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Acabou o tempo da agricultura predatória

Expectativa é aumentar área plantada em 4,3%, chegando a 72 milhões de hectares


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Uma gratificante história se repete: o Brasil colherá, em 2022, nova safra recorde de grãos. Vai aumentar a produção de soja, milho, feijão, amendoim e trigo. Somadas todas as lavouras anuais, a Conab estima que passará de 290 milhões de toneladas, cerca de 15% acima da anterior. Sensacional.

Haverá acréscimo de 4,3% na área plantada, que deve atingir 72 milhões de hectares. Quase metade dessa terra receberá 2 vezes o plantio. O ganho principal virá da conversão de pastagens degradadas em culturas, no sistema chamado iLP (Integração lavoura-pecuária), o carro-chefe da moderna tecnologia do agro brasileiro.

São otimistas todas as previsões para o agro nacional nesse entrante 2022. Nas lavouras permanentes (café, cacau, laranja), na cana-de-açúcar, na pecuária (bovina, suína, aves, peixes), na floricultura, fruticultura, silvicultura, por qual setor se analisa, o ano novo trará boas notícias ao país.

Não é coincidência. A pandemia revelou a velha profecia: desde quando Pero Vaz de Caminha escreveu ao Rei, percebeu-se que essa terra abençoada seria o maior produtor de alimentos do mundo. Nossos antepassados mais próximos diziam isso. Estamos chegando lá.

Há, todavia, percalços no caminho. Houve nesses meses recentes uma baita subida de preços dos insumos de produção da agropecuária. Fertilizantes, defensivos, sementes, diesel, arame de cerca, rações, dobraram de valor. Alguns, triplicaram.

Será que o mercado vai remunerar os agricultores?

O xis da questão no agro de 2022 recairá no nível de produtividade dos fatores de produção. Quem permaneceu no patamar antigo, vai se estrepar, mal pagará suas contas. Quem investiu em tecnologia, e soube dela tirar proveito, ganhará dinheiro. Tudo dependerá do conhecimento.

Gestão do agronegócio, inovação tecnológica e cooperação passaram a ser requisitos do sucesso no agro. Muitas soluções, grandes desafios. Em 2022 teremos a prova definitiva do campo.

Outra dificuldade do agro está, crescentemente, sendo oferecida pela agenda da sustentabilidade. Não adianta apenas produzir bastante. É necessário produzir com responsabilidade socioambiental.

Acabou o tempo da agricultura predatória, que passava notas promissórias contra o futuro. Agora é tempo de ajuntar a produção com a conservação. Chegou a era do baixo carbono, das energias renováveis. Do alimento de qualidade.

Quem teimar, vai se estrepar.

Por fim, a política. Ao final de 2022 teremos eleições majoritárias. Quem será o próximo presidente da República? Que influência terá sobre os destinos do agro?

Certamente o agro se dividirá no apoio aos prováveis candidatos. O ruralismo tradicional deverá continuar ao lado do governo atual, brigando contra os ambientalistas e defendendo na bala sua propriedade.

O agro moderno e tecnológico vai procurar uma alternativa política conectada à agenda da sustentabilidade. Afinal, o governo empurrou o mundo desenvolvido contra o agro brasileiro. Aqui, a briga é contra os criminosos da floresta.

Uns querem favores do governo; outros mais querem que o governo não atrapalhe. Para uns, subsídios; para outros, logística. Benesses versus mercado.

Independente do jogo da política, que 2022 traga alegrias para todos. Feliz Ano Novo!

















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