Brasil e Japão voltam a se enfrentar pela Copa do Mundo nesta segunda-feira (29). Para um paranaense, porém, esse confronto tem um significado especial. Nascido em Maringá, Alex Santos viveu uma situação que poucos jogadores experimentaram: disputar uma Copa do Mundo contra o país onde nasceu.
O ex-lateral foi titular da seleção japonesa na partida diante do Brasil, pela fase de grupos do Mundial de 2006, na Alemanha. Antes disso, já havia defendido o Japão na Copa do Mundo de 2002, disputada em casa.

A trajetória começou longe dos grandes estádios. Aos 16 anos, Alex deixou Maringá para estudar no Japão. Diferentemente da maioria dos brasileiros que seguem diretamente para clubes de futebol, ele foi matriculado em uma escola e só depois iniciou a carreira profissional.
"Cheguei aos 16 anos para estudar, um processo bem diferente do que outros jogadores. Quando saí da escola já sabia o idioma e a cultura japonesa, e me perguntei por que não me naturalizar", relembrou em entrevista à FIFA.
Após conquistar a cidadania japonesa, no fim de 2001, veio a convocação para a seleção nacional. Poucos meses depois, disputava sua primeira Copa do Mundo.
O dia em que enfrentou o Brasil
O momento mais marcante da carreira aconteceu em 22 de junho de 2006, quando Brasil e Japão se enfrentaram em Dortmund. Do outro lado estavam nomes como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano.
Alex lembra que, apesar da emoção de enfrentar a Seleção Brasileira, a oportunidade também representava um teste para medir a força da equipe japonesa.
"Foi muito esquisito, mas ao mesmo tempo muito prazeroso. Jogadores como Ronaldinho, Ronaldo, gente que via na televisão. Era uma coisa de ver se nosso time era bom mesmo, já que íamos enfrentar os feras."
Segundo ele, a estratégia era apostar no jogo coletivo para tentar neutralizar o talento individual dos brasileiros.
"Teríamos que correr bastante como equipe para poder anulá-los. Marcávamos muito por zona, nunca no individual, porque sabíamos que poderia em algum lance alguém desequilibrar."
Dois hinos, uma escolha
Antes da bola rolar, Alex viveu outro momento inesquecível: ouvir os hinos de dois países que marcaram sua história.
Ele conta que aprendeu a cantar e respeitar o hino japonês ainda na escola e que, após a naturalização, defender o Japão tornou-se uma escolha de vida.
"Aprendi a cantar e respeitar o hino japonês no colégio. Depois que me naturalizei, ainda mais. Escolhi jogar pelas cores do país. A partir daquele momento, eu era um cidadão japonês e ia brigar com unhas e dentes."
Mesmo assim, ouvir o Hino Nacional Brasileiro trouxe uma mistura de sentimentos.
"Aí quando você ouve o hino do seu país de origem, era uma sensação tão esquisita. É igual estar na sua frente seu pai e sua mãe e ter que escolher qual você gosta mais. Não tem como."
O Brasil venceu a partida por 4 a 1, resultado que eliminou o Japão da competição.
Gabi Lira | Catve.com com FIFA
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