Desigualdade de estimativas de safra preocupam setor

Milho é rei dos contrastes de perspectiva; soja está sem dados desde dezembro de 2019

19 de maio de 2021 | 12h22 | Atualizado há 129 dias

Foto: Pexels
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Frequentemente, analistas, profissionais do ramo e produtores rurais se deparam com os contrastes nas estimativas de safra de órgãos federais. Hoje, os principais levantamentos no Brasil são feitos pela Conab e IBGE, que além de apresentarem diferenças, são absolutamente defasados. "Além de não termos segurança e transparência na informação, isso prejudica a remuneração do produtor e a elaboração de políticas públicas do setor", afirmou o vice-presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Modesto Daga.

Modesto se refere principalmente ao último relatório divulgado, especificamente referente ao milho. Em termos comparativos, a Conab estima a colheita de 106 milhões de toneladas no Brasil; o IBGE estima 102,5 milhões e o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), prevê 102 milhões de toneladas. "A sensação que temos é que as entidades não se conversam", opinou Daniel Galafassi, presidente da Apepa (Associação Paranaense de Planejamento Agropecuário).

As diferenças também são alvos de críticas de corretoras de grãos. "Está absolutamente defasado. Acredito que precisa ser revista a metodologia e as divulgações de dados, que mudam muito na hora que eles são colhidos até a hora que são divulgados", analisou Camilo Motter, da Granoeste Investimentos.

Outro problema grave da Conab está relacionado à soja. Desde dezembro de 2019, a entidade não divulga dados de demanda e estoque remanescente da oleaginosa. "Precisamos ter credibilidade e confiança no levantamento desses dados. Essa situação do milho é a mais recente, mas também temos o problema da soja. O Brasil é maior produtor e exportador de soja do mundo, e essa é a mensagem que passamos? Não temos credibilidade alguma desta forma", afirmou Modesto.

A falta de unificação de dados, além de prejudicar o setor em si, prejudicam o produtor rural. "Nosso interesse não é somente na remuneração do produtor rural, que realmente está defasada. O que nos preocupa é que somos uma economia altamente dependente do agronegócio, e não ter um critério correto, de dados factíveis e reais, é além de errado, vergonhoso", concluiu Modesto.
Assessoria Sindicato Rural
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