A Catve conversou na noite desta quinta-feira (03) com mães que acusam de abuso um agente de apoio que trabalha em Cmei de Cascavel . Os familiares das crianças afetadas se reuniram para cobrar justiça para os filhos.
Caso antigo
Uma mãe que teve o filho vítima de abuso em 2019 relatou a dor e a revolta diante da condenação do agressor. O homem, que trabalhava como agente de apoio, foi condenado a 30 anos de prisão, mas segue em liberdade enquanto recorre da decisão.
O caso ocorreu quando o menino tinha apenas três anos. A mãe conta que descobriu o crime durante a pandemia, ao mostrar fotos da escola para a criança. "A gente pegava atividades em drive-thru e meu filho reconheceu ele numa fotografia, onde ele relatava que todos os dias a gente deixava ele com um monstro", desabafou.
Assim que soube do ocorrido, a mãe registrou o caso na escola, procurou a Secretaria de Educação e denunciou ao Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes). Durante a investigação, foram identificadas pelo menos outras cinco vítimas.
"Então hoje eu descobri através da mídia que ele foi acusado durante 30 anos, ele vai pagar, mas em liberdade. Ele não está em monitoramento, ele não está com tornozeleira eletrônica, ele recorreu à primeira instância e a gente está aqui para pedir justiça por todas as crianças", afirmou a mãe, que agora participa de uma campanha contra o abuso infantil.
Além do trauma pelo abuso sofrido pelo filho, a mãe se sente abandonada pelo sistema. "Demorou cinco anos para se encerrar, o meu filho tinha três, hoje está com nove, veio a pandemia que não justifica, porém a gente deixa o filho da gente contando com a segurança, a gente pensa que a extensão da nossa família é a escola. E a gente confiava, eu vou dizer para vocês que eu também tinha confiança total, ele era uma pessoa que quem vê cara não vê coração".
Ela também criticou o fato de o agressor ter sido mantido no cargo e até transferido para outro Cmei, mesmo após as primeiras denúncias. "A prefeitura vai puxar ao lado do seu trabalhador. E eu como mãe, quem está comigo se não fosse essa manifestação, se não fosse a gente jogar na mídia e ter mães que também sofreram isso".
Atualmente, a criança sofre com crises de ansiedade e depressão. "O meu filho hoje tem crise de ansiedade, depressão, ele fez acompanhamento no CAPS".
O menino ainda lembra do que aconteceu e acompanha a repercussão do caso. "A infância dele foi interrompida, digamos assim, é triste. Ele pede que sempre haja justiça, ele pede se ele está preso, e a gente como mãe, para dar um conforto, a gente tem que dizer que está lutando. E é o que a gente está fazendo aqui e que várias mães estão fazendo".
Caso mais recente
Outro caso envolvendo o mesmo agente de apoio foi registrado. A mãe do menino relatou que o agente abusava do pequeno na hora da troca de fralda "Ele gostava muito desse professor, esse professor recebia ele com beijo, com carinho, abraço, o lindo do profe, o amor do profe, até então eu achava normal, só que depois de um tempo ele começou a recuar esse professor, ele não queria nem chegar perto, e nisso ele começou a ter uns comportamentos, eu não conseguia trocar a fralda dele de jeito nenhum, porque ele fechava a perninha, colocava a mão no pipi, não deixava a gente trocar"
A mãe relata que seu filho, matriculado em um dos Cmeis onde o acusado trabalhou, passou a demonstrar medo e mudanças de comportamento, além de apresentar uma lesão na região genital. Ela afirma que só relacionou os acontecimentos ao professor após ser alertada. "Ano passado, a gente teve um problema com ele na região de baixo, no órgão genital dele, que apareceu um machucado, como se alguém tivesse puxado e rasgou, sangrou e fez pus, e inchou, e nisso eu cheguei para levar ele para casa e imediatamente levei para minha vizinha que era enfermeira, ela examinou e falou, não, isso está errado, alguém está mexendo ali.
As mães reunidas cobram as autoridades para que o homem seja penalizado pelos crimes cometidos contra as crianças.
Diego Hellstrom/Catve.com
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