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Três donos de empresa de eventos em Maringá, no Norte do Paraná, foram indiciados pelos crimes de estelionato e organização criminosa. Os investigados são suspeitos de aplicar golpes em casais e formandos da cidade.
"A situação toda eclodiu com o encerramento, com o fechamento das portas da empresa em agosto de 2024. Mas ao longo da nossa investigação, foi possível identificar que a empresa a partir de julho/agosto de 2023 já estava em colapso financeiro irreversível e mesmo assim eles continuaram vendendo pacotes e além de vender esses, ampliaram e criaram pacotes ainda mais atrativos, promocionais, e o acréscimo de vítimas/clientes desde então que sustentou a empresa por esse período até que resultou no colapso final"
Foram registrados mais de 400 boletins de ocorrência em agosto de 2024, com denuncias de contratos cancelados ou eventos não entregues. Foram relatados padrão de atuação semelhante como captação com preços abaixo do custo real, facilidade de pagamento, intensa publicidade e promessas de pacote completo.
"Era um serviço de prestar de assessoria, mas também entregava um evento. Era uma empresa contratada para apresentar um pacote global. Ele eram responsáveis pelo espaço, pelo buffet, por banda, doce e decoração. Eram valores extremamente atrativos, ao longo da investigação identificou inclusive que esses valores não custeavam as festas, eram abaixo do preço de custo", explicou.
A Polícia Civil instaurou Inquérito Policial para investigar o caso e ouviu cerca de 150 pessoas. Conforme informado, foi identificado um esquema que consistia em contratação de pacotes completos mediante valores atrativos e condições facilitadas, exigência de pagamentos antecipados ou substancialmente antecipados, ausência de reserva efetiva de locais e fornecedores, sucessivas promessas de regularização e, ao final, a frustração da execução do evento.
Conforme informado, em muitos casos, os eventos não foram executados, os espaços não estavam reservados, havia mais que um evento no mesmo local e data e ampla rede de fornecedores e prestadores que também permaneceu sem recebimento.
Nas investigações, foi solicitada a quebra de sigilo bancário de 103 contas bancárias de 21 bancos diferentes. A empresa teria atuado por pelo menos um ano e o valor movimentado é de quase R$ 23 milhões.
"Funcionou semelhante a um sistema de pirâmide financeira, as pessoas que ingressão custearam os eventos mais antigos, mas a somatória dos custos indiciou que era algo inviável. A nossa quebra de sigilo ela abarcou os três sócios e também as pessoas jurídicas vinculadas à eles, a alguns funcionários utilizados por eles como meio de recebimento dos pagamento e o levantamento de todas essas pessoas físicas e jurídicas. Nos anos de 2023 e 2024 alcançou valores próximos de R$ 23 milhões. Esses valores não resultaram em um ganho financeiro para eles, por conta do custo das empresas. Grande parte desses R$ 23 milhões foram usados para custear eventos anteriores", explicou.
A Polícia Civil vai estudar se vai solicitar ou não a prisão preventiva. O inquérito policial já foi remetido ao Ministério Público.
ORIENTAÇÃO
O delegado Fernando Gomes Garbelini, explicou que nesse caso o que atraiu as vítimas foi o preço e as pessoas precisam se atentar a isso durante a finalização do contrato.
"Não tem milagre", afirmou.
Ele explica que precisa estar dentro do valor do mercado e também condizente ao custo. Além disso verificar a idoneidade da empresa, que pode ser feita pelas redes sociais e sites.
"Todo cuidado é pouco, até porque um evento como esse é um sonho e pode resultar em uma frustração", finalizou.
Evelyn Antonio | Catve.com
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