Foto: Instituto Butantan/Divulgação
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV. A medida foi adotada de forma preventiva para permitir a investigação de eventos raros registrados após a aplicação da vacina.
A decisão foi tomada em consenso com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a identificação de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Entre eles, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos.
Segundo o Ministério da Saúde, os casos representam 0,008% das cerca de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio. Até o momento, não há conclusão sobre uma relação direta entre os eventos registrados e a vacinação.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a suspensão segue o princípio da precaução e permitirá que o Ministério, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem as investigações, especialmente nos casos mais graves.
A estratégia de vacinação com a Butantan-DV estava sendo aplicada em profissionais da Atenção Primária à Saúde e, de forma ampliada, em pessoas de 15 a 49 anos nas cidades de Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO). A campanha teve início em janeiro deste ano.
O Ministério destacou que a identificação de sinais de alerta faz parte dos protocolos internacionais de farmacovigilância adotados após a introdução de novas vacinas na rede pública de saúde.
Antes de ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina passou por todas as etapas de avaliação exigidas pelos órgãos reguladores, com resultados que apontaram segurança e eficácia.
A suspensão temporária foi discutida com o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e com a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (Ctai), grupos formados por representantes do Ministério da Saúde, da Anvisa e especialistas da área.
A pasta reforçou que a medida não invalida a eficácia do imunizante nem altera as evidências de proteção observadas até o momento. Pessoas já vacinadas continuam protegidas e seguem sendo acompanhadas pelos sistemas de vigilância.
A orientação é que os vacinados observem possíveis sintomas durante os 21 dias após a aplicação. Em caso de febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
As equipes de saúde também deverão reforçar o monitoramento de pacientes vacinados que apresentem sintomas de dengue, com atenção especial aos sinais de alarme e gravidade.
Apesar da suspensão da vacina, o Ministério da Saúde informou que as demais estratégias de combate à dengue permanecem em andamento. Dados da pasta apontam que, até o fim de maio, o Brasil registrou queda de 94% nos casos prováveis da doença em comparação com o mesmo período de 2024. Foram contabilizados 365 mil casos neste ano, contra 5,8 milhões no ano passado.
Em relação aos óbitos, a redução foi de 97%. Até o momento, foram registrados 178 mortes em 2026, enquanto no mesmo período de 2024 o número ultrapassou 6,3 mil.
O Ministério mantém ações de vigilância epidemiológica, controle do mosquito Aedes aegypti, campanhas de conscientização, distribuição de inseticidas e larvicidas, além da capacitação de profissionais de saúde e do monitoramento laboratorial dos sorotipos do vírus em circulação.
A população também é orientada a continuar eliminando recipientes que acumulem água parada, manter caixas d'água fechadas, limpar calhas e colaborar com o trabalho dos agentes de combate às endemias.
Agência Brasil | Catve.com
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