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Confira imagens reais do acidente com Césio-137

Caso ocorrido em 1987, em Goiânia, deixou mortos e centenas de contaminados


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Um brilho azul chamou a atenção, despertou curiosidade e acabou se transformando em uma das maiores tragédias radiológicas do mundo. O acidente com o Césio-137, ocorrido em setembro de 1987, em Goiânia (GO), voltou ao debate público após o lançamento de uma série da Netflix que reacende a memória sobre o caso.

Tudo começou quando um aparelho de radioterapia abandonado, que ficava em uma clínica desativada, foi violado. Dentro dele havia uma cápsula com material altamente radioativo: o Césio-137. Ao ser aberto, o conteúdo, um pó azul brilhante, foi retirado e manuseado sem qualquer proteção.



Sem saber do perigo, o material foi levado para um ferro-velho e acabou sendo distribuído entre familiares e amigos. Fragmentos foram parar dentro de casas, em objetos e até manipulados como se fossem algo inofensivo.

Com o passar dos dias, começaram a surgir os primeiros sinais de contaminação, como náuseas, vômitos, tonturas e lesões na pele semelhantes a queimaduras. A gravidade só foi descoberta quando o material chegou à Vigilância Sanitária, que identificou a radiação e acionou um grande plano de emergência.

Como a tragédia se espalhou

Ao todo, mais de 112 mil pessoas foram monitoradas. Destas, 249 apresentaram algum nível de contaminação. Parte precisou de acompanhamento médico contínuo e casos mais graves exigiram internação.

A exposição ao material causou efeitos severos, como falência da medula óssea, lesões cutâneas e a chamada Síndrome Aguda da Radiação. Quatro pessoas morreram semanas após o contato direto com a substância.

 


O tratamento e o isolamento

Os pacientes foram isolados em áreas controladas no Hospital Geral de Goiânia. Equipes médicas adotaram protocolos internacionais, com técnicas rigorosas de descontaminação, uso de medicamentos e monitoramento constante.

Entre os métodos utilizados estavam banhos especiais, substâncias químicas para remoção da radiação e o uso do chamado "Azul da Prússia", medicamento que ajuda a eliminar o material radioativo do organismo.

 

Os impactos que duram até hoje

O acidente gerou cerca de 3.500 metros cúbicos de lixo radioativo, que precisaram ser armazenados em local controlado. Além disso, vítimas seguem sendo acompanhadas até hoje por conta das consequências da exposição.

A tragédia também deixou um legado científico e de alerta sobre o risco do manuseio inadequado de materiais radioativos e a importância da fiscalização no uso dessas tecnologias.

 

Por que o caso voltou à tona

Décadas depois, o acidente com o Césio-137 volta a chamar atenção com a repercussão de produções audiovisuais. A história, marcada por dor, desconhecimento e falhas, segue sendo lembrada como um dos episódios mais graves envolvendo radiação fora de usinas nucleares.

Mais do que relembrar o passado, o caso serve como alerta. Um simples objeto abandonado foi suficiente para desencadear uma tragédia que afetou centenas de vidas e cujas consequências atravessam gerações.


Gabi Lira | Catve.com

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