Os haitianos apaixonados por futebol que vivem em Cascavel não escondem o carinho pelo Brasil, mas na hora da Copa do Mundo a escolha nem sempre é simples — muitos ficam divididos entre a seleção brasileira e o Haiti.
Entre adultos e crianças, a dúvida aparece quando o assunto é torcida. Alguns chegam a "travar" quando são questionados sobre para quem vão torcer.
No Oeste do Paraná, a comunidade haitiana é expressiva. Em Cascavel, a estimativa é de mais de três mil imigrantes. E no meio dessa convivência, o futebol acaba virando também um ponto de conexão cultural.
O haitiano Cetoute, que trabalha em uma pequena loja na cidade, aceitou o desafio de encontrar no próprio comércio duas camisas: uma do Brasil e outra do Haiti. Missão cumprida. Mas, quando o assunto é coração, ele admite que a divisão é inevitável.
Outro haitiano, Dionél, chegou animado para a entrevista exibindo uma camisa do atacante Vinícius Júnior. Ele deixa claro que a admiração não é pelo clube europeu, mas pelo jogador brasileiro.
Questionado sobre o duelo entre Brasil e Haiti, ele foi um dos poucos a assumir uma posição mais direta: diz que torce pelo Haiti, mas reconhece o favoritismo da Seleção Brasileira.
A relação entre Brasil e Haiti também carrega um capítulo histórico marcante. Em 2004, a Seleção Brasileira fez um amistoso em Porto Príncipe, em um momento delicado do país caribenho, marcado por instabilidade política e social. A partida, vencida pelo Brasil por 6 a 0, ficou conhecida como o "jogo da paz" e marcou a memória dos haitianos.
Hoje, a realidade é outra. Muitos haitianos passaram a escolher o Brasil como destino de vida, o que ajuda a explicar o carinho e a identificação com o país entre os que vivem em Cascavel.
No fim, na hora do jogo, a torcida vira meio a meio — e, para muitos, o resultado em campo acaba ficando em segundo plano.
Deivid Souza / Hora do Esporte
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