De olho no material escolar, por Xico Graziano

Campo tem tratamento equivocado; movimento quer revisar apostilas

25 de novembro de 2020 | 09h15 | Atualizado há 60 dias

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Está crescendo um movimento de pais e mães, ligado à agropecuária brasileira, que questiona o conteúdo do material didático oferecido aos seus filhos. Ele se intitula "de olho no material escolar".

O assunto parece cada vez mais grave. As apostilas utilizadas por grandes redes de ensino, do ensino fundamental, tratam o campo de forma equivocada, deformada e, até mesmo, preconceituosa. Existem 5 objeções comuns:

Muitas informações, referenciadas no passado latifundiário da economia rural, são aplicadas ao estudo da realidade atual, quando domina o agro tecnológico e responsável, provocando sérios equívocos de análise.

Generaliza-se situações particulares para toda a agropecuária, levando a graves erros de interpretação em um país continental, cuja produção rural ocupa biomas distintos em regiões muito díspares.

Estimula-se uma falsa dicotomia entre o agronegócio e a agricultura familiar, como se aquela fosse do "mal" e esta fosse do "bem", quando na verdade se trata de conceitos complementares, um fala sobre a integração no mercado, outro sobre o tamanho da área de produção

Encontra-se, não raramente, inconcebível viés ideológico em textos relacionados à reforma agrária, ao trabalho rural e aos povos indígenas, induzindo os alunos a acreditar que os agricultores sejam opressores dos pobres do campo.

Existe pequeno rigor na argumentação e em fontes de referência sobre assuntos técnicos/agronômicos, como o controle de pragas, uso do solo e demais práticas necessárias aos modernos processos produtivos da agropecuária.

O movimento #deolhonomaterialescolar se alicerça em relatos de produtores rurais e de profissionais do agro oriundos de várias partes do país. Suas ações básicas têm sido:

* reuniões locais nas escolas dos municípios, para sugerir a atualização e correção no enfoque das aulas;
* visitas de professores e dirigentes às fazendas, para que eles conheçam de perto a realidade da moderna produção rural;
* conversas entre entidades de agro com CEOs de grupos educacionais sobre a revisão do material didático.

Para se defender das críticas, algumas empresas educacionais afirmam que seus conteúdos são estabelecidos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Mera desculpa. Embora a BNCC tenha, efetivamente, um pendor esquerdizante e estatizante, a responsabilidade é de quem redige, ou edita, as apostilas e livros escolares.

Nos textos básicos das apostilas, 4 temas relacionados com a agronomia e a agropecuária recebem ênfase:

*Desmatamento
*Uso de agrotóxicos
*Produção orgânica de alimentos
*Agricultura familiar e agronegócio

Regra geral, a descrição de tais assuntos ultrapassa, e às vezes descumpre, as orientações da BNCC. Isso ocorre porque eles são apresentados de forma unilateral, como que impondo às crianças uma visão tendenciosa da matéria lecionada. Fazem, simplesmente, uma crítica severa e generalizada do novo mundo rural.

Ao contrário da Europa e dos EUA, onde se valorizam os homens e mulheres do campo, como um setor fundamental para a existência das cidades, aqui se ataca a imagem do agro, menosprezando sua importância na economia, na sociedade e na cultura nacional. Fazem isso dentro da sala de aula. Deturpam a mente das nossas crianças.

A agropecuária brasileira não precisa de esconderijos. Se existem defeitos, históricos e atuais, que sejam expostos. Mas também é necessário ressaltar as virtudes, os benefícios da modernização tecnológica. Ou seja, contem às crianças a história verdadeira.

Só isso. Tudo isso.
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