Cascavel

Construção do Teatro Municipal de Cascavel se arrasta há 23 anos

História começou em 1991, quando projeto foi escolhido para a obra

14/04/2014 12h32 | Atualizado em 15/04/2014 13h40
Teríamos grandes histórias para contar, mas até hoje não houve estreia. O palco ainda não está pronto e a obra parece não ter fim.

Até aqui foram muitos episódios, 1991 foi o ponto de partida, foi quando a construção do Teatro Municipal de Cascavel passou a fazer parte dos planos da Prefeitura. O Teatro que foi inicialmente orçado em R$ 6,5 milhões custou muito mais. O investimento final, segundo a Prefeitura de Cascavel será de R$ 15 milhões.

O contrato com a construtora Guilherme, responsável pela obra foi fechado de aditivos, ao todo 13.

Drama, tragédia ou suspense. As duas décadas de impasse se transformaram num importante dossiê, que agora está nas mãos do Ministério Público.

É a história contada e documentada. Começou no primeiro mandato de Salazar Barreiros em 1991, foi lançado um concurso para a escolha do melhor anteprojeto. O vencedor foi o arquiteto Vitor Hugo Bertolusse. Foi o ponto de partida e lá se foram 23 anos.

Depois de Salazar veio Fidelcino Tolentino que decidiu ampliar o projeto dobrando a área construída. O Teatro passaria ter 5.926 metros quadrados. Salazar foi eleito prefeito novamente e então, a obra começa a receber os primeiros tijolos. A construção inicia com uma verba de apenas R$ 50 mil do Ministério da Cultura a funda perdido.

Salazar avança, em 25 de março de 1999 consegue R$ 6.600 milhões para a construção do Teatro. Através de uma emenda parlamentar de deputados estaduais. E ai começou a tramitação burocrática para a liberação da verba. Em 26 de novembro de 1998 o conselho de reestruturação e ajuste fiscal do estado recebe o pedido da Secretaria da Cultura.

O convênio entre a Prefeitura de Cascavel e a secretaria da cultura foi formalizado em 19 de novembro de 1999, praticamente um ano depois. R$ 2 milhões seriam recebidos logo após a assinatura e R$ 4.600 milhões em 2000. A autorização foi assinada pelo governador em exercício Anibal Curi. Com o recurso garantido, a prefeitura expediu o edital de concorrência pública nacional para a execução da obra. A ganhadora foi a empresa Sial Construções Civis, demais concorrentes entraram com recurso, entre elas a construtora Cima Engenharia Empreendimentos Ltda que impetrou mandados de segurança na justiça. A liminar que pedia a revisão de sua proposta foi deferida, porém, posteriormente a liminar foi julgada improcedente. Só aí, o atraso da obra foi de oito meses, tempo que prejudicou e muito. A fundação estava pronta, mas Salazar estava em fim de mandato. Além disso, os R$ 6.600 milhões estavam a perigo, já que o convênio estava vencendo. Salazar solicitou a prorrogação, a verba estaria disponível até 31 de dezembro de 2001.

Edgar vence as eleições e assume a Prefeitura com um convênio em vigor, mas de 2001 a 2004 a obra fica paralisada.

No site da Prefeitura, a informação é contraditória, diz que neste período não houve liberação de recursos por parte do Governo do Estado. Já o documento mostra disponibilidade.

Sai Edgar, entra Lísias Tomé. As tratativas com o Governo do Estado recomeçam. R$ 5.688 milhões são liberados para a execução da parte civil do Teatro. A promessa é que passada esta fase outra metade seria liberada para a compra de equipamentos, caixa cênica, elevadores e outros detalhes. Desta vez a construto Cima venceu a licitação, tinha 90 dias para iniciar a construção, mas veio outra surpresa e mais atraso. Faltando sete dias para terminar o prazo para o início das obras, a Cima desiste alegando dificuldades de mão de obra. A segunda colocada, Construtora Guilherme Ltda assumiu a empreitada depois de muito custo, alegando valores baixos frente a alta complexidade do projeto. A empresa aceitou desde que o preço fosse corrigido, tendo em vista o aumento considerável no preço do cimento e da ferragem.

Os vereadores aprovaram a condição. Houve aditivo contratual no valor de R$ 265.188,22 mil. A obra deveria ser concluída em 300 dias, o cronograma não foi cumprido. Em 18 de dezembro de 2008 o prazo foi prorrogado em 150 dias. Lísias não consegue a reeleição, Edgar Bueno é quem retorna, o prefeito afirma que em 2009, 27% da obra estava concluída.

O Ministério Público abre inquérito para investigar a obra e o por quê de tanta demora na execução. Em dezembro do ano passado, a investigação foi concluída e uma ação de improbidade administrativa por ato ilícito que causou prejuízo erário e violação dos princípios da administração pública foi proposta pelo promotor de justiça, na Vara da Fazenda Pública Comarca de Cascavel.

O Ministério Público pede a condenação de Lísias de Araújo Tomé, de Edgar Bueno e também da construtora Guilherme. Enquanto isso, no Teatro o panorama é que a parte civil está finalizada, agora o município executa o revestimento acústico, a climatização a cenotecnia, o paisagismo e a iluminação.

Quando? Esta é a grande pergunta, respeitável público a previsão é de que o Teatro Municipal de Cascavel seja inaugurado em julho deste ano.

Jornal da Catve