Policial

Vídeo mostra discussão entre policial e advogado antes de homicídio

Nós somos amigos e não precisamos disso, diz vítima momentos antes dos disparos


A equipe de reportagem do Catve.com teve acesso às imagens da câmera de segurança que registraram os momentos que antecederam a morte do policial civil João Ezequiel Baptista Pereira, na noite de domingo (28), em Cascavel.

No vídeo, João Ezequiel, que era lotado na Delegacia de Polícia Civil de Santa Tereza do Oeste, chega em um carro branco e estaciona em frente à residência, na Rua Fernando Antônio Marassi, no bairro Brasmadeira. Em seguida, toca a campainha e chuta o portão.

O advogado, morador do imóvel, abre o portão e inicia uma discussão com o policial. Durante o desentendimento, João Ezequiel tenta acalmar a situação e diz: "Jean, para com isso."

Na sequência, o advogado responde: "Eu vou fechar o portão e você sai [...] Eu tô na tua mira."

O policial então afirma: "Jean, nós somos amigos e não precisamos disso."

As imagens também mostram a companheira de João Ezequiel tentando separar os dois. Ela estava acompanhada da filha menor de idade, que presenciou toda a discussão.

Em determinado momento, os dois aparecem segurando uma arma apontada para baixo enquanto continuam discutindo. Pouco depois, a confusão termina com os disparos que mataram o policial.

De acordo com a investigação da Delegacia de Homicídios, a discussão teria começado porque o advogado se irritou com a forma como João Ezequiel chegou ao imóvel. O interfone da residência estava quebrado e havia um aviso orientando os visitantes a baterem no portão.

Segundo o delegado Fabiano Mozza, embora os dois estivessem armados, a perícia aponta que apenas o advogado efetuou disparos. No local, foram encontradas quatro cápsulas de pistola calibre 7.65, todas compatíveis com a arma do investigado.

João Ezequiel foi atingido por três tiros, sendo dois na cabeça e um nas costas. Para a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento não sustentam a versão de legítima defesa apresentada pelo advogado.

As investigações também apontam que vítima e investigado eram amigos havia anos. A esposa do policial estava na residência desde o meio-dia e, conforme os depoimentos, os presentes consumiam bebida alcoólica antes da chegada de João Ezequiel.

O sistema de monitoramento da casa foi apreendido e as imagens passaram a integrar o inquérito. A arma utilizada no crime também foi encaminhada para perícia. Conforme a Polícia Civil, o armamento era irregular.

O advogado foi preso em flagrante por homicídio qualificado por motivo fútil e permanece à disposição da Justiça. A investigação segue em andamento para esclarecer todos os detalhes da dinâmica do crime.

Redação Catve.com

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