28/01/2013 07h48

Gallo

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Se existe mesmo um céu, um paraíso, um lugar bacana pra gente desopilar depois de passar por esse purgatório aqui, a farra já está rolando solta por lá com a chegada do João Carlos Gallo.

Parceiro dos bons, pessoa das melhores, humorista dos geniais. Gallo era assim. É assim. Espirituoso como poucos, devoto da vida que soube aproveitar com maestria, a seu modo.

Gallo deu-me a satisfação de integrar a equipe do "Telefone Pirata" na última versão, por lá fiquei o quanto a agenda das corridas me permitiu. Agenda de corridas que ele próprio experimentou nos anos 80 e 90, como repórter de pista de praticamente todas as categorias que tinham transmissão de tevê à época - numa dessas, extraiu alguns segundos do já célebre Ayrton Senna.

Qualquer um que tenha desfrutado da divertida convivência com ele terá episódios memoráveis a relatar, bons causos a contar. Que sejam contados e recontados. Abri esse post, aliás, com o propósito de relatar algum episódio desses, talvez aquele envolvendo o saldo de seu rápido papo com Senna. Desisti em poucas linhas. Não tenho esse dom de compartilhar alegria na tristeza.

O Gallo tinha. De sobra.

Fui me despedir do amigo, um costume que as pessoas têm. Notei que, apesar da dor da perda, havia sorrisos cercando aquele corpo inerte. Sim. Mesmo tristes, as pessoas sorriam. Acho que é coisa para poucos, o Gallo conquistou isso.

Exposto sobre determinada bancada, um mosaico de fotos montado pelo próprio Gallo a tesoura e fita adesiva resumia sua vida bem melhor que qualquer livro que se ousasse escrever. Invariavelmente sorrindo, único jeito que parecia conhecer para viver, lá estava ele em várias eras, maioria dos casos de microfone à mão, ou no estúdio onde desde moleque virou disc-jóquei, e noutros com a esposa e os filhos, e também de chapéu fazendo pose de coronel a bordo de alguma aeronave, e com os colegas e amigos de trabalho, e entrevistando Senna e Piquet, e montado em um burrico, e em várias outras situações que traduziam com simplicidade uma vida de irreverência.

A dado momento, um rapaz interrompeu seu momento de contemplação de boas memórias e veio falar comigo. "Você é o Luciano?", perguntou. À resposta óbvia, reagiu: "Sou o filho do Gallo. Meu pai falava muito de você". Era o Alexandre, a quem eu não conhecia. Gallo me falou muito dele, também, voltou há três anos da Europa, onde morou por vários, para auxiliar no que fosse possível o pai que já apresentava sinais de que a saúde não estava lá tão boa.

E ouvi o simpático rapaz falar não só dos últimos dias de vida do pai, mas também do meu antigo fusquinha, das minhas paródias, das corridas que eu narrava e que ele, Gallo, acompanhava pela tevê. Parecia me conhecer bem pelos relatos que ouviu do pai. Sorri também. O Gallo me deu um momento de alegria, mais um, mesmo depois de partir. Isso também é para poucos. Gallo era um cara privilegiado.

E, no dia de sua despedida, participei de um "Telefone Pirata". Edição especial que a Capital FM preparou em homenagem ao amigo que se foi. Mas era sem o Gallo. Não foi a mesma coisa.



24/01/2013 15h43

Mais um membro no "clã"

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Tudo indica que os Sperafico, maioria deles de Toledo, cidade a uns 40 km daqui, formam a família de pilotos mais numerosa do mundo. Talvez mereçam, ou já tenham merecido, uma aparição no Livro dos Recordes por isso.

Recorde ou não, fato é que a representatividade dos Sperafico no automobilismo está aumentando. Desta vez é o Natan Sperafico quem está se preparando para estrear, em 2013, no Metropolitano de Marcas e Pilotos daqui. Vai disputar também o Paranaense com o Ford Ka da equipe do Eduardo Ferrari - mesmo carro e mesma equipe que levaram Daniel Kaefer aos títulos do ano passado.

Natan, no último fim de semana, cumpriu uma bateria de treinos de adaptação que o levou a 85 voltas pelo autódromo de Cascavel, a melhor delas cronometrada em 1min20s005, segundo o próprio Eduardo. Um começo digno de observação.

A saga dos Sperafico no automobilismo começou nos anos 70, com Elói, Dilso e Milton disputando provas de Divisão 3. Milton foi destaque da Fórmula Ford na década de 80 e conquistou o título da classe B no Sul-Americano de Fórmula 3 em 1993. Seu filho Guilherme é, atualmente, um dos destaques da Sprint Race.

Os gêmeos Ricardo e Rodrigo, filhos de Dilso, são os Sperafico que foram mais longe no automobilismo, chegando à Fórmula 3000 internacional depois de uma carreira bem costurada em categorias de base, quando existiam categorias de base por aqui. Rodrigo foi ao topo do pódio na F-3000, inclusive. Ricardo testou carros de F-1 e correu na finada Fórmula Mundial - Alexandre Sperafico, primo dos dois, também correu na extinta categoria da Cart. Nos últimos anos, os dois têm-se dedicado à Stock Car, por onde também passou seu outro primo Rafael, morto em um acidente na etapa final de 2007 em Interlagos.

Teve ainda Fabiano, irmão mais novo do Elói, que participou da Fórmula Truck entre 2004 e 2005 (e mandava bem na pilotagem daquele Fordão, o Djalma Fogaça há de concordar comigo). E, além de todos esses, outro primo, Arlei, que tomou um caminho diferente do restante da família e foi atuar em competições de motocross no Centro-Oeste brasileiro.

O colega Luiz Aparecido, que acompanhou como jornalista toda a saga dos Sperafico no automobilismo, costumava defini-los como clã. Vou na onda. Que o clã não pare no Natan.



23/11/2012 07h28

Frio na barriga

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Ano passado, depois de perder um voo por questão de minutos, eu tratava lá em Cascavel de chegar a Curitiba para minhas atribuições no Brasileiro de GT, então Itaipava GT Brasil, quando o telefone tocou. Era alguém da chefia. "Você narra a corrida de domingo pela Band, ok"?. Ok, ué. "Sem problemas" Encara numa boa?. Ora, claro que sim. Qual seria o problema?

É compreensível que a figura dócil que me disparou um telefonema de dentro do autódromo sem nem ter notado que eu não estava lá (vê-se que não faço muita falta...)esperasse um frio na minha barriga. Narrar corridas na televisão não me era exatamente uma novidade, em que pese meu ainda curto tempo no ramo. Já tinha feito algumas vezes, a primeira delas em 2006, uma etapa do Regional de Marcas ao vivo pela CATVE. Mas era, no caso dessa do ano passado, uma experiência inédita, numa tevê aberta de alcance nacional, por cujos microfones desfilam vários dos papas do assunto, Luciano, Téo, Nivaldo, muitos craques. Mas foi natural.

Não teve frio nem calafrio. Rolou natural, a transmissão, como rolariam outras tantas até o fim da temporada, sempre pela Band, na dobradinha com o despachado Tiago Mendonça (que, já disse isso a ele, tem tudo pra ser o próximo Reginaldo Leme nas transmissões de corridas). Teve uma corrida, não lembro qual, em que nós dois nos esbaldamos comendo pão-de-queijo em plena transmissão, não tinha muita crise, não. E houve também as transmissões ao vivo lá de Portugal, pelo finado Speed, e as deste ano pela Rede TV!, sem maiores pré-chiliques. Até a semana passada, quando recebi o briefing da transmissão do Brasileiro de GT em Campo Grande. O convidado especial para o comentário seria, foi, o Wilson Fittipaldi Júnior.

Nada contra o Wilsinho, claro, bem pelo contrário. É que trabalhar ao lado de um cara que representa um rótulo tão dourado quanto ele trouxe o frio na barriga que esperavam de mim um ano e meio atrás. Basta dizer que esse foi o sujeito que inspirou o irmão mais novo a arriscar umas primeiras aceleradas, lá nos idos. E o caçula, Emerson, ganhou o mundo, e a ele atribuem tudo que o automobilismo do Brasil ganhou de bom, e foi bastante coisa. Credite-se tudo isso ao Wilson, já ouvi o Emerson dizer, aqui mesmo em Interlagos, que sua motivação para o automobilismo foi o Wilson, a quem define seu ídolo. São 54 anos de mão na graxa, de dedicação ao automobilismo. Eu talvez não viva tudo isso, e o Wilson tem esse tempo todo pulando de pista em pista pelo mundo, sempre com histórias cativantes a contar. Junte-se tudo isso, tempere-se a gosto e ter-se-á o tamanho da minha responsabilidade para tocar uma transmissão ao lado do cara. Foi um bom batismo.

Num rápido exercício de memória, já narrei corridas tendo como comentaristas André Duek, Andrei Spinassé, Ângelo Giombelli, Cadu Tupy, César Barros, Diogo Pachenki, Eduardo Homem de Mello, Flávio Poersch, Ingmar Biberg, Lico Kaesemodel, Luiz Alberto Pandini, Max Wilson, Nonô Figueiredo, Raul Boesel, Rodrigo Hanashiro, Rodrigo Mattar (esse apareceu do nada, foi colocado no meu bate-papo com o Duek e a transmissão pela internet rolou num clima bem legal) e Tiago Mendonça. E, agora, Wilson Fittipaldi Júnior, com quem devo dobrar as corridas da próxima semana em Cascavel, também. Deve ter faltado alguém na lista, sempre falta.

Tenho estado bem acompanhado nas corridas, vê-se.



06/11/2012 07h15

Que seja bem feito

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A passagem do Moto 1000 GP por Cascavel no último fim de semana, dadas as minhas atribuições jornalísticas no evento, fez com que eu estivesse por vários dias no autódromo de Cascavel. Remodelado, reformado, com infra-estrutura, com pista alargada, tudo aquilo que já se sabe bem. Desde que o autódromo renovado começou a ser usado, estive pouco lá. Precisei sair às pressas daqui quando veio a Fórmula Truck, e cheguei já no fim da festa quando veio a Stock Car, não estava por perto quando pilotos das competições das bandas de cá estiveram na pista. Era, aos meus olhos, uma quase novidade.

No meu mundinho miúdo, acabei, por meses, empunhando a bandeira de uma causa da qual há muito não participo diretamente, que é a do autódromo daqui. Tenho dito babilônias a respeito dos atributos da nossa pista a pilotos, promotores de corrida, a quem quer que tenha um mínimo interesse no assunto nas categorias a que presto algum tipo de serviço, e sem falsa modéstia não são poucas. Não ganho um puto a mais ou a menos se as competições que atendo escolherem Cascavel, Caruaru, Velopark ou Abu Dhabi para suas corridas. Trazer bons convidados pra casa, mostrar uma casa bem arrumada pras visitas. Há quem defina como bairrismo. Uaréver.

Em quatro dias foi possível notar um pouco mais que as rachaduras da edificação dos boxes, que saltavam aos olhos durante a breve visita de terça-feira. Não são só rachaduras. A chuva da quinta alagou boxes, alagou também a laje da parte de cima dos boxes. Parece não haver escoamento em lugar nenhum por ali. Como também não há para onde escoar a água que a chuva acumula atrás dos boxes - todo mundo que convive um pouco mais com o autódromo acusa a inexistência de uma prometida inclinação naquele piso de asfalto, parece que deveria haver ali um caimento (é caimento que se diz?) de 40 centímetros. Não há. Haja rodo.

Não é uma pista anfíbia, a nossa. Não ainda. As poças só reforçam o escoamento transversal das lâminas de água que vertem de vários pontos. No sábado, vários treinos foram suspensos. A pista não oferecia condições de segurança, o que suscitou a curiosidade sobre o que poderia acontecer se o céu continuasse desabando até a hora das corridas do domingo. Foi uma dúvida mantida por São Pedro, que mandou no domingo o sol que faltou durante a programação de treinos, ainda bem. Não há drenagem. Nunca houve, aliás, lembro de episódios quase traumáticos em eventos passados da Pick-up Racing e da Fórmula Truck no autódromo velho. Drenagem já, é o que pedem as competições.

Falei rapidamente, na sexta ou no sábado, não lembro, com alguém da equipe da Prefeitura que trata do autódromo. Não lembro o nome do rapaz e nem seu cargo, foi um papo rápido que se seguiu a uma apresentação quase protocolar feita pelo Orlei Silva, mas lembro que, diante do aguaceiro na laje sobre os boxes, alertou-me para a previsão de que o autódromo seja fechado por um mês ou dois no início do ano para que se façam os retoques necessários. Um tapa na pintura, reparos na pista - as ondulações também causaram alguns temores a quem veio de longe para correr -, correção na estrutura para que rachaduras desapareçam.

Há bastante a ser feito, todos concordam, e nem por isso vimos gente xingando, reclamando, esbravejando, dando piti. Quase todo mundo que se reuniu por ali durante o fim de semana conhecia as instalações antigas, as exclamações de surpresa diante do que agora se apresenta foram recorrentes. Mas há, sim, bastante a fazer. Há, também, a necessidade legal de se esperar as liberações orçamentárias para isso, o que pode adiar um pouco o início do calendário de ronco de motores pelas bandas de cá. Que atrasem o que for necessário. A pressa é inimiga da perfeição, definiria alguém. Particularmente, vou com a frase deixada aqui pelo Carlos Col, durante a reforma: "Bem feito ou mal feito, o custo é o mesmo". Que se faça bem feito, pois.



11/10/2012 09h09

A volta do #Zanda28

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Notícia legal que o Moto 1000 GP confirmou ontem: Maycon Zandavalli vai estrear no campeonato na etapa de Brasília, pela equipe do Alexandre Barros. Time oficial da BMW Motorrad, diga-se. Vai pilotar a nova moto pela primeira vez neste fim de semana, em dois dias de testes no próprio autódromo brasiliense. Ambientação e ritmo, é o que busca o piloto de 29 anos. Resultados, só no campeonato de 2013, é essa pelo menos a orientação dada e reforçada por Alexandre.

Acompanhei bem de perto o drama do Maycon no ano passado, quando sofreu um seriíssimo acidente numa corrida do Mobil Pirelli Superbike em Interlagos e teve o fêmur partido ao meio. Na noite daquele 27 de fevereiro, depois de bater um papo, escrevi algumas linhas a respeito lá no meu blog, num post em que incluí também as imagens em vídeo do acidente no S do Senna. "Quebrado e rindo à toa", foi o título que dei aquele post, porque era exatamente assim que estava o Maycon. Eu havia narrado a corrida para o público no autódromo, mesma narração aplicada à transmissão da corrida pelo site do Superbike Series.

Eis um caso em que fico extremamente satisfeito por errar um palpite - eu jurava que o Maycon jamais teria disposição para voltar a pilotar uma moto, embora tivesse declarado horas depois do acidente que voltaria tão logo quanto pudesse. Estava sob efeito de medicamentos, aquela coisa toda, poderia apenas estar delirando, pensei. Não, não estava. E volta mostrando plena disposição para recuperar seu bom ritmo. É um exemplo legal de superação. Que o Maycon consiga fazer sua parte para que Cascavel domine o mundo o quanto antes - ele é piloto lá da nossa cidade, não lembro se comentei.

***

Das duas para a seis rodas: o fim de semana é de Fórmula Truck em Guaporé. Chegamos aqui durante a madrugada sob um frio dos diabos. O que já é lucro. Depois da tempestade que testemunhei em Porto Alegre sábado à noite, imaginei encontrar o Rio Grande amado submerso. Não está submerso, ainda, e há quem diga que o clima vai melhorar ao longo do fim de semana. Que seja logo, já sugeri à Neusa que envie umas credenciais vip do evento a São Pedro para que ele se sensibilize e feche a porta de sua geladeira celestial ou coisa que o valha.

A Truck também vive um momento decisivo. São 11 pilotos com chance de título. Depois da corrida de domingo, palpite meu, serão seis ou sete. Leandro Totti, Beto Monteiro e Felipe Giaffone, os três primeiros no campeonato, fazem contas e projeções bem mais específicas que seus pares, claro. Leandro, o único do trio que ainda não tem título brasileiro - acaba de conquistar o Sul-Americano da categoria -, faz planos para passa a régua no campeonato já na corrida do mês que vem em Curitiba, a penúltima.



22/09/2012 10h36

É só o começo

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Lá se foram praticamente três quartos do ano e uma mera consideração cronológica seria suficiente para fazer supor que os campeonatos de automobilismo estivessem à beira da definição no que tange à disputa por títulos. Cronologia à parte, a constatação prática é de que só agora a brincadeira está começando a ficar interessante.

Vá lá que já há títulos definidos, como o do sortudo Ryan Hunter-Reay na Indy, ou de Davide Valsecchi na GP2. São casos pontuais. O campeonato da Indy terminou cedo, era isso que previa o calendário ianque, e a última rodada dupla do campeonato da GP2 destoa do calendário da Fórmula 1, que ainda terá seis grandes prêmios pela frente - sete, considerando que escrevo horas antes do GP de Cingapura.

No Brasil, os primeiros campeões de automobilismo de 2012 são Marçal Melo e João Gonçalves, donos do título do Audi DTCC, que também costurou um calendário à parte. De resto, afirmar que os campeonatos estão começando nesta reta final do ano não configura exagero algum. É uma constatação que só terá repúdio se for manifestada pelo Galvão. O povo pega muito no pé do Galvão.

A Fórmula Truck, por exemplo, tem ainda três corridas pela frente. Pouco, é verdade. Mas daqui a três semanas voltamos cá para o Rio Grande do Sul para uma etapa que terá, em seu início, 11 pilotos defendendo suas ricas ou parcas chances de título. são 12, pela matemática, embora um deles, o Fred Marinelli, esteja fora de combate, em fase de recuperação do acidente que sofreu em Cascavel. 11 candidatos ao título. Depois de Guaporé, segundo apurou o #DataLuc, serão sete, anotem isso e me cobrem depois.

Aí tem o Brasileiro de GT. Que tem oito corridas pela frente. Isso mesmo, oito, distribuídas em quatro rodadas duplas nas pistas do Velopark, de Campo Grande, de Cascavel e de Interlagos. 160 pontos em jogo, mais que o total acumulado nas 10 primeiras provas pela dupla líder Cléber Faria/Duda Rosa. Todo mundo, sem eufemismos, com chance de título, portanto.

No Mercedes-Benz Grand Challenge, que acompanha o calendário de eventos do GT, a situação é parecida. Em que pese o domínio da dupla líder João Campos/Márcio Campos, que venceu seis das oito primeiras corridas, há mais oito pela frente, 160 pontos, mais que os 137 somados por pai e filho até aqui.

Tem também a boa Sprint Race, uma sacada legal do Thiago Marques que levou-o a conciliar a atuação como piloto e comentarista de televisão com a missão ainda inédita para ele de promotor de corridas. Também adepta do sistema de rodadas duplas, a Sprint, cujos carros têm causado impressões positivas aos pilotos que por lá já passaram, tem pela frente oito corridas. Ou seja, 200 pontos em jogo. Rodrigo Barone e Beto Cavaleiro, líder e vice-líder, somam 149 e 148. Campeonato mais aberto que esse, impossível.

Claro que não dá para esquecer da Stock Car, que tem pela frente quatro corridas, a última delas com pontuação em dobro. Com 22 pontos por vitória, 44 no caso dessa etapa de dezembro em Interlagos, são 110 em jogo. Cacá Bueno, o líder, tem 115. Dele até o décimo colocado a diferença é só de 33 pontos. Será que está embolado? E é líder também da Copa Fiat, onde soma 96 pontos, um a mais que o André Bragantini, faltando quatro corridas para o fim do campeonato, duas em Brasília e duas aqui em Santa Cruz do Sul. E tem mais o ascendente Brasileiro de Marcas tem etapa neste fim de semana ali ao lado, no Velopark. O penúltimo fim de semana de setembro abrindo a segunda metade do campeonato.

Como se vê, a temporada 2012 do automobilismo brasileiro está só começando.



11/09/2012 15h31

Contra o tempo, sempre

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Essa vida de trabalho com as corridas é bastante aprazível, quanto a isso ninguém com algum apreço pelo automobilismo e pela motovelocidade tem dúvida. Mas é bastante cansativa, também. Às vezes submete-nos a uma correria quase besta.

Estando cá em Cascavel, bem longe do eixo onde as coisas costumam acontecer e ser decididas, essa agenda contempla muitas horas em hotéis e aeroportos, o que faz uma diferença e tanto naquela cotinha de 168 horas semanais. Esta semana, por exemplo, no que diz respeito à pilha de papel esperando alguma atenção na minha mesa aqui na agência, terá durado escassas oito horas. É, uma semana de oito horas.

O lido com as corridas traz algumas atribuições, também. Muita gente ligada ao automobilismo tomou meu modesto blog, o www.lucmonteiro.blogspot.com, como fonte para acompanhar como foi o processo de revitalização do autódromo de Cascavel, missão que penso ter cumprido com alguma dose de esmero e eficácia. E na hora H, no momento do grand finale, que foi a reativação prática com o movimentadíssimo evento da Fórmula Truck no início de agosto, lá estava eu bem longe de Cascavel, vivendo uma experiência inédita na minha ainda curta carreira como narrador de corridas, na transmissão do Copa Petrobras de Marcas em Jacarepaguá. Não vi e não vivi as coisas que aconteceram por aqui.

Domingo agora teremos outro momento histórico, a volta da Stock Car a Cascavel depois de 20 anos, um feito que mereceu meus pitacos lá no blog também, mesmo antes de sua confirmação ? confirmação que aconteceu no exato instante em que eu voava para algum lugar, honestamente não lembro qual, para cumprir atribuições em algum evento de automobilismo. A cidade, ou a parte dela que vive o automobilismo, já está há alguns dias no clima da Stock Car e de suas categorias de suporte. Não tenho vivido essa expectativa. Passei os últimos seis dias envolvido com a inédita corrida da Fórmula Truck lá no interior da Argentina, em Córdoba, um evento do qual trouxe, para minha bagagem de vida pessoal, muitos fatores interessantes e positivos.

Cheguei em casa ontem, já tarde da noite. E amanhã cedo já encaro outro voo para São Paulo, Interlagos recebe a etapa brasileira do Mundial de Endurance organizada pelo Emerson Fittipaldi, e um dos eventos que atendo, o Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, estará na programação de suporte à da corrida dos velocíssimos protótipos. Stock Car, Copa Montana e Mini Challenge terão seus pilotos e carros na pista de Cascavel já a partir da sexta-feira, não vou participar de nada disso.

De quase nada, na verdade. Consegui costurar uma agenda um tanto complicada - já é rotina... - para estar de volta a Cascavel no sábado à noite. No domingo, convite irrecusável do Jorjão Guirado, narro para a CATVE as etapas da Copa Montana e do Mini Challenge, o Ângelo Giombelli é quem estará ao meu lado nessa transmissão, que será disponibilizada não só aos dezenas de municípios abrangidos pela emissora, mas para qualquer ser humano que disponha de uma conexão de internet e disposição para acompanhar a corrida aqui pelo site.

E no meio da semana que vem já virá outra viagem, a Santa Cruz do Sul, de onde vou narrar para a Record News as corridas da terceira etapa do Moto 1000 GP. Mas com essa eu me ocupo a partir de segunda-feira. Antes disso, meus poucos neurônios serão compartilhados entre as causas e coisas de Porsche Cup, Porsche Challenge, Copa Montana e Mini Challenge. Além, é claro, da corrida histórica da Stock Car, onde minha única atribuição será assistir, acompanhar e, por que não?, torcer.

Tenho uma boa equipe na Stock Car, afinal.



09/08/2012 07h40

As pizzas do Camilo

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Era terça ou quarta-feira, não lembro e não importa, quando falei pro Thiago Camilo que ele venceria a segunda corrida da etapa de hoje da Copa Petrobras de Marcas, aqui no Rio. "Pô, só a segunda?", ele reclamou. Falei que a primeira era por conta dele, a segunda estava garantida. Valia uma pizza, embora eu não seja exatamente um apreciador de pizzas, prefiro nhoque, sushi e costela assada, não necessariamente nessa ordem, mas não acho convencional apostar uma pratada de nhoque com alguém.

Thiago perdeu a terceira pizza a fio, as outras duas vieram em placares do futebol, ele é péssimo para escolher times e o Corinthians é uma potência insuperável. Largando lá de 15º, posição em que ficou no resultado da primeira corrida, sem tê-la concluído, venceu. Mesmo tendo de lidar com o prejuízo de uma rodada no asfalto molhado de Jacarepaguá, onde a chuva chegou quando a placa indicando cinco minutos para a volta de apresentação já tinha sido levantada. Foi a primeira vez que narrei uma etapa da Copa Petrobras para a Rede TV!, mesma casa onde transmito as corridas do Mercedes-Benz Grand Challenge e do Brasileiro de GT. Gostei da brincadeira, tenho de admitir. E ampliou seu recorde de vitórias na categoria, o Thiago. Agora tem oito em 23 corridas disputadas - a categoria foi relançada em 2011, depois de uns bons 15 anos fora do calendário. Na primeira corrida no Rio, a vitória tinha sido do Denis Navarro, a primeira dele na categoria.

Falamos, é claro, da possível despedida do autódromo para provas nacionais, embora ainda haja um calendário regional de Turismo e de arrancadas a ser seguido, e o Moto 1000 GP também tem uma etapa agendada para lá. Há muito tempo eventos são anunciados como despedida do autódromo, e já começo a duvidar que o de hoje tenha sido, mesmo, o de despedida. Francisco Marques, o intrépido locutor Chicão, improvisou um pronunciamento ao fim do evento, pelo sistema de som do autódromo, que emocionou muita gente. Coisa de quem conhece do riscado. E a Vicar, promotora do campeonato, até encomendou um painel homenageando o autódromo. Tomara que voltem a usar o tal painel.

Curti bastante o fim de semana e a missão de última hora em Jacarepaguá, mesmo longe da festa da Fórmula Truck lá no bairro onde eu moro, que tem alguém que eu adoro, ela é minha paixão.



09/08/2012 07h40

Voltamos!

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Ainda há tempo para alguns rescaldos dispensáveis do domingo. Começo com a Fórmula Truck, que deixei de acompanhar em Cascavel por um desses acasos do destino.

Gente saindo pelo ladrão no autódromo, o que é ótimo; trânsito caótico dentro e fora do autódromo, o que é um problema seríssimo, visto que nas próximas semanas haverá outros eventos de grande porte por lá, Stock Car, Brasileiro de GT, Moto 1000 GP, otras cositas más. Algo tem de ser feito com urgência, porque até os mais fanáticos fãs das corridas vão se encher logo, logo de esperar três ou quatro horas numa fila, dentro do carro, para sair do autódromo. Pelos relatos que recebi cá de longe, a intervenção dos agentes da Cettrans, dentro e fora do autódromo, não resolveu muita coisa. Reuniões à vista, é o que prevejo e espero.

Quanto ao evento, pouco a dizer e muito a comemorar. Foi gigantesco para todos, não apenas para quem se aborreceu nas filas de entrada e de saída. Na corrida, outra corrida boa como têm sido todas as da Truck.

Assustou a imagem do fogo no caminhão do João Maistro, houve integrantes de várias equipes correndo ao box da Girho s numa tentativa desesperada de aplacar o incêndio. Parece que não foi perda total, o que alivia um pouco. O piloto escapou ileso dessa, o que alivia bastante.

Ademais, foi legal ver a Débora Rodrigues de novo no pódio, onde ela não aparecia desde o terceiro lugar na segunda corrida de 2006, em Fortaleza, aquela que o Pedro Muffato ganhou. O quinto lugar de hoje em Cascavel veio com uma ultrapassagem sobre o Fred Marinelli na última curva da corrida, o que, segundo me contaram, levou a torcida ao delírio. A Débora tem disso, sempre arrasta uma torcida e tanto com ela, e vou prestar atenção à atuação dela quando puder ver o VT da etapa, tudo indica que tenha feito uma corridaça, visto que largou em vigésimo. A Débora é legal, é do tipo de gente que não tem papas na língua, o que sempre tem minha admiração apesar das reações polêmicas que tal predicado possa implicar. Quando ao Pedro, lamentei por ele. Torci por um bom resultado dele hoje, faço uma leve ideia de quão importante seria para ele. Não deu. Às vezes as coisas não dão.

E foi legal, principalmente, saber que mesmo com todos os problemas de uma reestreia, no caso do autódromo, mesmo com a obra ainda não estando concluída - e debite-se parte disso à intervenção dos ambientalistas que travaram o trabalho por 21 dias depois que derrubaram uns tantos pinheiros lá dentro, os mesmos que devem ter dado tapinhas nas costas do prefeito hoje depois de recorrer aos contatos políticos para descolarem credenciais na faixa -, mesmo eu não estando lá, o que foi o pecado maior, tudo deu certo.

Sim, tudo deu certo. Cascavel voltou, gente do automobilismo.



26/07/2012 07h34

Grid lotado

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Fico sabendo mais coisas do automobilismo de Cascavel quando estou cá, longe, do que quando estou lá. Gozado.

A notícia é boa e chega da seara do Campeonato Metropolitano de Marcas e Pilotos, que terá as duas baterias da segunda etapa no próximo fim de semana, na mesma programação da sexta prova da Fórmula Truck. As informações vêm todas já cozidas do meu repórter Guinho Biberg, ele próprio um participante da prova.

Justamente por acompanhar a Truck, essa corrida do Marcas tem atraído bem mais interesse. Pilotos de Londrina e de Curitiba já se mobilizam para tomar parte da disputa, que até agora, início de noite de quarta-feira, a nove dias do início dos treinos, já tem confirmados nada menos que 37 carros. A lista está aí abaixo, não tem o mínimo caráter oficial e foi elaborada a partir do que os pilotos passam o dia conversando pelo Facebook - acho que nenhum deles trabalha. O DataLuc apurou que o número de carros inscritos possa chegar às cinco dezenas.

1 - Luis Rosa (Oberá/VW Voyage/grupo N)
2 - Edoli Caús Júnior (Cascavel/GM Corsa/grupo A)
3 - José Newton Ficagna (São Miguel do Iguaçu/VW Voyage/grupo N)
4 - Gustavo Magnabosco (Curitiba/VW Gol/grupo A)
4 - Adriano César Botelho (Londrina/VW Gol/grupo A)
5 - Marcos Cortina (Cascavel/VW Gol/grupo N)
5 - Carlos Aidartz (Londrina/VW Gol/grupo A)
6 - Edgar Favarin/Israel Favarin (Cascavel/VW Gol/grupo A)
7 - Jair Peasson (Cascavel/VW Gol/grupo A)
9 - Miguel Laste (Toledo/Ford Escort/grupo A)
13 - Gelson Veronese (Cascavel/VW Gol/grupo A)
14 - João Paulo Gelain (Santa Rosa/VW Gol/grupo A)
17 - César Bonilha (Londrina/VW Gol/grupo A)
19 - Leônidas Fagundes/Vinícius Fagundes (Cascavel/GM Corsa/grupo A)
21 - Paulo Vessaro (Cascavel/Fiat Palio/grupo A)
22 - Wanderley Faust (Cascavel/Ford Ka/grupo A)
23 - Beto Vanzin (Cascavel/VW Gol/grupo N)
25 - André (Itajaí/VW Voyage/grupo N)
34 - Daniel Reisdorfer (Cascavel/VW Gol/grupo A)
35 - César Vendrame (Cascavel/VW Gol/grupo N)
38 - André Jacob (Londrina/VW Gol/grupo A)
46 - Diego Barroso (Cascavel/Ford Ka/grupo A)
66 - César Chimin/Edson Massaro (Cascavel/VW Gol/grupo N)
67 - Ruy Chemin (Foz do Iguaçu/VW Gol/grupo A)
69 - Gilliard Chmiel/Gelmar Chmiel Júnior (Quedas do Iguaçu/VW Voyage/grupo N)
75 - Anselmo Branco/Marcos Romera (Londrina/VW Gol/grupo A)
77 - Lúcio Seidel/Rodrigo Bonora (Curitiba/VW Gol/grupo A)
80 - Ingmar Biberg (Cascavel/VW Gol/grupo A)
84 - Cido Moraes (Cascavel/VW Gol/grupo N)
88 - Marco "Tiko" Romanini (Cascavel/VW Gol/grupo A)
88 - Jeferson Fonseca Júnior/Cléber Fonseca (Cascavel/VW Gol/grupo N)
96 - Thiago Klein (Cascavel/Ford Fiesta/grupo A)
99 - César Bonilha (Londrina/VW Gol/grupo A)
171 - Paulo Bento (Cascavel/Renault Clio/grupo A)
177 - Daniel Kaefer (Cascavel/Ford Ka/grupo A)
313 - Edenilson Silva (Cascavel/VW Voyage/grupo N)
370 - Luiz Fernando Pielak (Cascavel/Ford Fiesta/grupo A)

Os mais atentos terão notado que o César Bonilha aparece na lista duas vezes. É que ele reservou vaga para dois dos carros de sua equipe, sem ainda ter confirmado quem serão os pilotos. Há vários casos carros com números iguais, isso resolve-se facilmente colocando um algarismo qualquer antes ou depois.

Chamam atenção ali duas duplas formadas por pais e filhos. Edgar Favarin, que penso ser o sujeito que mais voltas completou no autódromo de Cascavel, fará uma participação inédita com seu filho Israel (cacete, esse moleque nasceu ontem, lembro da cervejada que o Edgar pagou lá no clube quando a família aumentou, e agora está correndo de carro; meus cabelos brancos não aparecem à toa), enquanto Vinícius Fagundes estreia correndo ao lado do pai Leônidas.

Por fim, devemos considerar que ainda não há curitibanos na lista, e esses certamente vão marcar presença - bem como vários outros pilotos de Cascavel que ainda não deram o ar da graça. Semana passada, em Jacarepaguá, conversei com o Wellington Cirino, que trabalha na equipe do José Cordova no Mercedes-Benz Grand Challenge. Cirino me contou que Cordova, curitibano, estará em Cascavel com alguns carros de sua equipe, também. Perguntei ao Wellington, que é piloto da Truck, se considerava a possibilidade de também participar da corrida de Marcas. Ele não respondeu, só riu e disse que sou curioso demais.

Sou nada.



Luciano Monteiro
Luc Monteiro é jornalista há 23 anos. Teve início prematuro na profissão em 1992, aos 14 anos, na redação do jornal "O Paraná", onde atuou até fins de 2008. Atualmente, Luc atua como narrador de automobilismo na televisão e na internet, nas transmissões de categorias como Brasileiro de Marcas, Porsche GT3 Brasil, Mercedes-Benz Challenge e Sprint Race. Formado em jornalismo em 2009, Luc também integra a equipe da agência jornalística Grelak Comunicação.

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