Vendo as máquinas em operação e o pessoal trabalhando em obras na região de Cascavel, não dá para acreditar que toda essa movimentação corre risco.
O problema são os reajustes financeiros pedidos pelas empresas, que, por sua vez, já estão pagando mais caro pelos insumos, como o pó de pedra e as pedras usadas, por exemplo, na pavimentação.
Só em março, esses produtos tiveram um aumento de 12% e a previsão é que agora, em abril, o valor possa subir pelo menos mais 10%.
"A pedra propriamente não aumentou, o que aumentou foi o custo para extraí-la. Então há o explosivo, que precisa de transporte, há também as substâncias usadas para extração, além das máquinas que utilizam derivados de petróleo, no caso o óleo diesel, que também aumentou. Só no diesel nós tivemos um aumento de quase 25% nos últimos 40, 50 dias", explicou o secretário de Obras de Cascavel.
O aumento dos combustíveis, principalmente do óleo diesel, com a guerra envolvendo países como Irã, Iraque, Líbano e também os Estados Unidos, continua mexendo com os preços e está provocando mais custos na extração dos materiais e na movimentação, que dependem principalmente do diesel.
"Com certeza a gente vai ter que repassar, o asfalto vai ficar um pouco mais caro. Areia, óleo diesel para extrair no porto, transporte de Guaíra para cá, é tudo feito via caminhão, pelo modal rodoviário, então aumentou. Tivemos dois aumentos também dentro deste ano", disse Nelso Dalmina, dono de pedreira.
Além da extração, o que também impacta o preço é o número de obras em andamento liberadas pelo Governo do Estado para todos os municípios, somado à chegada das concessionárias das rodovias, que precisam dos mesmos materiais para a manutenção da malha viária, e aí entra a lei da procura e da oferta.
Entre obras já em andamento, obras em início e também aquelas licitações que estão previstas, Cascavel, sozinha, tem cerca de R$ 500 milhões em andamento.
O problema é que, com a majoração dos produtos e insumos, esse valor pode subir em pelo menos mais R$ 50 milhões. Por isso, esses valores estão sendo analisados agora pelo setor jurídico e também pelo setor administrativo da prefeitura, para saber se vale a pena dar andamento a tudo isso.
"Nós estamos observando, estamos acompanhando e cada contrato vai ser analisado pelo nosso departamento jurídico e técnico para que a gente possa não parar a obra e também fazer o realinhamento de preço em cima daquilo que diz a lei", disse o secretário.
Confira mais detalhes no vídeo:
Reportagem de João Carlos del Rios | EPC - ESPORTE, POLÍTICA E CIDADANIA
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