O retrato que o Tribunal de Contas do Estado do Paraná desenha para o Oeste do Paraná não é exatamente um quadro para pendurar na parede. É mais um espelho.
E, como todo espelho honesto, ele não perdoa.
As notas divulgadas, com base em dados de novembro de 2025, mostram que há ilhas de excelência cercadas por um mar de fragilidades. E não dá mais para tratar isso como detalhe técnico. É gestão pública, é dinheiro público e, principalmente, é a vida das pessoas.
Desde 2022, o TCE avalia as políticas públicas das 399 prefeituras do Estado.
Saúde, educação, assistência social, finanças, transparência. O básico. O que deveria funcionar bem sem precisar de lembrete.
Em Cascavel, por exemplo, a educação brilha com 9,01. Assistência social e saúde também mostram força. Mas basta virar a esquina dos números para encontrar um cenário bem menos confortável: meio ambiente com 4,84, administração financeira capenga e falhas em controle e transparência. É como uma casa bonita na frente, mas com infiltração nas paredes internas.
Toledo segue uma lógica parecida. Bons resultados em previdência, assistência e saúde. Mas escorrega justamente onde não poderia: relação com o cidadão, contratações e meio ambiente. Ou seja, entrega serviços, mas ainda tropeça na forma como se conecta e presta contas à população.
Já Foz do Iguaçu apresenta um cenário que mistura potencial com alerta. Vai bem em previdência e saúde, segura na educação, mas desaba em administração financeira e contratações. Um sinal claro de que o problema não é falta de recurso, é gestão.
E há um detalhe importante: "aquisições e contratações" e "meio ambiente" entraram na régua só em 2025. E já chegaram fazendo barulho. A média estadual em meio ambiente foi de apenas 3,16. Ou seja, não é um problema isolado. É quase um consenso negativo.
Mas se nas prefeituras o sinal é amarelo, nas câmaras de vereadores ele pisca em vermelho.
Pela primeira vez avaliadas, as câmaras mostram um desempenho que preocupa.
Cascavel ficou com 5,93. Toledo, 5,30. Foz do Iguaçu, 4,74. Todas acima da média estadual, é verdade. Mas isso está longe de ser motivo de comemoração quando mais de 200 municípios simplesmente zeraram critérios de fiscalização.
E aqui está o ponto mais sensível: fiscalizar é a principal função de um vereador.
Em Cascavel, a transparência com o cidadão impressiona (9,35), mas a fiscalização patina (3,33). Em Toledo e Foz, a situação é ainda mais grave: fiscalização zerada. Zero. Como se esse papel simplesmente não existisse.
Foz ainda apresenta um contraste curioso: atuação parlamentar baixa, comissões frágeis, mas uma nota altíssima no relacionamento com o cidadão (9,69). É quase como falar bem, mas agir pouco.
O recado do TCE é claro, sem rodeios: prefeitos e vereadores têm até novembro de 2026 para ajustar a rota. Caso contrário, não é só a nota que cai. As contas podem ser reprovadas, e o destino político pode incluir a lista de inelegíveis da Justiça Eleitoral.
No fim das contas, os números contam uma história simples e incômoda: não falta capacidade. Falta consistência.
E gestão pública não pode ser feita no improviso. Porque enquanto os indicadores oscilam, quem paga a conta não é a planilha. É o cidadão.
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