Policial

"Falou que estava com câncer"; vítimas relatam mentiras de golpista em Cascavel

Mais de 20 denúncias já foram registradas contra homem


Uma das vítimas conheceu o estelionatário dentro da igreja e até jogava futebol com ele.

Um homem bem vestido, comunicativo e supostamente amigo de todos. Ele, que aplicava os golpes, dizia que representava o consórcio de uma grande rede de lojas. Tinha até escritórios no centro de Cascavel, em locais movimentados.

As primeiras denúncias surgiram em 2024 e, a cada dia, mais pessoas estão denunciando o golpe.

João Vitor é uma das vítimas. Em 2025, entregou uma moto no valor de R$ 6 mil como entrada de uma carta de crédito de R$ 20 mil.

A carta nunca chegou e a moto acabou sendo vendida para um terceiro.

"Começaram as enrolações, as desculpas. Aí falou que não deu certo por causa do meu nome. Inventava desculpas sem sentido. Depois vieram outras: ‘meu filho está doente’, ‘estou doente’, ‘estou com câncer’. Isso foi se arrastando até que eu registrei o boletim de ocorrência", disse o homem.

Outra vítima do estelionatário procurou o Portal Catve para denunciar um golpe sofrido. Entregou um carro avaliado em R$ 12,5 mil para receber uma carta de crédito de R$ 41 mil. Nem o contrato prometido apareceu.

"Ele me mandou uma mensagem e falou: ‘ó, tem uma carta aqui no valor de R$ 40 mil, mas a entrada é de R$ 12,5 mil’. Eu tenho o meu carro, que é um Celta. Ele falou: ‘vou avaliar’. Ele veio, avaliou e disse: ‘a gente pega o carro como entrada’. Eu falei: ‘então tá bom’. Ele disse que o contrato viria por e-mail, porém a moça que trabalhava com ele não estava conseguindo enviar", contou a vítima.

A Polícia Civil já está investigando mais de 20 denúncias desde o ano passado, inclusive a de uma mulher que teria transferido R$ 130 mil via Pix para o estelionatário. Essa, pelo menos, conseguiu receber de volta metade do valor investido.

O Ministério Público também já está investigando os casos. A empresa que o homem dizia representar confirmou que nunca teve vínculo com o denunciado, que é de Quedas do Iguaçu, mas atuava em Cascavel e em outras cidades do estado.

O advogado Luciano Katarinhuk explica que, em casos assim, é muito complicado receber de volta o bem entregue ou o dinheiro investido.

Por isso, o melhor a fazer antes de fechar o negócio é conferir todas as informações repassadas, confirmar o vínculo do representante com a empresa mencionada e nunca entregar dinheiro ou qualquer tipo de bem físico sem garantia de retorno.

"O que os golpistas perceberam? Quando se cria uma vantagem para o sujeito, ele acaba não mensurando os riscos e não faz pesquisas para saber quem está vendendo, de onde vem a origem e, principalmente, não busca orientação com quem tem mais domínio da área para entender se aquilo é realmente uma vantagem. Toda vítima de estelionato precisa denunciar, registrar um boletim de ocorrência, identificar as partes com as quais estava negociando, quem compunha a transação e para onde os valores foram depositados", explicou o advogado.


Reportagem de João Carlos Del Rios | EPC - ESPORTE, POLÍTICA E CIDADANIA

PUBLICIDADE

** Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para a equipe Portal CATVE.com pelo WhatsApp (45) 99982-0352 ou entre em contato pelo (45) 3301-2642

Mais lidas de Policial
Últimas notícias de Policial