Foto: Metrópoles
Condenado por participação no maior furto a banco da história do Brasil, Raimundo de Souza Pereira, de 61 anos, conhecido como Piauí, foi preso no início deste mês em Montevidéu, no Uruguai. Ele havia sido beneficiado por indulto presidencial em abril de 2024.
Raimundo integrou o grupo responsável pelo furto à sede do Banco Central do Brasil, em Fortaleza, em 2005, quando cerca de R$ 164 milhões foram levados do cofre da instituição. O caso ficou conhecido nacionalmente pela complexidade da ação, executada por meio de um túnel escavado até o subsolo do prédio.
O papel no furto histórico
De acordo com o processo, Piauí teve participação central na coordenação da escavação do túnel, que tinha aproximadamente 80 metros de extensão. A estrutura foi aberta a partir de um imóvel alugado com fachada comercial, estratégia que permitiu a aproximação do cofre sem disparar alarmes ou provocar confronto armado.
A investigação apontou que ele teria ficado com cerca de R$ 13 milhões pela atuação no crime. Nos autos, é descrito como responsável pela logística e supervisão técnica da escavação.
Indulto presidencial
O benefício foi concedido com base no Decreto Presidencial nº 11.846, publicado em dezembro de 2023. A norma estabeleceu critérios para extinção de penas de condenados que já tivessem cumprido parte significativa da sentença e estivessem dentro dos limites fixados pelo decreto até 25 de dezembro daquele ano.
Em 3 de abril de 2024, a Justiça declarou extinta a punibilidade em relação ao saldo das penas privativas de liberdade de Raimundo. A condenação permaneceu registrada, mas o Estado deixou de exigir o cumprimento do restante da pena.
O indulto abrangeu condenações por crimes patrimoniais e associação criminosa, incluindo o episódio do furto ao Banco Central do Brasil. Uma condenação por lavagem de dinheiro já havia sido afastada anteriormente por instância superior, o que reduziu o total da pena.
Nova prisão no Uruguai
No último dia 3, Raimundo foi preso em Montevidéu ao lado de outros quatro brasileiros: Eduardo Félix Farias, Carlos Emerson Cruz, Marcelo Paulo Costa e Danilo do Amor Divino Lima. Eles são apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e suspeitos de planejar um novo mega-furto a banco na capital uruguaia.
Segundo autoridades locais, o grupo seguia modelo semelhante ao utilizado em Fortaleza, com divisão técnica de funções, estudo prévio do alvo e planejamento para evitar confronto direto.
A operação resultou em 11 presos, entre brasileiros, uruguaios e paraguaios. A Justiça uruguaia decretou prisão preventiva por 180 dias. Durante a ação policial, foram apreendidos 113 quilos de maconha e 42 quilos de cocaína.
A defesa dos investigados não foi localizada até o momento. O espaço segue aberto para manifestações.
Antonio Mendonça/ Catve/ Metrópoles
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