Cascavel

Hoje é o grande dia da inauguração do Teatro Municipal de Cascavel

Para a grande noite nada menos que a apresentação do Ballet Bolshoi

10/04/2015 12h45 | Atualizado em 10/04/2015 12h55
Esse jovens são resultado de um trabalho cultural e social que se instalou há 15 anos no Brasil. Que chegou cheio de pompa. O país foi o escolhido para ser o único que possui uma filial do Ballet Bolshoi.

O nome denuncia a procedência. O teatro Bolshoi é originário da Rússia e é considerado uma das principais companhias de ballet e ópera do mundo, uma tradição de séculos. "Funciona nos mesmo moldes que há 238 anos começou na Rússia".

A Escola de Teatro Bolshoi Brasil fica em Joinville/SC, é de lá que saíram os talentos que vão abrilhantar a inauguração do Teatro Municipal de Cascavel. A função da instituição é formar artistas cidadãos, e para isso eles fazem seletivas no país inteiro em busca de potenciais alunos.

Foi lá na Paraíba que eles encontraram a Maria Luiza, essa pequenininha de sotaque característico que nem sabia o que era o Bolshoi. "Foi através da minha professora de ballet que me contou como era a Escola e eu resolvi fazer".

Além de ensino os escolhidos recebem tudo o que precisam de graça, de alimentação a assistência médica, a única exceção é a moradia, a dança é um complemento, mas levado bem a sério. As apresentações são realizadas com uma mistura de formados da Escola e que já fazem parte do ballet, e alunos como Pedro, que foi selecionado em Londrina. "É muito gratificante, sempre tive vontade de ter mais contato com o mundo da dança, e no Bolshoi tenho isso".

As apresentações exigem muito treino, pelo menos uma hora e meia por dia. Aqui é a parte de preparo físico e repetição de movimentos. Os corpos magrinhos precisam ser fortes. A condução é feita por uma professora russa.

E aí, como faz pra se entender? É fácil! A linguagem da dança é universal. "Vai pela mímica, a troca de olhar, e assim flui". Depois do aquecimento vem o figurino, para que o ensaio seja fiel ao espetáculo. Roupas, acessórios e maquiagem para inserir o público na história que será contada.

Aliás, o Bolshoi Brasil está em cartaz em Cascavel com o espetáculo grande suíte do ballet Dom Quixote, uma daquelas histórias de amor em que o cupido acerta o alvo errado. "No primeiro ato o cupido acerta a flecha no Dom Quixote e ele acaba se apaixonando por uma moça super conhecida pelo bairro, mas ela é apaixonada por um barbeiro, e depois dessa confusão ele explica que a amada dele é outra, a rainha do segundo ato, e no terceiro ato vem a bênção do casamento".

Agora é a hora. É o último ensaio antes das apresentações, o momento da adaptação ao palco para encantar a plateia. As cadeiras quase todas vazias, quase porque uma escola de danças de Três Barras do Paraná conferiu o ensaio. "É uma experiência muito boa".

Os visitantes viram as marcações, as orientações, para que tudo saia dentro dos conformes quando for pra valer. "Agora é concentração, um momento de preparação para a apresentação".

Ação. Uma prévia do que os mais de 800 expectadores irão conferir hoje, começa assim que abrirem as cortinas.

O palco ganha cor, luz, animação, e aí a gente entende porque tanto preparo físico. Movimentos rápidos se misturam a leveza que é o fio condutor para os passos. São peculiaridades do método russo chamado vaganova, trazido para cá respeitando a brasilidade. "A gente trabalha com peças brasileiras e existe todo um contexto social, artístico diferente".

Os 90 jovens se dividem em atos e sem nenhuma palavra contam a história somente com as encenações, e o final dela o público que ocupar as cadeiras vai saber. Mais algumas horas de expectativa para as cortinas serem abertas oficialmente. São mais de 20 anos de espera e os bailarinos sabem a importância disso. "Os aplausos, a emoção que a gente consegue passar para o público é o que vale para a gente".

Jornal da Catve 1ª Edição