Paraná

Governo de SC confirma que não quer antecipação do PR como área livre de aftosa

Entidades agro repudiam atitude

01/03/2019 19h47 | Atualizado em 01/03/2019 19h48
No dia 21 de fevereiro, o secretário da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina, Ricardo de Gouvêa, afirmou que preocupa a antecipação da retirada da vacinação contra a febre aftosa pelo Paraná de 2021 para de 2019. O governo de SC também confirmou, em nota oficial, que a Secretaria da Agricultura elaborará uma lei permitindo apenas a entrada de animais com origem comprovada em Santa Catarina, além de já ter solicitado status independente de vacinação ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Entidades que representam o agro paranaense repudiam atitude do Estado. "Nós temos todas as condições de ter o status de área livre de aftosa sem vacinação. Santa Catarina não tem autoridade para questionar uma comprovação do próprio Mapa. Acredito que isso seja somente uma questão de reserva de mercado, já que hoje só eles conseguem acessar alguns dos que mais remuneram no mundo. Isso torna ainda mais lamentável a atitude deles", comentou o presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Paulo Orso.

A FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) emitiu nota repudiando a afirmação do secretário catarinense, pois tem certeza que o Paraná reúne todas as condições sanitárias e técnicas para iniciar o processo de reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). "Em janeiro e agosto de 2018, profissionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) avaliaram, por meio de auditorias, os programas, estrutura, capacidades técnica, financeira e administrativa do serviço de vigilância da sanidade agropecuária do Paraná. Na ocasião, o Mapa avaliou o serviço sanitário paranaense como um dos melhores do Brasil, atingindo e/ou superando em mais de 85% os critérios avaliados", informou em nota a Federação.

Segundo a FAEP, assim como Santa Catarina conquistou o status de área livre de aftosa sem vacinação em 2007, com irrestrito apoio do Paraná na época, a Federação tem certeza que o governo catarinense e seus integrantes irão rever o posicionamento e passar a apoiar o processo. Paulo Orso pediu ainda que o governo do Paraná defenda oficialmente todos os anos de investimentos e ações desenvolvidas pelas entidades responsáveis. "O trabalho desenvolvido foi muito sério e muitos investimentos foram feitos, desde infraestrutura a contratação de pessoas. Não podemos permitir que outros afirmem que isso não é suficiente ou que não merecemos o status".

Posicionamento de SC

Em resposta a nota publicada no Jornal O Paraná, a Secretaria da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina esclareceu que não é contra a retirada da vacinação contra febre aftosa em outros estados do país.

Segundo nota oficial da Secretaria, a preocupação de Santa Catarina se dá pelo fato de que, desde 2007, é o único estado brasileiro já reconhecido pela OIE como livre da doença sem vacinação e que rebanho catarinense não possui nenhuma resistência vacinal desde o ano 2000 e qualquer ameaça à sanidade agropecuária pode colocar em risco todo agronegócio do estado.

"A principal demanda do Governo de Santa Catarina é para que seja cumprido o cronograma inicial do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), que prevê a retirada da vacinação nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no primeiro semestre de 2021", disse a nota.

Outro questionamento de Santa Catarina é a falta de mecanismos para comprovação de origem dos animais. O Governo do Estado de Santa Catarina também disse que já apresentou ao Ministério da Agricultura a proposta de que o estado se mantenha com a certificação independente. O estado quer se manter como uma zona a parte do restante do país.

assessoria



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