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Ah, nosso rico futebol - por Jorge Guirado


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Copa de 2002. Foto: Fifa

Eu não entendo nada de futebol. Sou como a maioria dos brasileiros, um metido a técnico. Afinal, dizem que somos 200 milhões de técnicos de futebol.

No entanto, sempre que posso, dou meus pitacos. A maioria dos envolvidos não gosta, mas opinião todo mundo tem a sua.

Penso que, como vendemos muitos jogadores para a Europa, e sempre muito jovens, algum gênio, dirigente de time, achou que também deveríamos europeizar nosso futebol, fazendo jogar e trazendo técnicos de lá.

De lá, vírgula. A grande maioria de Portugal, que, aliás, nunca ganhou uma Copa. Ganhou uma Euro em 2016, mas o técnico campeão nunca trabalhou aqui.

E, de lá, muitos do meio dizem que quem revolucionou a Seleção Portuguesa foi o nosso Felipão, quando esteve lá por cinco anos e meio. Nesse período, foi vice-campeão da Eurocopa e quarto lugar no Mundial.

Já nos times, o Benfica ganhou a Liga dos Campeões em 1960/61 e 61/62, e o Porto, em 86/87 e 2003/2004. Portanto, o último título foi há 22 anos.

Lembrando que o Benfica de Eusébio perdeu o Mundial de Clubes de 62 para o Santos de Pelé. Perdeu no Rio de Janeiro e em Lisboa.

Nosso futebol sempre foi vencedor e fez sucesso, despertando paixão fora daqui pelo seu jeito de ser jogado: malandragem, talento e habilidade.

Daí foram mudando. Adaptando-se ao modo europeu de jogar, usando força física, correria, cruzamentos na área e não mais habilidade e talento.

Nossos jogadores não têm a força física de um europeu, muito menos estatura. Eles são todos cintura dura. Nossa habilidade e velocidade superavam isso com facilidade.

Convocam todos os que estão na Europa e que não jogam mais à brasileira. Assim, deixam a Seleção no mesmo nível. Raras são as jogadas de habilidade, do um contra um.

Para completar, encheram nosso futebol de jogadores vindos de mercados menores, em razão dos valores pagos. Para os clubes, é melhor trazer jogadores do Paraguai, da Colômbia, até da Venezuela e da Bolívia, onde o futebol sempre foi medíocre, em vez de investir na base, na formação de atletas. Hoje, só formam para vender.

Existe time brasileiro que tem seis colombianos no elenco, e só um deles foi convocado para ser reserva na seleção daquele país. Nem lá são extra classe.

O discurso é de que o futebol mudou, o futebol está nivelado, não tem mais bobo, está tudo igual.

Sim, mas quem deixou igual?

Não seria o caso de voltar a jogar como antes? Mas como fazer, se até para a Seleção trouxemos um técnico europeu?

Sim, ele é multicampeão (Real, Milan, Chelsea, PSG, Bayern), dirigindo times europeus, disputando campeonatos europeus com equipes que sempre foram verdadeiras seleções.

Será que dá?

Aguardamos.




Texto de Jorge Guirado

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