Política

Corrida eleitoral começa com incertezas e excesso de vaidade - por Luiz Nardelli


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Nesta pré-temporada, que mais parece um amistoso sem juiz, sem regras e com muitos jogadores querendo aparecer, os pré-candidatos ensaiam suas candidaturas como quem testa figurino antes do desfile. Servem? Talvez. Convencem? Nem sempre. Por enquanto, o que existe é vontade de ser, desejo de parecer e uma coleção generosa de suposições. De concreto mesmo, só a convicção dos "caciques" partidários que, como sempre, garantem tudo… até mudarem de ideia.

PARANÁ

Vejamos o Paraná, esse laboratório vivo da política criativa. Dizem, com certo suspense de novela, que o governador Ratinho Junior guardava uma "bala de prata", daquelas capazes de resolver tudo em um único disparo. Nomes foram ventilados como se fossem balões de ensaio: Alexandre Curi, Rafael Greca, Guto Silva, Beto Preto… todos desfilaram na passarela das possibilidades.

Mas eis que, no grande momento da revelação — aquele em que a plateia espera o coelho sair da cartola — surge Sandro Alex. Um nome que não estava no roteiro divulgado. Digno de série mal escrita, em que o personagem aparece no último episódio sem ter participado da história.

"BALA DE PRATA"

A tal "bala de prata", que prometia impacto e precisão, revelou-se algo mais próximo de um estilingue improvisado, disparando bolinhas de mamona. E olhe lá. Nem efeito de "bala de festim" conseguiu produzir. As pesquisas vieram depois, frias e impiedosas, como quem diz: a pólvora era só fumaça mesmo.

ENQUANTO ISSO…

Nos bastidores, o cenário é outro: um verdadeiro campeonato de "cada um por si". A corrida por vagas nos Legislativos estadual e federal virou um fervo digno de liquidação — muita gente disputando espaço, pouca estratégia coletiva e alianças que valem até a próxima curva.

Para cargos majoritários, o discurso é quase um combinado informal: "você escolhe seu candidato lá em cima, mas aqui embaixo o voto é meu". Uma espécie de "acordo branco": não assinado, não declarado, mas amplamente praticado. No fim, é cada um correndo com sua própria bandeira, ainda que finja carregar a do grupo.

HOLOFOTES

E, claro, os holofotes seguem firmes — sempre eles. Iluminando aqueles que, por coincidência nada coincidente, ocupam cargos públicos e aproveitam a vitrine institucional para ensaiar a pré-campanha. Tudo dentro do script conhecido: agendas oficiais que lembram comícios discretos, viagens que ampliam "articulações" e despesas que orbitam, convenientemente, o interesse eleitoral.

Alguns cargos, aliás, deixam de ser função pública e passam a operar como verdadeiros cofres ambulantes de visibilidade. O importante não é necessariamente o conteúdo, mas a exposição. Afinal, na política-espetáculo, aparecer ainda é, de longe, mais relevante do que explicar.

FUI!!!

"Quem vive de holofote morre no escuro."

Autor: Marçal Siqueira.

texto blog Luiz Nardelli

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