Fome em Porto Iguaçu: A situação é pior do que se vê nos vídeos

24 de novembro de 2020 | 11h12 | Atualizado há 53 dias

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As imagens são o retrato da fome e das dificuldades financeiras vividas pela população de Porto Iguaçu, localizada na província de Misiones, faz fronteira com Foz do Iguaçu. Homens, mulheres e crianças desenterrando cerca de 1,2 mil caixas de frango que estavam há dois dias e meio em um lixão.
A filmagem foi pelo jornalista argentino Ariel Goulart, que participou do Programa EPC e deu detalhes do que tem por trás dessas imagens.
A carne de frango foi apreendida pelas forças de segurança pois não tinha procedência fiscal. Só que o Ministério da Saúde argentino não autoriza a doação de alimentos in natura apreendidos e por isso, a decisão foi de enterrar.

Só que as famílias descobriram o local e, para muitos, aquele frango enterrado no lixão, está sendo a única fonte de alimento.

"A situação é pior do que se vê nos vídeos. As pessoas andaram mil metros com ferramentas para abrir a fossa e tirar os frangos. Eu conversei com um casal estava jantando os frangos e fizeram o frango frito e eles ainda tinham 5 kg. Eles diziam que não estava tão feio como pensávamos que estava. Era a única coisa que tinham para comer", disse Goulart.

Goulart contou no EPC que essa crise é porque Porto Iguaçu tem o turismo como principal fonte econômica e como a Ponte da Fraternidade está fechada, a situação se agravou.

?Não tem turismo, não tem outra forma de sobreviver. Só sobrevive que recebe ajuda do estado, mas que trabalha como pedreiro, eletricista, de maneira informal estão passando fome?.
Goulart disse que cerca de 40 famílias das que estavam desenterrando o frango estão recebendo ajuda de entidades, inclusive com apoio de brasileiros.

ARIEL GOULART

E uma nota de rodapé. Ariel Goulart contou no EPC que é tataraneto do ex-presidente do Brasil, João Goulart.
Os familiares de Ariel são refugiados. Foram embora do Brasil quando Goulart foi deposto em 1964, quando foi implantado o regime militar no Brasil.

?Somos da família Goulart. Estamos no processo judicial para recuperar o apelido?.

Veja a entrevista.
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