos, 11 anos, caiu em um golpe e perdeu todo o dinheiro para a compra de um medicamento importado, que prometia ajudar na cura contra o neuroblastoma, tipo de câncer agressivo que começou no pescoço e mediastino da menina, agora infiltrado nos ossos.
De Cascavel, Paraná, Yasmin foi diagnosticada aos cinco anos com o tumor maligno. Até 2019 fez quimioterapia e chegou a remissão. No entanto em 2020, a doença voltou de forma agressiva. Novamente, após um transplante, ficou curada por três anos. Em 2023, os sintomas voltaram, e de novo a luta retomada. Com a doença ainda mais grave. A recidiva óssea, quando a doença retorna, afeta novamente o paciente, mas dessa vez nos tecidos ósseos.
A única alternativa apresentada pelos médicos passou a ser o Danyelza. Após longos tratamentos paliativos, amigos e familiares passaram a arrecadar valor para aquisição do medicamento. Em paralelo processo judicial contra o estado tentava garantir o remédio para Yasmin que pode evitar o avanço da doença. Daniele Campos contou que no dia 11 de abril recebeu a informação de que os R$2.840.000,00 tinham sido depositados na conta da empresa importadora, a qual deu o prazo de 30 dias para a entrega. Ela teve em mãos as doses no dia 22 de maio após os medicamentos chegaram no voo, sem sela da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Governo do Estado forneceu o medicamento
O Governo do Estado comprou o medicamento para Yasmin antes da conclusão de um inquérito policial.
Como Yasmin está atualmente
Apesar de todos os esforços e batalhas judiciais, Daniele Campos, mãe da pequena Yasmin, informou que o uso do Danyelza não teve efeitos positivos no combate ao neuroblastoma. A família tinha muita esperança nesse remédio, utilizado na imunoterapia e um dos mais caros do mundo, que custa R$ 2,4 milhões e foi enviado pelo Governo do Estado. O medicamento chegou a Cascavel no dia 4 de julho. Yasmin passou pela preparação para iniciar o primeiro ciclo, e o grande dia foi 15 de julho, quando começou o tratamento.
Foram aplicados cinco ciclos, e o tratamento seguiu até o fim de dezembro. Os médicos realizaram recentemente novos exames para verificar a resposta do organismo no combate ao câncer com o Danyelza. A doença progrediu, e novas lesões ósseas foram identificadas.
"Foram dias intensos de internamento na UTI, teve muitas dores, efeitos colaterais", conta a mãe, Daniele. A equipe médica decidiu suspender o uso do Danyelza, ainda não sabe se por definitivo.
O tratamento não para, mas agora irá continuar com a quimioterapia.
"Infelizmente, cura ela não vai ter. A quimioterapia é para segurar a doença, dar uma qualidade de vida pra ela e tentar frear essa doença", afirma a mãe.
A família e os médicos analisam outras opções de tratamento que podem combater o neuroblastoma.
Evelyn Antonio | Catve.com
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