Foto: Flávio Ulsenheimer /CMC
A decisão do vereador Dr. Lauri de deixar a vice-liderança do Governo na Câmara de Cascavel não surpreende quem acompanha de perto os bastidores do Legislativo. O pedido, protocolado na terça-feira (4), representa um movimento político para evitar que sua permanência na função seja utilizada como argumento durante a apuração da denúncia que tramita na Comissão de Ética.
Segundo o parlamentar, o afastamento da função busca preservar a investigação e impedir que sua posição na liderança do Governo seja interpretada como qualquer tipo de influência sobre os trabalhos da comissão.
CONFLITO
O episódio é consequência de uma relação que, há muito tempo, deixou de ser apenas política. Desde o início desta Legislatura, as sessões da Câmara foram marcadas por sucessivas trocas de acusações entre Dr. Lauri e o vereador Fão do Bolsonaro. O embate, que começou no campo das divergências políticas, ganhou contornos pessoais e acabou extrapolando os limites do plenário.
O resultado foi previsível: a rivalidade transformou-se em denúncia formal. Agora, cabe exclusivamente à Comissão de Ética analisar os fatos, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa antes de qualquer conclusão.
INVESTIGAÇÃO
A representação apresentada contra Dr. Lauri aponta o suposto uso de um assessor parlamentar na prestação de serviços particulares durante uma reforma residencial. A acusação será objeto de apuração pela Comissão de Ética, que deverá verificar se houve, ou não, irregularidade na conduta do vereador.
Até que o processo seja concluído, qualquer juízo definitivo será precipitado. O momento exige respeito ao devido processo legal e às conclusões que serão produzidas pela comissão.
BASTIDORES
Quem acompanha o dia a dia da Câmara de Cascavel dificilmente pode dizer que esse desfecho era inesperado. As constantes provocações entre os dois vereadores indicavam que, cedo ou tarde, o conflito sairia do campo político para ganhar um capítulo institucional.
E é justamente aí que mora o problema. Quando disputas pessoais passam a ocupar o espaço que deveria ser destinado ao debate de projetos, à fiscalização e à defesa dos interesses da população, o Legislativo perde o foco. O plenário deixa de ser palco de boas ideias para se transformar em uma arena de confrontos.
No fim das contas, a saída de Dr. Lauri da vice-liderança não encerra a crise. Apenas demonstra que, quando a política é contaminada por disputas particulares, quem acaba pagando a conta é a própria imagem da Câmara Municipal perante a sociedade.
texto Luiz Nardelli
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