Cotidiano

Protetor de animais vive sem água há dois anos após corte por falta de pagamento

Situação precária mobiliza apoio de voluntários em Cascavel


Uma telespectadora da Catve entrou em contato com o programa EPC relatando a história de um rapaz que vive no bairro São Cristóvão e que, por muito tempo, se dedicou à causa animal, mas agora é ele quem precisa de ajuda.

A casa, localizada na Rua Paranaguá, é herança da mãe de Márcio Henrique Reis, que morreu há dois anos. No local funciona a Associação Paranaense Protetora de Animais, fundada em 2011, que já chegou a abrigar 230 cães. Atualmente, possui 10.

"Eu tinha ajuda da prefeitura, através do Ministério Público, até novembro do ano passado. E agora estou sem ajuda do poder público e dependendo de amigos", contou Márcio Henrique.

A situação no local é deplorável. O odor já é sentido no meio da rua. A condição é insalubre: falta d’água, grande quantidade de larvas e dejetos de animais espalhados por todos os lados.

No ano passado, o município esteve no local com o Ministério Público, quando havia 46 cães. Márcio ficou com 10 animais.

Carmen faz parte de um grupo de voluntários que ajuda como pode, com material de higiene e alimento para Márcio, além de ração, vacinas e medicamentos para os cães.

"Com falta de água, de comida para ele, de medicamento, porque o Márcio tem sérios problemas de saúde", disse a amiga Maria del Carmen de Araújo.

Um grande vazamento e várias contas não pagas geraram uma dívida elevada e, consequentemente, o corte do abastecimento de água em 2024.

Depois que a água foi cortada, a prefeitura informou que manteria o fornecimento e fez isso até dezembro do ano passado com um caminhão-pipa, mas essa ajuda também terminou após o acordo com o Ministério Público.

Desde então, Márcio vive sem renda, sem auxílio, sem água e com dificuldades para se alimentar e manter os cães.

"A gente quer água para fazer um mutirão de limpeza, deixar o Márcio pelo menos em um lugar limpo, com saúde, tanto para ele quanto para os animais. Precisamos de ração para os animais", afirmou o protetor.

O setor de bem-estar animal informou que "a distribuição da ração é mediante o cadastro formal junto ao Protocolo Geral do Município (Banco de Ração).

Após a formalização da solicitação, será programada uma visita técnica no endereço informado, a fim de que a equipe responsável possa avaliar as condições apresentadas e verificar a viabilidade do atendimento, conforme os critérios estabelecidos pelo decreto.

Informamos ainda que poderão ser atendidos, conforme análise técnica, os seguintes públicos:

Protetores independentes devidamente cadastrados junto à Prefeitura de Cascavel;

ONGs - organizações da sociedade civil constituídas e cadastradas junto à Prefeitura de Cascavel;

- Pessoas portadoras de transtorno de acumulação de animais, conforme avaliação da equipe técnica do setor de Bem-Estar Animal quanto à necessidade de recebimento de ração;

Famílias em condição de vulnerabilidade social que possuam animais, conforme avaliação da equipe técnica do setor de Bem-Estar Animal quanto à necessidade de recebimento de ração.

O atendimento está condicionado ao cumprimento dos requisitos vigentes e à disponibilidade de estoque, uma vez que este não deve ser a única fonte de alimentação.

O programa Banco de Ração já disponibilizou mais de 47 toneladas de ração aos cadastrados.

Sobre a questão social, a equipe do Cras irá ao local para um atendimento ao cidadão."

O Ministério Público do Paraná também afirmou que "Não houve acordo, com participação do MPPR, sobre valores devidos à Sanepar — tampouco haveria possibilidade de a instituição atuar nesse tipo de situação, que é de natureza particular. O acordo se restringia à destinação dos mais de 70 animais que haviam ali e auxílio da Secretaria de Meio Ambiente, limitando ao número de 10 a residir no local, que é o número atual, ao que tudo indica. No mais, o que ocorreu foi o auxílio da Prefeitura por um tempo determinado, com o envio de caminhões-pipa, em razão do número elevado de cães na residência.

Em Cascavel, denúncias de maus-tratos a animais podem ser encaminhadas à 9ª Promotoria de Justiça da comarca, e questões relacionadas a condições subumanas podem ser direcionadas à 12ª Promotoria de Justiça da comarca."

Já em relação a Sanepar, em nota, "a Companhia de Saneamento do Paraná ( Sanepar) disponibiliza a todos os seus clientes um grande programa de renegociação de dívidas, com descontos e parcelamentos. No caso da Associação Paranaense Protetora dos Animais, a Sanepar continua disponível para encontrar a melhor forma para a entidade resolver as pendências."

Enquanto espera por ações do poder público, qualquer ajuda é bem-vinda. Os contatos são da Carmen, no telefone 99915-6943, e da Mari, no telefone 99923-8251.


Reportagem de Patrícia Cabral | EPC - ESPORTE, POLÍTICA E CIDADANIA

** Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para a equipe Portal CATVE.com pelo WhatsApp (45) 99982-0352 ou entre em contato pelo (45) 3301-2642

Mais lidas de Cotidiano
Últimas notícias de Cotidiano