A situação do cachorro resgatado em um caso de maus-tratos em Capitão Leônidas Marques causou forte repercussão. Em entrevista ao Portal Catve.com, Julia Dorini, da Instituto Viva, deu detalhes do cenário encontrado pela equipe de resgate.
Segundo ela, a ONG nem sabia da ocorrência até receber contato da Guarda Municipal pedindo apoio para acolher o animal após a prisão do tutor.
"Quando a polícia trouxe o cachorro pra clínica, já vimos que ele estava extremamente debilitado. Ele não levantava, tinha vários espasmos e estava totalmente desidratado", contou.
Conforme o relato recebido pela equipe, o animal teria permanecido entre 30 e 40 dias amarrado, sem acesso adequado à água e alimentação.
Ainda segundo Julia, o cachorro apresentava um quadro severo de anemia, além de hipotermia. "Ele estava muito gelado. Então já colocamos aquecedor, suplementação e começamos todos os cuidados necessários", explicou.
Os exames rápidos realizados na clínica apontaram resultado positivo para ehrlichiose, doença transmitida pelo carrapato. A suspeita de cinomose, inicialmente levantada devido ao estado do animal, acabou descartada.

Um dos pontos que mais chamou a atenção da equipe foi a infestação intensa de pulgas e carrapatos. "O carro da polícia, inclusive, ficou cheio de carrapatos. Era apenas um animalzinho coberto de pulga e carrapato. Uma situação deplorável", lamentou Julia.
Ela também destacou o impacto emocional enfrentado por quem atua diariamente em resgates de animais vítimas de abandono e negligência.
"A gente queria que as notícias fossem outras, que ele tivesse sobrevivido e pudesse ter uma nova chance. Infelizmente, nem todos os casos conseguimos salvar, mas pelo menos ele recebeu carinho, conforto e cuidado nas últimas horas", disse.
A protetora aproveitou para reforçar a importância das denúncias em casos suspeitos de maus-tratos. "Muitas vezes a gente recebe situações que já foram denunciadas várias vezes. Mas é importante insistir. Denunciem, porque só assim conseguimos tentar ajudar", afirmou.
As denúncias podem ser feitas anonimamente pelo telefone 181, ou diretamente para as forças de segurança, como a PM, pelo 190 e a Guarda Municipal, pelo telefone 153.

Ilsinéia Machado / Catve.com
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