Policial

PRF alerta para dificuldade em conter saques de cargas após acidentes em rodovias do Paraná

Prioridade das equipes é socorrer vítimas e garantir a segurança no trânsito


Foto: Catve.com/BPRV

Os frequentes casos de saque de cargas após acidentes em rodovias da região de Nova Laranjeiras preocupam as forças de segurança. Em entrevista à CATVE, a inspetora da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Neo Gonçalves, explicou que, durante esse tipo de ocorrência, a prioridade das equipes é preservar vidas e garantir a segurança de quem passa pela rodovia, o que acaba dificultando o combate imediato aos criminosos.

Segundo a inspetora, a região onde os acidentes costumam acontecer apresenta características que tornam o atendimento ainda mais complexo, com curvas, aclives e declives que exigem atenção total das equipes.

"Nosso foco é atender as vítimas, evitar novos acidentes e garantir a segurança viária. Enquanto isso, grupos aproveitam esse momento para praticar os saques", explicou.

De acordo com Neo Gonçalves, os saqueadores costumam agir em grande número. Em algumas ocorrências recentes, aproximadamente 80 pessoas participaram da retirada irregular da carga. Além disso, a ação é organizada: enquanto parte do grupo recolhe os produtos, outras pessoas aguardam escondidas em áreas de mata ou chegam com veículos para transportar a mercadoria.

A inspetora afirma que, diante da quantidade de pessoas envolvidas, torna-se inviável realizar prisões durante o atendimento ao acidente.

"É uma situação que vai além da atuação da PRF. Nós registramos imagens, identificamos participantes quando possível e encaminhamos todas as informações para a Polícia Civil, que dá sequência às investigações", destacou.

Ela também alertou que a prática não termina no saque. Segundo a policial, há indícios de que parte dos produtos seja revendida posteriormente por receptadores, inclusive comerciantes da região.

"São mercadorias fáceis de transportar e comercializar. A investigação também busca identificar quem recebe e revende esses produtos, porque isso também é crime", afirmou.


Foto: BPRv

Indígenas podem responder criminalmente

Outro ponto abordado pela inspetora diz respeito à responsabilização criminal dos envolvidos. Segundo Neo Gonçalves, existe um entendimento equivocado de que indígenas não podem ser presos.

Ela esclarece que a inimputabilidade prevista na legislação não se aplica aos indígenas plenamente integrados à sociedade, como ocorre nas comunidades da região.

"Essas pessoas podem, sim, responder criminalmente. O que dificulta a atuação é o grande número de participantes durante os saques, e não uma proteção legal que impeça prisões", explicou.


Dois saques no mesmo dia

A declaração da inspetora ocorre após dois casos registrados na terça-feira (7), ambos em Nova Laranjeiras.

Pela manhã, um caminhão Mercedes-Benz Axor carregado com 19 toneladas de alimentos tombou na PR-473, em uma área próxima a um aldeamento indígena. O motorista, de 41 anos, não sofreu ferimentos, mas, quando a Polícia Militar Rodoviária chegou ao local, parte da carga já havia sido retirada. A estimativa era de cerca de 60 pessoas participando do saque.

Pouco tempo depois, outra ocorrência mobilizou equipes na BR-277. Uma carreta carregada com frango congelado tombou em um trecho de curva da rodovia. O motorista sofreu ferimentos graves, incluindo a amputação do braço direito, e foi encaminhado ao hospital.

Enquanto as equipes de resgate prestavam atendimento à vítima, aproximadamente 80 pessoas passaram a retirar a carga espalhada às margens da pista. Durante o atendimento, o trânsito precisou operar no sistema Pare e Siga.

Segundo a PRF, situações como essas têm sido recorrentes na região e exigem a atuação integrada entre Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Ministério Público, Funai e demais órgãos responsáveis para identificar os envolvidos, responsabilizar os saqueadores e combater a receptação das mercadorias retiradas ilegalmente dos locais dos acidentes.

Diego Hellstrom/Catve.com

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