Crédito: RS/ Fotos Públicas
Em uma declaração que promete acirrar as tensões na América Latina, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite desta quinta-feira (8) que o país iniciará ataques terrestres contra cartéis de drogas no território mexicano. A fala foi dada em entrevista à Fox News.
"Nós eliminamos 97% das drogas que entram por água. E agora vamos começar a atacar por terra em relação aos cartéis", declarou Trump. O presidente justificou a medida ao afirmar que os cartéis "estão comandando o México" e são responsáveis por matar "250, 300 mil pessoas no nosso país todos os anos" devido às drogas.
A declaração ocorre em um momento de escalada militar norte-americana na região. Menos de uma semana atrás, em 3 de janeiro, forças especiais dos EUA conduziram uma operação em solo venezuelano que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, atualmente detido nos Estados Unidos.
Resposta mexicana e defesa da soberania
Horas antes da declaração de Trump, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, havia abordado o tema da cooperação em segurança com os EUA durante um discurso. Ela afirmou que o país mantém parcerias operacionais com o Comando Norte e agências americanas, mas foi enfática ao rejeitar qualquer ação unilateral.
"Não queremos lutar com os Estados Unidos", disse Sheinbaum, ao destacar a defesa intransigente da soberania nacional. Até o fechamento desta reportagem, o governo mexicano não havia se manifestado oficialmente sobre as palavras específicas de Trump anunciando os ataques terrestres.
Contexto de guerra ao narcotráfico
A ameaça representa uma expansão significativa da campanha que Trump declarou oficialmente em outubro de 2025: uma "guerra" contra os cartéis, tratados como "narcoterroristas". Até o momento, as ações americanas se concentraram em ataques navais no Mar do Caribe e no Pacífico oriental, com dezenas de embarcações suspeitas de tráfico sendo alvejadas desde setembro do ano passado.
O anúncio também segue uma série de provocações a outros líderes regionais. Recentemente, Trump acusou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de ser um narcotraficante, sugerindo que uma operação militar naquele país "soa bem". Os dois mantiveram uma conversa telefônica na quarta-feira (7), na qual, segundo Petro, discutiram a necessidade de diálogo para evitar a guerra.
Operação na Venezuela e administração transitória
A captura de Maduro marcou um ponto sem precedentes na política externa intervencionista da atual administração Trump. O governo norte-americano informou que administrará a Venezuela durante um "período de transição" e controlará suas vastas reservas de petróleo. A ação resultou em dezenas de mortes, incluindo civis e militares venezuelanos, conforme divulgado por autoridades locais.
A comunidade internacional agora observa com apreensão a possível abertura de uma nova frente de conflito direto no México, o que violaria frontalmente a soberania do país e poderia desestabilizar ainda mais a região.
Antonio Mendonça/ Catve.com/ Metrópoles
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