A ex-diretora de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) de Cafelândia é investigada por suspeita de agredir um menino de 4 anos com transtorno do espectro autista (TEA). A situação foi registrada pelas câmeras de monitoramento da própria unidade escolar.
Nas imagens, a servidora aparece segurando a criança e tentando obrigá-la a permanecer em um local determinado por ela. Em seguida, o menino corre e a diretora vai atrás. A gravação ainda mostra a mulher tirando o chinelo e apontando para o aluno em tom de ameaça. Depois, ela dá um tapa nas nádegas da criança, que procura abrigo junto à professora assistente. Mesmo assim, as intimidações continuam.
Segundo a secretária de Educação de Cafelândia, Patrícia Tenfen, a administração municipal tomou providências assim que teve acesso ao vídeo. A servidora foi afastada e um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado para apurar a conduta. A família do menino também foi comunicada pela própria secretária.
A secretária explicou ainda que a servidora segue vinculada ao quadro do município até a conclusão do procedimento administrativo.
Além do PAD, a ex-diretora também é alvo de inquérito policial e pode ser denunciada pelo Ministério Público. A situação ganhou novos desdobramentos após áudios com supostas ameaças enviados pela investigada a outra servidora, ouvida como testemunha, serem anexados ao caso.
"A vida é uma roda gigante, tá? Você sabe tudo que eu fiz por você. A única vez que eu precisei da ajuda de vocês é isso aí que eu mereço. Tudo que vai, volta", diz trecho do áudio atribuído à servidora afastada.
O processo disciplinar é analisado por uma comissão especial e o resultado deve ser divulgado nos próximos dias. Já o inquérito policial e o procedimento no Ministério Público não têm prazo para conclusão.
As agressões e ameaças começaram a ser analisadas pelo Ministério Público em 5 de março. A defesa da servidora apresentou manifestação no dia 4 de maio e, agora, o caso aguarda a designação de audiência de instrução e julgamento.
A assessoria jurídica do município acompanha o andamento do processo. Segundo o advogado Manoel Santos, a administração está preocupada com a gravidade da situação.
"Quando você trata de criança com infantil e uma pessoa que tem a responsabilidade de trazer para essa criação resguarda, um cuidado maior, então a gente fica bastante emocionado até com essa situação", declarou o advogado da assessoria jurídica de Cafelândia.
Reportagem João Carlos Del Rios | EPC (Esporte, Política e Cidadania)
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