Terminou nesta quarta-feira (21) a segunda fase da audiência de instrução do caso Isabelly, criança de três anos que morreu em maio de 2022, após se afogar em uma máquina de lavar roupas, no bairro Country. Ainda não há definição se a madrasta, Suzana Bazar, será submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Quase quatro anos após o ocorrido, o processo se encaminha para a etapa final. Nesta fase da audiência, oito testemunhas foram ouvidas pelo juiz responsável pelo caso. Inicialmente, estavam previstas 11 oitivas, mas três testemunhas acabaram sendo dispensadas.
Segundo o assistente de acusação, o depoimento da tia de Isabelly, irmã do pai da criança, teve relevância para o andamento do processo. Para ele, as provas produzidas nesta etapa reforçam a possibilidade de uma sentença de pronúncia.
"As provas produzidas hoje melhoraram ainda mais para o convencimento do juiz em uma sentença de pronúncia. Entendo também que ficaram bem configuradas as qualificadoras. Testemunhas relataram situações particulares que denotam até uma premeditação por parte da acusada", afirmou o advogado Alexander Beilner, assistente de acusação.
A defesa de Suzana Bazar, que responde por homicídio triplamente qualificado, também avaliou a audiência como satisfatória. De acordo com o advogado Pedro Hara, foram ouvidas testemunhas tanto da acusação quanto da defesa, incluindo o perito responsável pelo laudo de necropsia da criança.
"Era muito importante para nós esclarecer a dinâmica dos fatos ocorridos. As informações trazidas pelo perito são relevantes, mas não podemos detalhá-las por conta do segredo de justiça", explicou.
A madrasta participou da audiência de forma remota. Conforme o assistente de acusação, durante o depoimento, ela teria negado fatos que constam no processo, incluindo situações relacionadas à guarda de outra criança e aos cuidados com Isabelly. Suzana respondeu apenas às perguntas formuladas pela defesa, pelo juiz e se recusou a responder aos questionamentos do Ministério Público e da assistência de acusação.
A defesa afirmou que a oitiva por videoconferência não foi uma estratégia processual, mas uma decisão tomada em conjunto com a cliente para evitar o deslocamento de Curitiba até Cascavel. Além disso, contestou a tipificação do crime como homicídio triplamente qualificado.
Após o encerramento da audiência, havia a possibilidade de o juiz proferir a decisão de pronúncia, que encaminharia a ré ao Tribunal do Júri, o que não ocorreu. Para a acusação, a ausência de decisão imediata demonstra cautela diante da complexidade do caso.
"É um processo complexo, com muitas provas e questões familiares envolvidas. O juiz está sendo cauteloso para apresentar uma decisão bem fundamentada", avaliou Alexander Beilner.
A audiência desta quarta-feira foi necessária porque não foi possível ouvir todas as 19 testemunhas inicialmente arroladas no processo em setembro do ano passado. Na ocasião, cinco depoimentos foram colhidos. Com os oito desta segunda fase, 13 pessoas já foram ouvidas pelo Judiciário.
Agora, o Ministério Público apresentará as alegações finais, seguido pelo assistente de acusação. Em seguida, será a vez da defesa e, por fim, o juiz deverá decidir se Suzana Bazar será ou não julgada pelo Tribunal do Júri.
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Reportagem de Deivid Souza | EPC - ESPORTE, POLÍTICA E CIDADANIA
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