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Paraguai cobra informações do Brasil sobre processo contra suspeito de matar jornalista

Wilson Acosta Marques, apontado como executor do crime, não foi extraditado por ter nacionalidade brasileira


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A situação processual de Wilson Acosta Marques, apontado pela Justiça paraguaia como um dos executores do assassinato do jornalista Pablo Medina Velázquez, segue indefinida no Paraguai. Até o momento, não há resposta oficial sobre o andamento do processo penal que tramita no Brasil, país que não extradita seus cidadãos natos.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal ABC Color, no dia 20 de outubro o fiscal adjunto de Assuntos Internacionais do Paraguai, Manuel Doldán Breuer, encaminhou um pedido urgente ao Ministério das Relações Exteriores para que as autoridades brasileiras informem o estágio atual do processo de transferência das ações penais e do julgamento de Wilson Acosta Marques. A solicitação original foi formalizada em 5 de julho de 2021 pela Corte Suprema de Justiça do Paraguai.

Até agora, segundo o Ministério Público paraguaio, não houve resposta oficial do Brasil sobre o requerimento.

O último informe recebido pelas autoridades paraguaias data de fevereiro de 2025. Na ocasião, o Ministério Público brasileiro informou que, em 14 de janeiro daquele ano, a Promotoria Criminal nº 28 de Cuiabá apresentou alegações finais acusando Wilson Acosta Marques pela prática de homicídio qualificado, tipificado no artigo 121 do Código Penal brasileiro, em duas ocasiões. A Defensoria Pública apresentou sua manifestação em 5 de fevereiro, deixando o processo pronto para decisão judicial. No entanto, não há informações sobre eventual envio do caso a julgamento.

O jornalista Pablo Medina Velázquez, correspondente do jornal ABC Color, foi assassinado em 16 de outubro de 2014, em uma estrada rural do município de Villa Ygatimí, no Paraguai. Conforme a investigação, Wilson Acosta Marques teria efetuado o disparo fatal com uma espingarda. No ataque também morreu Antonia Maribel Almada Chamorro, de 19 anos, que acompanhava o jornalista.

Wilson Acosta foi preso no Brasil em 29 de maio de 2020, no município de Chapada dos Guimarães, no estado de Mato Grosso, e colocado à disposição do Supremo Tribunal Federal. Ele possui documentação brasileira, o que impede sua extradição.

Já Flávio Acosta Riveros, filho de Wilson, foi condenado no Brasil a 36 anos de prisão pelo assassinato de Pablo Medina, em sentença proferida em dezembro de 2021. Ele foi preso em janeiro de 2016, na cidade de Pato Branco, no Paraná.

Segundo as investigações, o crime foi executado por Wilson e Flávio Acosta a mando de Vilmar Acosta Marques, conhecido como "Neneco", então prefeito de Ypejhú, irmão de Wilson e tio de Flávio. Neneco foi preso no Brasil em 2015, extraditado ao Paraguai e cumpre pena total de 39 anos de prisão no país.

Apesar da impossibilidade de extradição de cidadãos brasileiros, a cooperação jurídica entre Paraguai e Brasil permite que os acusados sejam julgados no país onde se encontram, mecanismo que possibilitou a condenação de Flávio Acosta Riveros.

Antonio Mendonça/ Catve.com/ ABC Collor

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