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Futebol: morre iraniana que incendiou o corpo ao ser condenada por ir ao estádio

A "Garota Azul" desrespeitou a regra que proíbe a presença de mulheres nos jogos

10/09/2019 17h32 | Atualizado em 10/09/2019 17h59
Foi confirmada nesta terça-feira (10), a morte de Sahar Khodayari.

A mulher de 29 anos foi presa em março deste ano após se vestir de homem, usando um longo casaco azul, para tentar entrar em um estádio e assistir a um jogo do seu time favorito, o Esteqlal, em Teerã.

Na ocasião ela chegou a ficar três dias detida e foi liberada sob fiança.

Sahar estava internada em um hospital desde que se autoimolou após despejar gasolina no seu corpo no dia 1º de setembro diante do Tribunal Revolucionário Islâmico de Teerã.


Ela corria o risco de enfrentar até seis meses de prisão.

O ato desesperado chocou muitos iranianos.

"Ela não era apenas a Garota Azul. Sahar era a garota de um país onde os homens decidem o que as mulheres fazem ou têm que fazer. Todos nós somos responsáveis por sua prisão e autoimolação", escreveu no Twitter Parvaneh Salahshouri, líder da bancada feminina no Parlamento iraniano.

Nos últimos dias, parlamentares reformistas abordaram repetidamente o destino da "Garota Azul" no Parlamento em Teerã.

"Sua família foi alertada e não pode falar com a mídia", disse Maziyar Bahari, jornalista e cineasta iraniano-canadense em entrevista à DW. Bahari está em contato direto com a família de Sahar.

O cineasta afirmou: "Sahar morreu na sexta-feira e as autoridades de segurança a enterraram imediatamente, e elas disseram à família: "Sua filha já nos causou problemas demais, não queremos escutar mais nada de vocês".
O caso de Sahar Khodayari mexeu com a sociedade iraniana.

A proibição de mulheres em estádios é justificada religiosamente e vem sendo, já há bastante tempo, uma questão delicada no Irã. Na opinião de clérigos conservadores iranianos, para as mulheres, é pecado "assistirem a homens seminus jogando".

Mas muitas mulheres continuam protestando em frente aos estádios e recorreram várias vezes à Fifa.

Na Copa do Mundo na Rússia em 2018, o Irã foi o único participante com a proibição de mulheres no próprio país.

A FIFA emitiu, nesta terça-feira, uma nota lamentando a morte:

"A Fifa estende suas condolências para a família e os amigos de Sahar e reinteramos nossos pedidos às autoridades iranianas para garantir a liberdade e a segurança de qualquer mulher engajada nesta luta legítima para acabar com a proibição de mulheres em estádios no Irã".

A entidade pediu ao Irã que suspendesse a proibição, caso contrário, a participação do país na Copa do Mundo de 2022 estaria comprometida.

O presidente moderado Hassan Ruhani tentou várias vezes resolver o problema, pelo menos em parte, com uma tribuna extra para mulheres em vários estádios de Teerã. Até agora, no entanto, ele fracassou com esses planos devido à resistência dos clérigos.

Devido à pressão internacional, a presença de mulheres em partidas de futebol é possível somente por meio de licenças especiais.
O caso perturbou e irritou muitos iranianos.

O ex-capitão da seleção nacional iraniana Masoud Shojaei publicou no Instagram:

"A proibição de mulheres em estádios é nojenta e vem de cabeças preguiçosas".

Dariush Mostafavi, ex-presidente da Federação Iraniana de Futebol, disse em entrevista: "O amor ao futebol é um amor puro. O lema do Comitê Olímpico Nacional é a liberdade das pessoas. O que o mundo pensará de nós quando descobrirem o que aconteceu por aqui."

E é exatamente isso que as mulheres iranianas querem divulgar. Em suas contas do Twitter, elas escrevem em inglês sob a hashtag #BlueGirl e levam ao mundo a história da "Garota azul".

Redação Catve.com com Terra



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