A jovem Ana Beatriz, de 22 anos, recebeu a aplicação da polilaminina no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, em um procedimento que transcorreu sem intercorrências. A aplicação foi realizada entre a noite de segunda-feira (16) e a madrugada desta terça-feira (17), e durou cerca de uma hora.
Segundo o neurocirurgião João Sarraf, que integrou a equipe responsável pelo procedimento, a paciente apresentou boa evolução após a cirurgia e demonstrava esperança em relação ao tratamento.
"Foi um procedimento muito tranquilo. A aplicação foi feita por volta das 23h e transcorreu tudo perfeitamente. No pós-operatório, ela estava estável, muito comunicativa e bastante esperançosa. Ela é uma paciente muito jovem, tem toda a vida pela frente. Nós torcemos muito por ela.", afirmou.

De acordo com o especialista, a aplicação é feita diretamente na região da medula espinhal atingida pelo trauma, por isso exige planejamento prévio e um centro cirúrgico equipado.
"Num termo bem genérico, é como se fosse uma injeção, mas é muito mais complexo. Temos que estudar os exames do paciente e planejar exatamente onde a substância será aplicada. É um procedimento bastante preciso", explicou.
Proteína foi desenvolvida a partir de substância natural do organismo
João Sarraf explicou que a polilaminina é derivada da laminina, proteína presente naturalmente no corpo humano.
"A laminina é uma proteína que possuímos em abundância no organismo. A doutora Tatiana conseguiu, em laboratório, polimerizar essa substância, dando uma espécie de 'turbinada', transformando-a em polilaminina", disse.
Segundo ele, a função da substância é criar condições para que os nervos lesionados possam voltar a se conectar. "A polilaminina age traçando caminhos para que a lesão provocada pelo trauma possa se reconectar."
Nem todos os pacientes podem receber o tratamento
O neurocirurgião destacou que existem critérios rigorosos para inclusão no estudo. Um dos principais é que o paciente apresente uma lesão medular completa, ou seja, ausência total de movimentos e de sensibilidade abaixo da área lesionada.
"A aplicação é feita dentro da própria medula, na região da lesão. Se o paciente ainda tiver algum movimento ou sensibilidade, ele poderia até ser prejudicado. Por isso, só são elegíveis aqueles que não apresentam nenhum tipo de resposta abaixo da lesão", explicou.
O cenário considerado ideal é que a aplicação ocorra em até 72 horas após o trauma.

Dose única e reabilitação intensiva
A polilaminina é administrada em dose única. Após a aplicação, os pacientes passam por um intenso processo de reabilitação.
"É recomendada fisioterapia intensiva, duas ou três vezes ao dia, para estimular ainda mais os neurônios a se reconectarem. É um trabalho dirigido, que busca estimular braços, pernas e tronco de diversas maneiras", explicou.
Apesar dos resultados positivos observados em outros pacientes, João Sarraf ressaltou que ainda se trata de um tratamento experimental.
"Não há como garantir prazos e nem mesmo afirmar que a substância realmente funcionará. Mas temos visto, na prática, que muitos pacientes apresentam melhora na sensibilidade e na motricidade. Pelos relatos e pelas redes sociais dos pacientes que já receberam a aplicação, os resultados têm sido bastante animadores."
Tratamento é gratuito
Outro ponto destacado pelo médico é que o procedimento não gera custos aos pacientes. A equipe responsável atua em todo o Brasil e se desloca até onde estiver o paciente que preencha os critérios necessários.
No Paraná, aplicações já foram realizadas em cidades como Foz do Iguaçu, Cascavel, Curitiba, Maringá e Londrina.
Ilsinéia Machado / Catve.com
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