Cotidiano

Pastores e artistas do Rio de Janeiro avistaram OVNIs em Cascavel em 1982

Caso reuniu dezenas de testemunhas e permanece sem uma explicação definitiva


Na noite de 6 de agosto de 1982, um fenômeno observado no céu chamou a atenção de moradores de diversas cidades do Paraná e se tornou um dos episódios mais conhecidos da ufologia brasileira. Em Cascavel, o caso ganhou ainda mais repercussão por ter entre as testemunhas o desenhista e apresentador Daniel Azulay (1947-2020), criador da Turma do Lambe-Lambe, programa infantil que marcou gerações de crianças brasileiras nas décadas de 1970 e 1980.

Na época, Azulay percorria o Paraná com um espetáculo da Turma do Lambe-Lambe em um grupo formado por atores, artistas, músicos e equipe técnica que acompanhavam o apresentador em apresentações pelo país. Neste dia, o ônibus da equipe seguia pela BR-277, a cerca de 10 quilômetros de Cascavel, quando todos os ocupantes avistaram uma formação de luzes no céu. Poucos metros à frente, um Fusca havia parado no acostamento e seus dois ocupantes, ambos pastores, observavam exatamente o mesmo fenômeno. 

Mais de quatro décadas depois, o episódio voltou a ser lembrado em entrevista concedida pelo ufólogo Edison Boaventura ao Portal Catve.com. Pesquisador há 46 anos, Boaventura considera o caso um dos mais importantes já registrados no Paraná. Além da conversa com o pesquisador, o Portal Catve.com localizou e entrevistou um dos pastores que estava no Fusca observado por Daniel Azulay naquela noite.


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Uma onda de avistamentos no Paraná

Segundo Boaventura, o episódio registrado próximo a Cascavel fez parte de uma onda de avistamentos que percorreu diferentes cidades paranaenses naquela mesma noite.

De acordo com o pesquisador, os primeiros relatos começaram por volta das 21 horas em Lupionópolis. Em seguida, fenômenos semelhantes teriam sido observados em Irati, Curitiba, Prudentópolis, Arapongas, Cornélio Procópio, Guarapuava, Ponta Grossa e Cascavel.

"A cidade de Cascavel, assim como as cidades circunvizinhas, tem bastante incidência ufológica. Esse foi o caso mais interessante ocorrido durante uma onda ufológica", afirmou Boaventura ao Portal Catve.com.

Segundo ele, o fenômeno observado em Cascavel teria acontecido às 22h49.

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O relato de Daniel Azulay

O apresentador e desenhista gravou um depoimento enviado ao ufólogo Edison Boaventura, no qual relembrou em detalhes o que afirmou ter presenciado naquela noite.

Segundo Azulay, a equipe viajava de ônibus pela BR-277, a cerca de 10 quilômetros de Cascavel, quando um dos integrantes chamou a atenção dos demais para uma movimentação incomum no céu. Ao olhar pela janela, ele afirmou ter visto uma grande formação luminosa.

"O que eu vi, todos no ônibus viram."

De acordo com o relato, um objeto maior seguia à frente de diversos outros menores, organizados em uma formação semelhante à de uma esquadrilha de aviões. No veículo estavam cerca de 18 pessoas que, segundo ele, acompanharam o fenômeno simultaneamente.

Entre os passageiros do ônibus estavam ainda o atual apresentador João Kléber, que na época trabalhava como dublador de personagens da Turma do Lambe-Lambe, e a artista plástica Sula Dray, que posteriormente produziu um desenho retratando a formação observada. O próprio Daniel Azulay também fez uma ilustração baseada na lembrança do episódio.


Daniel Azulay afirmou ter observado o fenômeno enquanto viajava pelo Paraná com a equipe da Turma do Lambe-Lambe | Arquivo 


Ilustração produzida por Daniel Azulay representa a formação observada próximo a Cascavel | Arquivo 


A artista plástica Sula Dray, integrante da equipe da Turma do Lambe-Lambe, também registrou em desenho o fenômeno observado | Arquivo

O Fusca branco visto da janela do ônibus

Enquanto observavam o céu, os integrantes do ônibus perceberam um Fusca branco parado às margens da rodovia, com as portas abertas e duas pessoas do lado de fora olhando para o alto. Segundo o apresentador, um feixe de luz teria incidido sobre o veículo.

"Era uma coisa completamente fora do comum. O Fusca estava todo amarelo, laranja e magenta."

Durante muitos anos, a identidade das duas pessoas permaneceu desconhecida. Décadas depois, Edison Boaventura localizou os ocupantes do automóvel. Eram os pastores Alcides Duque Estrada e Geraldo Matias Ferreira, que retornavam de uma viagem missionária a Foz do Iguaçu.

Em conversa com o Portal Catve.com, Alcides confirmou que os dois interromperam a viagem após perceberem um conjunto de luzes se aproximando.

"Pedi para ele parar o carro. Descemos imediatamente e começamos a observar."

Segundo o pastor, os objetos apresentavam diferentes cores e pareciam estar interligados. Ele afirma que, em determinado momento, uma luz foi projetada sobre o veículo.

"Projetou um clarão sobre nós e o motor do carro parou imediatamente."

O relato coincide com a descrição feita por Daniel Azulay anos antes.


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Mais de quarenta anos depois, Alcides afirma interpretar o episódio de maneira diferente da maioria das pessoas que pesquisam o caso. Pastor jubilado da Igreja Presbiteriana Independente, ele acredita que a experiência teve significado espiritual.

"Eu particularmente entendi diferente de todos os que viram os óvnis. Eu diria carruagem celeste."

Segundo ele, a experiência marcou profundamente sua trajetória religiosa. O pastor afirma que, pouco tempo depois do episódio, deixou o trabalho que realizava no interior do Paraná para assumir uma missão no litoral do estado e, posteriormente, atuar na Ilha da Madeira, em Portugal.

"Para mim, não foi apenas um avistamento comum."

Já o pastor Geraldo Matias Ferreira também voltou a comentar o caso em depoimento gravado anos depois a Edison Boaventura. Ele relatou ter sentido calor quando o feixe de luz iluminou o veículo.

"Era uma luz impressionante."

Segundo Geraldo, o clarão iluminou toda a região e permitiu enxergar nitidamente o ônibus onde estava a equipe de Daniel Azulay.

O caso repercutiu em todo o país

Segundo Boaventura, o episódio ganhou destaque na imprensa logo nos dias seguintes. Recortes de jornais apresentados pelo pesquisador mostram manchetes publicadas em veículos paranaenses relatando o avistamento.

Além dos jornais, o pesquisador afirma que autoridades políticas também relataram avistamentos naquela mesma noite.

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Quarenta e três anos depois, a resposta para o que aconteceu naquela noite ainda não existe. Permanecem, porém, os registros deixados pelo tempo: manchetes de jornais, desenhos feitos por quem afirma ter presenciado a cena, entrevistas, fotografias e o testemunho de pessoas que, mesmo separadas por quilômetros, descreveram acontecimentos semelhantes, são um conjunto de evidências históricas que mantém o caso vivo na memória da ufologia brasileira.

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Amanda Flores sob supervisão de Alexandra Oliveira | Catve.com

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