Letalidade da Covid-19 em Toledo é a menor entre as maiores cidades do PR

O município, no entanto, tem a maior quantidade de casos por milhão de habitantes do estado

23 de setembro de 2020 | 18h06 | Atualizado há 30 dias

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Toledo apresenta o menor índice de letalidade da Covid-19, o menor entre os 21 municípios paranaenses com mais de 100 mil habitantes: 1,02%, 55 óbitos de um total de 5.418 casos confirmados. Levando em conta os boletins epidemiológicos divulgados na terça-feira (22) pelas respectivas prefeituras ou, na ausência deste, os dados publicados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Guarapuava (1,27%), Foz do Iguaçu (1,36%), Cambé (1,48%) e Araucária (1,54%) fecham o Top Five.

Os cinco piores índices deste ranking são de municípios que integram a Região Metropolitana de Curitiba: Almirante Tamandaré (3,19%), a capital (3,34%), Colombo (3,86%), Piraquara (4,08%) e São José dos Pinhais (4,27%) - taxas superiores à média estadual (2,51%) e nacional (3,02%). Apesar de representarem 53,74% da população, as cidades com mais de 100 mil habitantes representam 68,76 % dos casos (112.601 de um total de 163.762) e 71,09% dos óbitos registrados no Paraná (2.917 de 4.103).

Por detrás desta baixa taxa de letalidade está a eficiência no monitoramento de pacientes com síndrome gripal, com ampla testagem da população, o que permite o mapeamento dos casos e, assim, seja possível quebrar ou reduzir a cadeia de transmissão do vírus entre a população. Desde o início da pandemia, mais de 11% da população toledana foi submetida a algum exame (RT-PCR, sorológico ou rápido): das 5.418 pessoas infectadas pelo novo coronavírus em Toledo, 2.029 tiveram o quadro confirmado por meio dos 12.014 testes rápidos aplicados no município.

Em razão disso, Toledo tem a maior quantidade de casos por milhão de habitantes do Paraná (37.982,40), mais que o dobro da média estadual (18.194,89) e quase o triplo da nacional (14.219,35). "Nós, desde o início da pandemia, temos testado a população de uma forma bastante avançada. Nosso objetivo, dentro de um protocolo estabelecido, é testar o maior número possível de pessoas. Se têm sintomas, a gente solicita que procurem as unidades de referência para serem consultados e, se necessário, agendar e realizar o exame", pontua a secretária municipal de saúde, Denise Liell.

Depois de Toledo, os maiores índices de casos por milhão são registrados em Arapongas (33.130,36 por milhão), Araucária (26.618,52), Foz do Iguaçu (25.967,29) e Paranaguá (25.119,42). Os cinco municípios paranaenses com menor incidência de casos de Covid-19 por milhão são Guarapuava (3.887,34), Apucarana (8.984,54), Umuarama (9.617,78), São José dos Pinhais (10.754,94) e Ponta Grossa (12.897,65).

Levando em conta os óbitos por milhão e a população estimada para 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Toledo ocupa a oitava posição deste ranking (385,57). O Top Five é ocupado por Guarapuava (49,28), Umuarama (151,11), Ponta Grossa (247,65), Apucarana (271,59) e Cambé (288,80). Os piores dados são de Arapongas (793,21) e de outras quatro cidades da RMC: Piraquara (695,83), Fazenda Rio Grande (656,84), Pinhais (636,75) e Curitiba (622,49).



Estruturação

Além do amplo espectro de testagem da população, o baixo índice de letalidade deve-se também à forma como Toledo se estruturou para encarar os efeitos da Covid-19 no sistema público de saúde, a começar pela atenção primária, com a designação de três unidades básicas (UBS) para atendimento exclusivamente de pessoas com sintomas de síndrome gripal (tosse, febre, dor de garganta, falta de ar, entre outros). Com protocolos sanitários rígidos, que garantem a segurança de usuários e colaboradores, as ?unidades sentinelas? do Santa Clara e do Cosmos atendem este público de segunda a sexta, das 7h às 19h, e a do Panorama está aberta todos os dias da semana neste mesmo horário - em paralelo, o TeleCorona, além tirar dúvidas da população pelo 3055-8872, também realiza o monitoramento de pacientes com exame positivo para o Sars-Cov-2 e que tenham sido colocado em isolamento domiciliar.

Pacientes em estado moderado estão sendo encaminhados para o Pronto Atendimento Municipal (PAM) Doutor Jorge Milton Nunes, na Grande Pioneiro, que também está atendendo exclusivamente pessoas com idade superior a 12 anos com suspeita ou diagnóstico positivo de Covid-19, disponibilizando ali leitos de enfermaria. Pacientes abaixo desta faixa etária que apresentem sintomas respiratórios ou a população em geral que necessite de outro tipo de atendimento de urgência deve se dirigir à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Doutor José Ivo Alves da Rocha, na Vila Becker.

Os casos mais graves estão sendo direcionados para internamento em unidade de terapia intensiva (UTI) que integram a Macrorregional Oeste, rede da qual os Hospital Bom Jesus, de Toledo, com 24 leitos disponíveis. ?Além de fazer tudo que está ao alcance da Secretaria Municipal de Saúde, também buscamos, por meio da central de regulação de leitos, encaminhar pacientes em situação mais crítica com a maior brevidade possível. Embora esteja um pouco elevada a taxa de ocupação no Bom Jesus e no Moacir Micheletto, hospitais credenciados na área de abrangência da 20ᵃ Regional de Saúde, nunca faltou leito de UTI para os pacientes do Sistema Único de Saúde de Toledo. É um esforço gigantesco de toda nossa equipe para salvarmos o máximo de vida que pudermos?, sublinha Denise. ?Do início da pandemia até 31 de agosto, 193 pacientes de Toledo foram internados pelo SUS em unidades hospitalares aqui, na macrorregião ou até fora dela. Felizmente, conseguimos salvar a vida da maioria graças à alta qualidade do atendimento hospitalar oferecido a eles?, observa o porta-voz do Centro de Operações Emergenciais (COE), o médico Fernando Pedrotti.

A secretária destaca ainda que buscar atendimento o quanto antes possível contribui para manter baixa a taxa de letalidade da Covid-19 em Toledo. ?Reforçamos o pedido à população para que, assim que surgirem os primeiros sintomas, como os típicos da gripe ou perda do paladar e do olfato, procure imediatamente atendimento com o médico, o qual vai avaliar se o paciente foi ou não infectado pelo novo coronavírus. Assim, conseguiremos minimizar os efeitos da doença, impedindo que ela evolua à óbito?, salienta.
Assessoria
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