Preparadores físicos falam sobre o impacto das paradas nos treinamentos

Opinião de especialistas da preparação física converge para a incerteza de datas

14 de abril de 2020 | 19h38 | Atualizado há 157 dias

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Imagine ter a responsabilidade de manter em forma um grupo de jogadores que treina e compete em alto nível durante uma temporada.

Agora imagine o período de preparação ser interrompido exatamente na sua fase final. E mais, some-se a isso, a incerteza de quando será possível voltar a colocar o trem nos trilhos e qual será a extensão da estrada a percorrer. Pois bem, a tarefa dos preparadores físicos dos times da LNF nunca esteve tão difícil como agora, fruto da consequência da epidemia do coronavírus que assombra e paralisa o planeta.

"Infelizmente o impacto do isolamento social, apesar de necessário neste momento, é grande. A especificidade do esporte exige um volume e intensidade que não estão podendo ser mantidos. Como é sabido, através de estudos científicos, em 15 a 20 dias de paralização ou diminuição das cargas, há um comprometimento fisiológico das capacidades físicas do atleta afetando sobremaneira a performance", explica João Carlos Romano, preparador do Joinville.
Praticamente todos os clubes lançaram mão das ferramentas digitais que, mesmo à distância, aproximaram quem orienta e quem é orientado a desenvolver um trabalho físico.

"Usamos um aplicativo para que eles treinassem simultaneamente, cada um em sua casa e com a comissão acompanhando. O momento é de manutenção da condição física e não de melhora da performance, até porque não tem como pensar nisso, pois poderia afetar a imunidade dos jogadores. Não queremos deixar ninguém exposto a nenhum tipo de contaminação viral. Aqui, a diretoria e comissão dão muita credibilidade para o uso de novas ferramentas e isso ajuda no convencimento do grupo a fazer o que estamos propondo", conta Mauro Sandri, preparador do Magnus e da Seleção Brasileira.

O movimento das comissões técnicas é possível perceber pelas redes sociais dos clubes. O esforço para, mesmo na dificuldade do isolamento social, manter a cabeça no lugar e o corpo em atividade é notório.

"Em virtude dessa parada, tivemos que nos readequar a tentar diminuir o destreino dos atletas. Projetamos treinos mais curtos de acordo com o material e espaço que cada atleta tem em casa. A ideia é voltar as atividades para manter força muscular, agilidade, coordenação, fortalecimento do core (musculatura do tronco) e, também, a parte aeróbia. Fizemos isso com minicircuitos e demos trabalhos específicos também para os goleiros. Ficamos acompanhando a execução dessas atividades e estamos de plantão para tirar dúvidas. Passamos orientações para o sono, boa alimentação, e que mesmo nesse período de quarentena manteremos o monitoramento. E até atividades lúdicas com a família para tentar minimizar o estresse", revela Tales Manhabosco, responsável pela preparação física do Atlântico, de Erechim.

Na ciência, estão concentradas as esperanças do mundo todo para superarmos o coronavírus. Pesquisadores, cientistas, médicos e laboratórios não medem esforços e sacrifícios para achar uma saída. Até que ela surja, a rotina de todo o planeta foi alterada. No futsal, também não foi diferente. A figura do preparador físico ganhou evidência nesse momento com a alternativa encontrada com os treinos online. O desafio é superar o impacto que esse período de quarentena irá proporcionar quando as atividades forem retomadas.

"A dimensão deste grau de comprometimento será avaliada melhor quando retornarmos aos treinos normais, o que nos possibilitará avaliar e medir os efeitos. Estamos sim, seguindo recomendações da OMS de isolamento e precauções quanto a volume e intensidade das atividades, já que estas podem atuar de forma negativa sobre a imunidade dos atletas. Como citado anteriormente, a especificidade das atividades, bem como a pouca variedade das mesmas, prejudica a performance. Portanto, estamos realizando atividades de forma a amenizar os efeitos da inatividade? explica Romano, do Joinville.
Opinião parecida a do colega do Sorocaba.

"O impacto é imensurável porque não sabemos qual período ficaremos sem atividade. Acreditamos que quando passar esse período, deveremos ter um tempo pequeno de preparação antes de iniciar de forma efetiva os jogos. A gente acredita que a redução da condição física, técnica e tática dos atletas vai ser gigante e só aumenta com o passar de cada semana", completa Sandri, do Sorocaba.

"A preparação física, assim como várias outras áreas da saúde que compõe uma comissão técnica, que trabalha com dados, números, e valências, que servem de suporte para que o treinador tenha em mãos os jogadores com o maior número de informações e que ficam à margem da técnica. A precisão desse acompanhamento no atual cenário traz um componente novo. A incerteza de quando e de que forma o planejamento poderá ser realmente feito. Nos resta aguardar e sair dessa com saúde, o que será a primeira vitória de cada um. Teremos um período curto para uma mini pré-temporada no intuito de tentar subir o mais rápido possível o rendimento dos atletas", finaliza Manhabosco, do Atlântico.
Redação Catve.com com assessoria
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