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Golpe já denunciado anos atrás volta a fazer vítimas no Oeste do Paraná

Mulheres relatam prejuízos após negociações com venda de semijoias


Esquema de golpe envolve a assinatura de notas promissórias e cobranças judiciais que aparecem meses ou até anos depois é investigado na região Oeste do Praná. As vítimas alegam que não ficaram devendo nada.

Elza Souza é cabeleireira e empresária em Marechal Cândido Rondon. Ela conta que recebeu um vendedor no salão e aceitou ficar com um mostruário de semijoias sem compromisso.

"Ele disse ‘a senhora fica com o estojo em consignação. Se a senhora vender, 30% é seu e 70% é meu. Se não vender, a amizade é a mesma, tudo bem, eu levo o estojo e pronto.’ Então ele deixou aquelas peças, e eu assinei aquele papel. Não tinha valor, não tinha nada especificado, não existia nada ali. No final dos 45 dias, ele retornou. Pegou o estojo, contou e viu que eu não tinha vendido nada", contou a cabeleireira.

Mas, mais de um ano depois, ela foi surpreendida com uma cobrança judicial.

"Uma dívida, inclusive, impagável, porque ele está cobrando o estojo inteiro de mim", disse a mulher.

Com Rita Dambros Mielitz, foi diferente. A situação com o empresário de semijoias começou com uma amizade de mais de 10 anos. Durante a pandemia, sem emprego, ela aceitou trabalhar com ele e foi convidada para ser coordenadora das revendedoras.

"Cada vendedora assinava uma promissória em branco, assim como eu também assinei uma única promissória em branco para ele. Depois de 30 ou 40 dias, eu passava e recolhia o que não era vendido, ela acertava o que vendia, e ele vinha até a minha casa para receber. Ele disse que, ao cadastrar uma vendedora, eu deveria observar a casa dela, para saber se tinha imóveis, carro", contou Rita.

O problema começou quando ela parou de trabalhar com ele. A amizade acabou e começaram os processos na Justiça.

"Quando a gente encerrou, teve uma das vendedoras que ficou devendo cerca de R$ 2 mil. Eu tenho áudios comprovando. Ele cobrou de mim esse valor, mas, na época, eu não tinha condições de pagar. Entreguei a promissória para ele, e ele disse que iria atrás dela. Depois voltou dizendo que ela não tinha nada no nome e que, por isso, estava me cobrando. Eu disse que a dívida não era minha. Ele sumiu. Em 2024, recebi uma oficial de Justiça em casa: eu estava sendo processada com uma promissória de R$ 37 mil. E eu não fiquei devendo nada", relatou a mulher.

A terceira vítima que conversou com a nossa equipe optou por não se identificar. Ela contou que começou a vender semijoias sem compromisso, para tentar uma renda extra.

"O caso ainda está na Justiça. Estou tentando não perder minha casa, que é o meu único bem. Sou diarista e, há 10 anos, construo minha casa aos poucos. Nem terminei ainda. Ele conseguiu evitar que fosse a leilão naquela época, mas o processo continua", disse a vítima.

O caso não é isolado. Outras pessoas, a maioria mulheres, relatam o mesmo tipo de abordagem.

"Muitas vezes elas assinaram notas promissórias, e ele, ao fazer o acerto, não devolvia os documentos. Dizia que, quando chegasse em casa, iria rasgar, que podiam confiar nele. Falava bem e acabava convencendo as pessoas a não exigirem a devolução da promissória", falou o advogado Ilmar Alba.

Casos semelhantes já haviam sido denunciados em 2023 na Delegacia de Cascavel. Agora, novas denúncias indicam que o esquema continua fazendo vítimas na região Oeste do Paraná.

"Verificando o sistema de processo judicial eletrônico, foi constatado que esse mesmo cidadão tem mais de 500 ações contra várias pessoas, a maioria mulheres, com a mesma situação. Só em 2025 e 2026, foram 150 novas ações", disse o advogado.

Em conversa com o Ministério Público, foi informado que, por se tratar de processos particulares, não há intervenção do órgão, que só atuará se houver comunicação de delito contra o suposto golpista.

Dessa forma, a Catve entrou em contato com o Tribunal de Justiça para solicitar mais informações sobre o andamento do caso. Em resposta, foi informado que 11 processos envolvendo cartas precatórias em nome do homem foram arquivados. Outros três estão em andamento, porém o órgão não comenta processos ou decisões.

Confira mais detalhes no vídeo:


Reportagem de Diego Hellstrom | EPC - ESPORTE, POLÍTICA E CIDADANIA

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