O número de jovens envolvidos no tráfico e em outros crimes aumentou de 2024 para 2025. Neste ano, mais de 40 já foram detidos pela polícia. Os dados preocupam. O Jornal da Catve conversou com um desses adolescentes sobre o impacto das medidas socioeducativas para que eles não voltem a cometer atos infracionais.
Em 2025, este adolescente, de 17 anos, entrou por um caminho que o afastou da família e da cidade onde mora. A promessa era de dinheiro fácil. Mas uma denúncia o levou para a delegacia.
"Meus amigos sempre me falavam que era pra fazer isso que eu ia fazer dinheiro, mas na minha cabeça eu ia só fazer dinheiro, nunca pensei que ia chegar a cair preso sabe", explica o adolescente.
A história deste jovem é mais uma no dia a dia da polícia. O aumento das apreensões de adolescentes em Cascavel entre 2024 e 2025 acende um alerta.
Em 2024, foram 230 apreensões. Em 2025, o número subiu para 293, um aumento de 27%. Nos primeiros 53 dias de 2026, 42 menores de 18 anos foram apreendidos pela Polícia Militar.
Muitos registros são por furto e tráfico de drogas. Segundo a Polícia, há muitas situações de aliciamento e corrupção de menores. Adultos utilizam adolescentes para assumir ou cometer crimes.
Isso porque, segundo a Constituição e o Código Penal, menores de 18 anos são considerados penalmente inimputáveis. As condutas cometidas não são chamadas de crimes, mas de atos infracionais. Em vez de prisão, são aplicadas medidas socioeducativas.
A Casa de Semiliberdade, em Cascavel, é um dos locais para onde vão jovens como este. Aqui, o objetivo é que eles não voltem para o crime. Segundo o diretor da casa, cerca de 60% não retornam à prática de atos infracionais.
Além da Casa de Semiliberdade, as unidades Cense I e Cense II, em Cascavel, também acolhem adolescentes que receberam medidas socioeducativas.
Nos casos em que os atos infracionais são considerados mais leves, as medidas não restringem a liberdade. Pode ser determinada a prestação de serviços à comunidade. Além disso, outras áreas também são trabalhadas com os adolescentes.
Entre ocorrências policiais e medidas socioeducativas, existem histórias que ainda podem ser reescritas.
"Eu espero sair daqui de cabeça erguida", explica o adolescente apreendido.
O objetivo desses lugares é socioeducar para evitar que esses jovens continuem no crime. Os locais atuam com equipe multidisciplinar, atividades religiosas e voluntárias, como práticas de esportes, trabalhos que envolvem cultura, educação e qualificação profissional que muitas vezes esbarram em outras áreas como o mercado de trabalho.
A promotora de justiça, Larissa Batistin, explica que muitas vezes esses jovens acabam voltando para o crime por conta do ambiente que cerca ele, principalmente se for um ambiente que o crime floresce. Ainda segundo a promotora, há uma grande defasagem na área dos agentes.
Confira os detalhes no vídeo:
Reportagem por Isabela de Oliveira | Jornal da Catve