A ciência, mais uma vez, encontra soluções para resolver ou, pelo menos, amenizar os problemas da saúde. Cascavel, dentro de pouco tempo, vai contar com os mosquitos Aedes aegypti criados com o sistema Wolbachia, que combate aqueles mosquitos agentes causadores da dengue, da chikungunya e da zika.
É um método criado na Austrália, mas que vem tendo um bom resultado no Brasil. Em Niterói, no Rio de Janeiro, por exemplo, o sistema conseguiu reduzir 89% dos casos de dengue. No Paraná, o método, já testado em várias cidades, como Foz do Iguaçu, também vem conseguindo reduzir os casos.
"O que a gente vê é que é um método que, inicialmente, tem um custo operacional de ser implementado. Ele leva um certo tempo. Todo um cuidado em torno de fazer a população entender que soltar mosquito não é uma coisa negativa. Nesse caso, a gente está soltando mosquito justamente para estabelecer uma população de Wolbachia na população de mosquitos. E, a partir do momento que isso acontece, com um tempo estimado de 1 a 2 anos, para ter um efeito visível nos indicadores epidemiológicos, nas cidades em que o método já foi implementado, um efeito que é sustentável ao longo do tempo", Daniel Garkauskas, coordenador de Vigilância das Arboviroses do Ministério da Saúde.
Os wolbitos, como são chamados, são criados em laboratórios. E lá, os pesquisadores conseguem liberar uma substância chamada Wolbachia, que o próprio inseto carrega. E é essa bactéria que evita a transmissão das doenças. A Wolbachia é uma bactéria natural.
"Ela já existe em 60% dos insetos na natureza. Então, ela é totalmente segura para a população. Quando o mosquito é Aedes aegypti, quando o wolbito tem a bactéria Wolbachia, ele impede a replicação dos vírus da dengue, da zika e da chikungunya", afirmou Diogo Chalegre, assessor da Fiocruz.
A expectativa é soltar em Cascavel, nas próximas 26 semanas, cerca de 40 milhões de mosquitos com a bactéria Wolbachia, os chamados wolbitos.
O investimento na cidade, por parte do Ministério da Saúde, será de R$ 2,8 milhões. A ideia é que a soltura destes mosquitos, nesta primeira fase, beneficie pelo menos 60% da população.
Em Cascavel, os mosquitos Wolbachia serão enviados pela fábrica em Curitiba, ainda incubados em ovos. A eclosão destes ovos será natural nos bairros já previamente demarcados pela Prefeitura.
Neste ano, o número de casos confirmados de dengue na cidade ainda é considerado dentro do controle. São 169 casos. E a ideia com o Wolbachia é evitar uma nova epidemia.
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Reportagem João Carlos Del Rios | CATVE
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