Cotidiano

Entenda o que é e quais são os riscos do hidrogel

O caso chamou atenção novamente para o risco de procedimentos estéticos invasivos


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O polimetilmetacrilato, conhecido pela sigla PMMA, é um produto composto por microesferas de um material similar ao plástico. A substância pode ser usada para procedimentos estéticos como o preenchimento corporal. Este é um dos produtos que foram aplicados nas pernas da modelo Andressa Urach em 2009, junto com o hidrogel, para aumentar o volume das coxas. Por complicações, Andressa está internada em estado grave e respira por ajuda de aparelhos. O caso chamou atenção novamente para o risco de procedimentos estéticos invasivos. Mas você sabe o que é o hidrogel e quais são os seus riscos? Confira abaixo o que dizem os especialistas. O que é hidrogel? O principal ativo da substância é a poliacrilamida hidrogel, que gera seu nome popular. Segundo Denise Steiner, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o hidrogel tem esse nome devido à característica do produto em forma de gel com a presença de muita água. No entanto, a substância do preenchimento é a poliacrilamida. "Esse produto não é proibido, ele é aprovado Anvisa", segundo Denise. É permitido preenchimento tanto de face, como de corpo e só médicos podem realizar o procedimento. Sobre o caso da modelo, a dermatologista explica que Andressa teria feito uma bioplastia e aplicado polimetilmetacrilato (PMMA, conhecido comercialmente como metacril), que é uma substância com grande apelo comercial e "muita gente faz porque é um material definitivo". "É muito mais provável que esta complicação tenha acontecido pelo PMMA. Este produto não é recomendado hoje em dia por ser definitivo, ele gera a possibilidade de ter complicações de vários tipos, tanto alérgicas quanto infecciosas", completa a médica. Já a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) não reconhece procedimento e afirma que não existe literatura científica que corrobore segurança produto, explica o médico Luis Henrique Ishida, representante da entidade. De acordo com a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), o produto é registrado sob o nome de Gel Hidrofílico Aqualift e tem as seguintes indicações de uso: o modelo facial 2% de baixa viscosidade se aplica à eliminação de alterações faciais e específicas da idade e eliminação da assimetria de tecidos moles faciais. Já o modelo corporal 4% de alta viscosidade é utilizado para aumento de tecidos moles e correção de diversas partes do corpo. Vale ressaltar que o texto das instruções indica que o uso do produto deve ser realizado por cirurgião plástico e a rotulagem indica que "uso somente com indicação e supervisão médica". Segundo a Anvisa, desde março deste ano, o produto se encontra em situação irregular quanto à renovação de registro, pois a empresa responsável não apresentou a documentação necessária. Até ser regularizado, não deve ser comercializado. Qual é a quantidade ideal para aplicação da substância? O hidrogel tem a aprovação legal para ser aplicado no corpo. Mas de acordo com a SBD não há uma prática difundida de fazer aplicações em grandes quantidades no corpo. "Quanto maior a quantidade, maior o perigo de que o gel entre em vasos sanguíneos, correndo risco de haver entupimento dos vasos", acrescenta Denise Steiner. Também não existem trabalhos científicos suficientes que tenham feito o acompanhamento de pessoas com grande quantidade do produto no corpo. Ainda não se sabe com certeza o perigo que isso pode gerar. Para a dermatologista, é completamente diferente de se fazer em pequenas regiões da face, na ruga, no sulco. Quais são os riscos da aplicação do hidrogel? Segundo a especialista, existem duas complicações principais que podem ocorrer com preenchimentos. "Uma seria uma complicação alérgica, que a gente chama de granuloma. Você aplicaria e, normalmente, esta reação é tardia, pode acontecer cerca de um ano depois que o paciente começa a apresentar caroços avermelhados ou não tão avermelhados no local da aplicação", explica Denise. Isso acontece porque o organismo cria uma alergia e não reconhece mais a substância. Esse tipo de reação é mais frequente em materiais que ficam mais tempo no organismo, como os definitivos. "Outro grande problema que pode ocorrer é o que damos o nome genérico de biofilme. Ao fazer a aplicação, muito provavelmente a substância leva bactérias com ela. Além disso, existem algumas bactérias pertencentes ao local. Pode ocorrer o agrupamento de todas estas bactérias e a criação de uma película. Isso vira o biofilme: uma nova bactéria, um novo ser que tem um comportamento diverso daquele que as bactérias teriam isoladamente e que fica ali crescendo, com um metabolismo muito lento", destaca. Isso também pode existir em relação à próteses e implantes dentários, por exemplo. A especialista explica que qualquer coisa que aconteça com o paciente, os chamados gatilhos - se ela baixar a resistência, tomar um remédio mais forte ou fizer uma outra intervenção por cima - provoca um crescimento anormal, desencadeando uma infecção que afeta o organismo inteiro. Essas bactérias são levadas pelo sangue e podem comprometer o organismo todo, com um tipo de microorganismo que não responde aos medicamentos tradicionais. Como é feita a aplicação? Normalmente é feita com agulha ou com cânula, que é como se fosse uma agulha sem ponta. O líquido acaba saindo pela lateral para evitar maiores riscos de perfuração dos vasos. As agulhas são mais usadas no rosto, mas no corpo geralmente se usam cânulas. Quem pode fazer aplicações de hidrogel? A SBD destaca que o profissional mais adequado seria o médico. "Inclusive na bula do hidrogel está especificado que somente o médico deve fazer este tipo de aplicação", ressalta. Ele deve conhecer bem anatomia e saber onde passam os vasos principais e complicações que podem ocorrer. Para Denise Steiner, a vulgarização do procedimento é séria. "Todo mundo acha que sabe fazer fácil e ganha-se muito dinheiro. Biomédicos, por exemplo, que não tem capacitação da formação médica realizam o procedimento e, muitas vezes, nem sabem o que é a substância. Isso acaba sendo confuso para o paciente, que tem aquela loucura de fazer de qualquer jeito e não sabe o que é", diz. A especialista explica que há uma série de substâncias que são mais seguras que o hidrogel e o metacril. Para Luis Henrique Ishida, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), quem escolhe o produto não deve ser o paciente. "O paciente deve ser alertado dos perigos, mas quem escolhe o produto mais adequado é o médico. A segurança para o paciente é a escolha do profissional, o profissional ético vai usar produtos com literatura mais embasada", completa.

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