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Adriano Ramos Cardoso

O mercado do boi e suas variáveis

22 de fevereiro de 2021 | 16h32 | Atualizado há 240 dias

A instabilidade de preço no mercado de bovinos de corte apresenta mais uma variável: o mercado de reposição do desmame para a demanda dos terminadores, em confinamento ou em pasto.

O preço do boi gordo, chegando aos patamares de R$ 295 o arroba, reflete no mercado do desmama, tanto no macho quanto na fêmea, com valores nunca vistos nessa categoria: machos desmamados de cruzamento industrial comercializado a R$16 reais, o quilo de peso vivo; e fêmeas a R$13 reais. Um mercado de alto risco, devido a necessidade de grande investimento nesse setor, que depende da estabilização dos insumos, para alimentação animal, e o poder de compra dos consumidores.

Com o aumento de quase 100% no preço da carne bovina, desde novembro de 2019, os churrascos de fim de semana sofreram algumas mudanças. As churrasqueiras cheias, com variedades de cortes, hoje assam só o necessário para a demanda do almoço, com menos opções e com substituições, por exemplo, frango e suíno.

Com a estabilização dos valores da soja e do milho, que são a base da alimentação animal, e também da demanda de exportação de carne, os preços devem se manter elevados ao consumidor, no entanto, não devem sofrer aumento.

O valor chegou ao limite do poder de compra da população, que passa por uma crise econômica. A previsão é de que os preços se estabilizem, com a probabilidade de uma pequena queda, considerando a entrada de bois de pastagem de verão para o abate, até o final de março. Porém, em um mercado tão globalizado, toda estimativa tem sido uma incógnita.



Texto: Adriano Ramos Cardoso / Revisão Angélica Strapasson
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