presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Em maio de 2023, escrevi sobre como a moeda brasileira poderia estar em perigo com a chegada de Gabriel Galípolo ao comando do Banco Central. Parecia, à época, um alerta razoável: seu histórico acadêmico heterodoxo, sua proximidade com o governo e a tensão em torno da independência do BC criavam um clima de dúvida que não era só meu, mas também de boa parte do mercado.
Mas o tempo passou, e a prática mostrou algo diferente do que muitos imaginavam. Em resumo: errei.
A decisão do Copom desta quarta-feira, 10 de dezembro, reforça que Galípolo tem conduzido a política monetária com uma consistência técnica que não apenas preserva, mas fortalece a credibilidade da instituição. Diante de pressões para acelerar o corte de juros, ele manteve a rota, ponderou riscos e tomou a decisão que julgou ser a mais responsável para o cenário atual — um cenário que combina inflação desacelerando, mas ainda pressionada, e incertezas fiscais que não podem ser ignoradas.
Esse tipo de postura não é trivial. E, para ser honesto, não era o que muitos esperavam dele, inclusive eu.
O ponto é simples: os temores iniciais sobre sua condução do BC não se confirmaram. Em vez de um presidente vulnerável à política, vimos alguém que assumiu o peso da cadeira e tratou a política monetária como ela deve ser tratada: com prudência, técnica e visão institucional.
É preciso reconhecer que, num país onde a política econômica costuma surpreender para o lado errado, dessa vez a surpresa foi positiva.
E, em tempos de polarização e ruído, valorizar isso é muito importante.
texto de Ayslan Guetner
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