Cotidiano

Abrigo de mulheres acolhe mais de 180 pessoas em seis meses

Maioria dos acolhimentos ocorreu após denúncias de violência doméstica


Em um corredor, histórias marcadas pela violência começam a ganhar um novo capítulo. O Abrigo de Mulheres de Cascavel recebe quem precisa de proteção imediata após denunciar o agressor.

Somente no primeiro semestre deste ano, 183 pessoas foram acolhidas, entre elas mulheres e filhos que precisaram de um local seguro para recomeçar. A maioria é encaminhada pelas forças de segurança.

"As pessoas têm denunciado mais, as pessoas têm contado mais com a rede e têm tido mais informação de que existem serviços onde elas possam buscar auxílio para sair da situação de violência doméstica, porque a gente sabe, e vê isso no dia a dia, que quando a mulher sofre violência doméstica não é só a mulher que sofre, é toda uma família, são as crianças que estão inseridas e estão nessa situação também", disse Patrícia Lesser de Lima, coordenadora do Abrigo de Mulheres.

Em média, o acolhimento dura duas semanas, mas, dependendo da situação e do risco enfrentado, algumas mulheres permanecem no local por meses.

O tempo de estadia no abrigo é temporário. Não existe uma data limite para que as mulheres passem por esse acolhimento. Além de recebê-las, também são realizadas outras atividades, auxiliando as mulheres a saírem do ciclo de violência.

Tudo para que possam reconstruir a vida com segurança e autonomia. O objetivo é que, ao deixarem o abrigo, elas estejam fortalecidas para recomeçar, longe da violência e com mais independência.

"Quando a gente recebe a mulher, no primeiro momento ela passa pelo acolhimento, para acolher e ver quais são as necessidades dessa mulher, quais são as demandas, e a gente faz todos os encaminhamentos necessários. Então, às vezes ela precisa de atendimento jurídico e é encaminhada; às vezes está desempregada, então a gente encaminha para órgãos que fazem o direcionamento para o trabalho. Às vezes ela precisa de um atendimento de saúde, nós a levamos. Se essa mulher já trabalha e vem para o abrigo, a gente leva e busca, assim também como as crianças para a escola. Então, ela não deixa de seguir a própria vida. Às vezes precisa mudar algumas coisas, um horário, um trabalho, e a gente auxilia", afirmou a coordenadora.

Muitas mulheres chegam ao acolhimento depois de anos de agressões físicas, mas, além disso, podem ter passado ainda por outras formas de violência, como a psicológica ou patrimonial.

A Comissão da Mulher Advogada da OAB Cascavel explica que ter uma rede de apoio que ofereça suporte jurídico também é essencial.

"Nós estamos aqui justamente para fazer o nosso papel como sociedade na parte jurídica. Então, nós orientamos, nós informamos quais são os direitos delas, o que elas podem buscar, direito de atenção para os filhos, para ela e em muitos momentos, dependendo da situação", contou Gislaine Rodrigues, presidente da Comissão da Mulher da OAB Cascavel.

A advogada reforça: sempre há tempo para romper o ciclo da violência e buscar ajuda.

"O que eu sempre falo para todas as mulheres é que elas nunca estão sozinhas. A gente sabe que é difícil, a gente sabe que hoje em dia o índice de feminicídio é muito alto, mas as mulheres precisam falar. E nós, como sociedade, precisamos ouvir", disse Gislaine.

Denúncias podem ser feitas para a Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal de Cascavel pelo telefone 153. A Polícia Militar também pode ser acionada pelo 190.

Confira mais detalhes no vídeo:


Reportagem de Isabela de Oliveira | EPC - ESPORTE, POLÍTICA E CIDADANIA

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