Cotidiano

Jornal O Paraná completa 50 anos nesta sexta-feira (15)

Primeiro exemplar circulou em maio de 1976 e edição histórica será reeditada neste aniversário


15 de maio de 1976, um domingo que Cascavel testemunhou o nascimento de um novo veículo de comunicação na região, o Jornal O Paraná.

Uma solenidade festiva que foi prestigiada por lideranças locais e estaduais. Sob a direção do empresário Jacy Scanagatta, que seis meses depois foi eleito prefeito de Cascavel e ainda deputado federal constituinte nos anos 80. Leopoldo Sefrin foi o primeiro editor-chefe.

Os amigos também prestigiaram a inauguração, como o jovem empresário Assis Gurgacz, eleito vice-prefeito na chapa encabeçada por Jacy. A foto de capa mostra a fita inaugural sendo cortada pelo secretário de Saúde do Paraná na época, Arnaldo Busato, representando o governador Jayme Canet Júnior, e o casal Fiorelo e Mística Scanagatta, pais do futuro prefeito. Ao longo das décadas, o jornal passou pelas mãos de importantes lideranças da comunicação regional, como André Costi, que assumiu o comando em sociedade com Emir Sfair, aquele mesmo que dá o nome ao anfiteatro do Centro de Eventos.

Pioneiros que acreditaram na proposta do jornal, assim como o empresário Alfredo Kaefer, que em 2007 assumiu o controle do periódico.

"É uma data histórica, emblemática, 50 anos, são meio século de história, contando história, registrando a história e também influenciando a história", disse Paulo Alexandre, editor-chefe.

Histórias contadas por uma equipe que mescla a experiência ao ritmo acelerado da tecnologia.

"Hoje é tudo muito mais reduzido, antigamente era, nossa, para montar um jornal tinha, vamos dizer, no meu setor, oito ou nove diagramadores, aí fora o pessoal da foto, do paste-up, etc, hoje em dia, um ou dois fazem o que a galera lá fazia", contou Cármen Lúcia Zimmer, diagramadora.

O Vandré, que hoje é repórter, viveu a transição toda. Entrou no Paraná com 16 anos de idade, lá no início dos anos 90.

A função dele, arquivista das fotos, que ilustram as páginas. Na época, tinha que separar e catalogar uma a uma.

"Eu sou da época da máquina da telegrafia, do tempo da lauda, do tempo que a fotografia era revelada em laboratório. Hoje a gente vive uma realidade totalmente distinta, nós estamos na era da tecnologia, a informação chega muito mais rápido e naquela época nós tínhamos um trato mais cadenciado, vamos dizer assim, mas a essência do jornalismo não muda, a apuração dos fatos, buscar a notícia com credibilidade e imparcialidade sempre", relatou o repórter.

Até as entrevistas eram diferentes.

"Hoje tem o WhatsApp, você consegue uma entrevista pelo WhatsApp, mas naquela época não, naquela época a gente tinha que se programar, pegava o motorista, o carro do jornal, ia até o local entrevistar. Demorava muito mais para você construir uma pauta. Só que hoje a diferença em relação ao impresso do digital é gritante porque no impresso você consegue apurar mais informação, lapidar mais informação, trabalhar mais com a notícia e hoje o digital, a informação tem que ser em tempo real, tem que ser muito mais rápida", falou Vandré.

A inauguração foi em 15 de maio, mas o primeiro jornal mesmo circulou no dia seguinte ao preço de três cruzeiros, ou alguns centavos de real na cotação de hoje, e a capa daquele dia será resgatada meio século depois.

"Resgatar essa primeira edição do dia 16 de maio de 1976, tudo aconteceu no dia 15, mas o jornal contou a história no outro dia, é assim que nós trabalhamos, nós contamos a história de hoje, amanhã com mais profundidade, com mais exatidão, e a decisão da direção foi presentear, não apenas os nossos leitores e assinantes, mas a própria sociedade de Cascavel resgatando aquele dia que também foi histórico", relatou Paulo.

Mas quais eram as notícias daquele outono de 1976? Bem, a cidade tinha pouco mais de 163 mil habitantes e já passava dos 57 mil eleitores.

A agricultura já se mostrava forte, nosso aeroporto ficava na região do atual Centro Cívico e no terreno, onde hoje está a moderna estação de embarque e a pista de asfalto, era um campo aberto, que segundo a manchete, era invadido pelas máquinas da prefeitura.

Recentemente foi reinaugurada a rodoviária, primeira grande reforma desde a sua construção, concluída em 1987. Mas 11 anos antes, o terminal era o antigo, localizado nas proximidades da Carlos Gomes, e a reportagem mostra que a situação não era nada agradável na época. E do passado, vem a informação de que o comportamento do cascavelense no trânsito sempre foi duvidoso.

Na capa daquele 16 de maio, tem o registro de como ficaram um Opala e um Dodge após um acidente que deixou cinco pessoas feridas. A batida foi no cruzamento das ruas Carlos de Carvalho e Curitiba, região hoje ocupada por várias clínicas e hospitais.

O trânsito era a responsabilidade do Estado, e a cobrança por melhorias recaía sobre a Ciretran e a Polícia Militar, que anunciavam a instalação de um radar, segundo a publicação, moderno.

Do papel para as telas, o Paraná registrou a vida de uma cidade que simplesmente dobrou de tamanho.

Nós temos hoje, na palma da mão, acesso a qualquer informação do mundo todo, mas na região ainda é forte o jornal impresso. O Jornal Paraná chega aos 50 anos com uma tiragem de 10 mil exemplares por dia.

"O mundo digital veio para ficar e isso é indiscutível, mas também é indiscutível que o jornal é um documento, um documento imutável. Então o jornal, ao contrário do que se diz, ele ainda tem uma vida, não sei se muito longa, mas uma vida longa. Em Cascavel e na região Oeste, onde nós circulamos em mais de 30, quase 40 municípios, nós temos os nossos leitores fiéis, aqueles que interagem com o jornal, que ligam para a redação, até enviam cartas, é interessante isso. Nós ainda recebemos cartas dos nossos leitores", afirmou o editor-chefe.

O barulho todo do parque gráfico continuará por algum tempo. As informações ganham cores nas bobinas gigantes de papel-jornal, mas também caminham lado a lado com a tecnologia e as novidades virtuais, que projetam o Paraná para mais 50 anos.

"A gente está ampliando um pouquinho a equipe, chegando o Zé Roberto aqui para nos auxiliar, para trazer um dinamismo um pouco maior no ambiente digital, com áudio, com vídeo. Então a gente continua evoluindo, continua estudando, continua crescendo, sempre para trazer a informação com exatidão, com credibilidade, que é a grande marca do Jornal Paraná", concluiu Paulo.


Reportagem de Leandro Souza | EPC - ESPORTE, POLÍTICA E CIDADANIA

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