22/04/2014 12h10

O Luciano de verdade

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Já devo ter contado essa história quase uma centena de vezes a quem pergunta, normalmente com estranheza, por que uso algo como nome artístico em minha apresentação nas narrações de corridas e, nessa carona, em tudo. Até em cartão do banco já consegui que gravassem "Luc Monteiro", quem já viu meu cartão do Santander não me deixa mentir.

"Luc", primeiro, é apelido desde a adolescência, obra e graça do Milton Serralheiro, por conta de um joguinho eletrônico em que ele era viciado e em que, depois de quebrar um recorde dele, gravei "LUC", já que o dispositivo só aceitava três letras.

Mas apelido é coisa que se trata à mesa de bar, em círculos mais restritos, claro. Não se o leva a um trabalho em televisão. Não se o levaria.

Em determinada transmissão do Porsche GT3 Cup Challenge pelo Speed Channel, isso era 2009 ou 2010, não lembro direito, mas lembro que o comentarista, que também não lembro quem era - não tenho lembrado de muita coisa ultimamente - abriu determinada intervenção dizendo "Luciano, blablablá". Claro que também não lembro o que disse o comentarista naquela ocasião, e tenho agora a impressão de que o dito cujo fosse o Eduardo Homem de Mello.

Luciano. Na hora, naquela hora, e esse é um exercício que procuro manter em todas as transmissões, me transpus à condição de telespectador. Qualquer telespectador de uma transmissão de corrida de carros que ouve o comentarista tratar o narrador como "Luciano" lembrará, de imediato, do Luciano do Valle, foi o que pensei naquele momento.

Eu não podia ser Luciano. A vaga de Luciano, nobre, já estava ocupada. E na corrida seguinte combinei com o operador de GC, geração de caracteres, que me creditasse como Luc Monteiro, e combinei também com o comentarista, acho que já não era o Edu, que me chamasse de Luc. Não há nenhum outro Luc, não em transmissões esportivas no Brasil, pelo menos.

E um dia, voltando ao assunto, alguém me perguntou por que sou "Luc Monteiro" nas narrações. Não lembro quem foi o primeiro que me perguntou isso "não tenho lembrado de muita coisa ultimamente. Expliquei isso, essa cascatinha que você acabou de ler e que tem lá seu fundo de verdade. Lembro, sim, de ter respondido que quando o comentarista me chama de "Luciano" o telespectador poderá ser involuntariamente induzido a lembrar do "Luciano de verdade", essa foi a expressão que usei. E em quase uma centena de outras vezes, sempre que inquirido sobre o uso de um apelido que na verdade é meio besta, citei o "Luciano de verdade". Uma coincidência que até curto, tenho de admitir, ser homônimo de um dos caras que fizeram história ? e que história! ?tendo como pano de fundo esse ofício onde começo a engatinhar.

Conversei poucas vezes com Luciano do Valle, umas duas, no máximo três. Soube que ele sabia da minha existência em 2013, na última etapa brasileira da Indy no Anhembi, corrida narrada por ele na Band. Houve duas corridas preliminares, Mercedes-Benz Grand Challenge e Brasileiro de GT, as duas narradas por mim na mesma Band. E alguém que tinha envolvimento direto com a transmissão toda do evento me contou que Luciano, o de verdade, fez tal comentário sobre aquelas transmissões preliminares da manhã, algo que penso não ser cabível compartilhar aqui, que significou bastante para mim e que não creio significar nada para mais ninguém.

Egocêntrico que sou, guardo para mim aquelas poucas palavras do Luciano que me foram trazidas casualmente por certo interlocutor. E o orgulho inegável de uma coisa pequena para o mundo e grande para mim, a de ter sido o cara que narrou, naquele domingo no Anhembi, corridas preliminares da corrida que o Luciano de verdade narrou.



11/04/2014 07h53

As obras no autódromo de Goiânia - por Luc Monteiro

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Quem me fala, under request, sobre o andamento das obras de remodelação do autódromo de Goiânia é Giuseppe Vecci, ex-piloto de Stock Car, que enquanto trata do que pode ser sua volta às pistas dá seus pitacos formais no trabalho. Foi chamado para a missão pelo próprio governador Marconi Perillo e sua consultoria é voluntária, faz questão de dizer. Chique, o Giuseppe.

"Vou para lá todas as tardes para fiscalizar, orientar, dar sugestões, já são quase 80 dias nesse ritmo, tudo para que o nosso autódromo esteja dentro das normas e dos padrões da FIA", conta. "Tenho uma experiência considerável com as normas, lidei bastante com isso quando construí um kartódromo", gaba-se, citando a pista de kart de Patos de Minas. "Modéstia à parte, eu sei bem o que estou fazendo".

O investimento feito pelo governo do estado na reforma orbita a casa dos 30 milhões de reais e a inauguração, ou reinauguração, do autódromo vai acontecer com a etapa de 1º de junho da Stock Car, não sei se será o quarto ou o quinto do calendário. Não sei se consigo estar lá na data festiva, mas caso não esteja é certo que nos dias seguintes marco presença. É uma cidade onde eu viveria com muito gosto, Goiânia.

Então, vamos a alguns relatos, reproduzindo o que relata o ilustre goiano. Estou sem tempo e nem paciência para pesquisar detalhes mais minuciosos, mas o que ele narra dá uma boa noção de a quantas andam as coisas por lá:

Acessos: "O autódromo passa a contar com novas portarias, com mais segurança para os funcionários e maior funcionalidade e rapidez para entrada e saída do público".

Drenagem: "Todo o sistema de drenagem da pista e do autódromo foi refeito, saneado e limpo. As grelhas de escoamento também estão sendo substituídas e até reconstruídas".

Asfalto: "Mesma tecnologia e mesmo composto do asfalto de Interlagos. O trabalho foi assinado pelo mesmo engenheiro, inclusive. A massa é composta também por fibra de celulose, que dá mais aderência e que dá maior durabilidade. A usina de asfalto, inclusive, foi montada dentro do autódromo. Assim, o asfalto sai dela a 180 graus e é aplicado na mesma temperatura, dando mais aderência à sub-base e melhor acomodação no piso".

Iluminação: "A iluminação em volta de todo o anel externo do circuito também foi refeita. Foram instalados mais de 250 postes novos, para que o autódromo também funcione à noite".

Paisagismo: "Foram plantadas palmeiras imperiais em todo o perímetro e em volta de toda a pista. Também foram plantados 400 mil metros quadrados de grama em toda a área do autódromo. É muita grama".

Parque: "Na parte de baixo do autódromo está sendo construído um parque de esporte e lazer para a população. Vai ser o Parque Marcos Veiga. Marcos Veiga foi o idealizador e quem desenhou o traçado da pista, em 1974. Ele também foi piloto de carros de corridas e projetista de aviões. Inclusive, morreu em um deles, fazendo uma manobra de dorso rente ao chão. Um grande cara, ídolo aqui no nosso meio, o visionário que começou tudo isso em 1973, no governo de Leonino Caiado".

Aqui, parênteses meus, embora até agora eu jamais tivesse ouvido falar do homenageado: já que a fase é de total mudança, por que não rebatizar o lugar todo como Autódromo Internacional Marcos Veiga? Para que manter o nome de Ayrton Senna, que jamais pisou no lugar, embora tenha corrido de kart em Goiânia? Se não me engano muito, Senna teria ganhado lá, em Goiânia, um de seus títulos brasileiros, mas no autódromo jamais deu as caras. Nada contra Senna, mas soa bastante justo os dirigentes goianos darem ao lugar o nome de alguém como Veiga, ou de outro que tenha de fato feito parte da história do autódromo, como fizeram os dirigentes de Eusébio com Virgílio Távora, ou os de Guaporé com Nelson Luiz Barro, ou ainda os de Cascavel com Zilmar Beux. Parece-me que os de Londrina também estão prestes a rebatizar o autódromo, substituindo a homenagem póstuma a Senna - que igualmente jamais esteve lá - pelo nome de Beto Monteiro, não o piloto de Fórmula Truck, mas o dirigente local que perdeu a vida recentemente. Fecho meus parênteses.

Boxes: "Todos os boxes foram colocados abaixo. Os novos boxes que foram construídos têm 19 metros de largura, cada. São 25 boxes, mas em tamanho dobrado. Portanto, o equivalente a 50 boxes. Muda também a entrada dos boxes, que foi realocada. Ela agora está no fim da reta oposta. A partir de agora os pilotos vão entrar nos boxes pela reta oposta, da mesma forma como ocorre no autódromo de Curitiba".

Segurança: "Teremos novas muretas de proteção em toda a extensão da reta principal".

Torre: "A nova torre, que vai atender direção de prova, cronometragem e imprensa, também vai incorporar um placar de cronometragem com led".



16/12/2013 11h35

Confraternização veloz

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Rota obrigatória de todo mundo que acompanha o esporte paranaense em algum grau, o "Bate-Papo de Esportes", programa semanal de debates e entrevistas da CATVE ambientado obviamente nas competições que acontecem no Paraná " ou fora dele, com envolvimento de paranaenses nas condições de competidores, treinadores, dirigentes, torcedores ou quaisquer outras que se possa imaginar", encerra mais uma temporada nesta segunda-feira, 16 de dezembro. Como de hábito nas edições especiais de fim de ano, Jorge Guirado e a equipe de produção do programa formataram uma ocasião especial para reverenciar os destaques esportivos de 2013.

Será uma ocasião em ritmo acelerado, a desta segunda-feira. O programa será transmitido ao vivo a partir das 19h30, como acontece toda semana. Mas não dos estúdios da emissora no centro de Cascavel, e sim do Kartódromo Municipal Delci Damian. Lá serão recepcionados atletas, dirigentes, jornalistas, convidados e curiosos para o programa, cujas entrevistas e homenagens serão intercaladas com corridas de kart, como convém ao ambiente escolhido. Serão seis corridas, na verdade, e todas elas com transmissão ao vivo da CATVE - quem gosta de corridas do gênero e está fora dos mais de 40 municípios abrangidos pela emissora vai poder acompanhar aqui no portal da CATVE.

As corridas, que terão em disputa a Copa CATVE de Kart, foram uma sacada do empresário Assis Marcos Gurgacz, cujo contato mais direto com as corridas da modalidade aconteceu como decorrência natural da participação de seu filho Pedro Henrique nas competições regionais e estaduais da última temporada. A ideia que levou à realização do evento de logo mais aproxima-se do que todo mundo vislumbra para o esporte motor: custos baixos. As corridas são abertas a qualquer um que tenha um kart à disposição e a carteira de piloto de competições emitida pela Federação Paranaense de Automobilismo - exceção feita à Indoor, uma das seis categorias do evento, em que os participantes serão, ou já foram, selecionados a partir de um ranking mantido pela equipe que gerencia as corridas de aluguel realizadas diariamente no kartódromo.

A fórmula de baixo custo formatada por Assis Marcos passa pela não obrigatoriedade de uso de pneus novos nos karts e pelas taxas simbólicas de inscrição - são R$ 150 para as categorias Cadete e F4 e R$ 180 para a Infanto, a Máster, a Sprinter e a Indoor. Qualquer coisa entre 10% e 20% do que os pilotos pagam em competições oficiais. Devem estar na pista cerca de 60 kartistas. Pensei em participar também, mas desisti por dois motivos: um, óbvio, o iminente risco de ofuscar os demais; outro, mais óbvio ainda, meus macacões de corrida não me servem mais, preciso perder peso nas férias.

Como já dito, a ocasião será marcada também por uma série de homenagens a algumas das personalidades do cenário esportivo paranaense no ano que chega ao fim. A lista é de alto quilate: Jorge Henrique Ferreira Machado (destaque especial 2013), Marquinhos Xavier (campeão paranaense de futsal da Chave Ouro), Neudi Zenatti (técnico campeão do handebol feminino nos Jogos Abertos do Paraná), Ana Carolina Lucietto (destaque da natação paranaense), Washington Donomai (treinador de judô destaque dos Jogos Abertos), Angélica Kvieczynski (atleta destaque da ginástica rítmica paranaense), Anita Kliemann (destaque esportivo), Gilberto Papagaio (treinador de futebol destaque), Roberto Maehler (atleta destaque da canoagem), Pedro Muffato Júnior (dirigente esportivo destaque), (Caio Carvalho e Paulo Roberto Mion (apoiadores destaque esportivo).



01/11/2013 11h07

Grand Challenge com a Vicar

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Depois de três temporadas - as primeiras de sua existência - dividindo programações com o Brasileiro e depois o Sudamericano de Gran Turismo, o Mercedes-Benz Grand Challenge estará sob o guarda-chuva da Vicar em 2014. O acordo com a empresa, que hoje assina a promoção da Stock Car, do Brasileiro de Turismo, da Copa Petrobras de Marcas e da Fórmula 3 sul-americana, deverá ser anunciado aos interessados no evento da próxima terça-feira, dia 5, em São Bernardo do Campo, em que também será apresentado o novo carro da categoria para 2014.

De 2011 a 2013, o Grand Challenge teve na pista o modelo C250 Turbo. Que continuará em cena no ano que vem mesmo com a chegada do CLA 45 AMG. Em princípio, a Mercedes-Benz deverá importar 24 unidades do novo carro para o campeonato do Brasil - que é, por enquanto, o único do gênero no mundo. Por enquanto.

O C250 Turbo é o mesmo modelo comercializado em série. Foi adaptado para a criação do campeonato num trabalho meticuloso desenvolvido sob a batuta do experiente preparador Washington Bezerra. Com o CLA 45 AMG é diferente. O carro foi desenvolvido pela AMG, divisão de competições da marca, já para as competições - mesmo conceito implícito nos Porsche 911 que integram o grid do Porsche GT3 Cup Challenge no Brasil e em outros rincões.

A produção da versão de pista do carro é fruto do bom retorno interno que o Grand Challenge brasileiro rendeu à marca. E teve como efeito imediato um envolvimento ainda maior da Mercedes-Benz com o campeonato. A marca tratou detalhadamente da questão com os promotores de quatro outros eventos esportivos - um deles, o próprio Sudamericano de GT, que já acolhia as corridas mercêdicas (desculpa, Flavio Gomes). E acabou definindo pelo acordo com a Vicar.

Seis das oito etapas do Grand Challenge no próximo ano vão dividir programações com as etapas do Brasileiro de Marcas. As outras duas, com eventos da Stock Car - provavelmente com a etapa de Ribeirão Preto, em pista de rua, e com a Corrida do Milhão, que ainda não sei qual será, mas que não vai fechar o campeonato.

Neste fim de semana, pela segunda vez, o Mercedes-Benz Grand Challenge terá disputas longe dos carros de GT. Inicialmente previsto como sétima e penúltima prova, o evento-solo no Autódromo Internacional de Tarumã, em Viamão, foi convertido nesta semana em rodada dupla, com a sétima etapa no sábado e a última no domingo, enquanto o Sudamericano irá pela primeira vez para fora do país para integrar a programação da TC2000 em Buenos Aires. No ano passado, houve um evento solo do Grand Challenge no Velopark, enquanto os carros do GT cumpriam também na capital argentina, sem corrida, procedimentos burocráticos e alfandegários.



21/10/2013 17h12

Cascavel com selo FIA?

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O assunto não é inédito por aqui, mas volto a ele porque a situação parece cada vez mais propícia para nós, cascavelenses.

O último fim de semana foi de trabalho - bastante, por sinal - em Mogi Guaçu, no autódromo Velo Città, que recebeu o Porsche GT3 Cup Challenge Brasil com as corridas da sétima e antepenúltima etapa da temporada de 2013. As duas próximas vão acontecer em Interlagos, uma na preliminar do GP do Brasil de Fórmula 1, dias 23 e 24 de novembro, a outra nos dias 7 e 8 de dezembro.

Um dos pontos altos do evento da semana passada foi o fato de ter sido o primeiro no Velo Città desde sua homologação pela FIA para receber eventos internacionais. Afinal de contas, desde o começo deste ano, o Porsche GT3 Cup Challenge Brasil é reconhecido oficialmente como Série Internacional FIA, motivo pelo qual só pode realizar seus eventos em autódromos que tenham tal selo. São cinco os autódromos que terão acolhido o evento nas nove etapas de 2013 - Algarve, em Portugal, Barcelona, na Espanha, Velo Città, Pinhais/Curitiba e Interlagos.

Em reta final de temporada, é inevitável que já se fale em 2014. O calendário, claro, ainda não está pronto. Longe disso, essa definição passa por um sem-número de negociações que têm os diretores do campeonato em uma das pontas. Negociação com a administração dos autódromos, por exemplo. E não é segredo algum que existe, sim, uma pré-disposição do Porsche GT3 Cup em ter uma de suas etapas no ano que vem aqui em Cascavel.

Stock Car, Fórmula Truck, GT, Brasileiro de Marcas, Superbike Series e Brasileiro de Motovelocidade estão entre as competições que vieram - ou voltaram - a Cascavel desde a histórica reforma promovida no ano passado no Autódromo Internacional Zilmar Beux. Para o Porsche GT3 Cup Challenge também fazer parte dessa lista Cascavel terá de conseguir a mesma homologação dada pela FIA ao Velo Cittá.

Um processo que, pelo pouco que bisbilhotei a respeito, tem suas primeiras providências já em andamento pelas bandas de cá. Pretendo, antes da próxima viagem (tem tempo, ainda; será daqui a quase três dias), tomar um café com o secretário Wanderley Faust para tentar arrancar dele em que pé está ou deixa de estar a situação.

É esperar para ver.



02/10/2013 14h14

E a Cascavel de Ouro, hein?

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Ano passado, quando dei aos organizadores do então Campeonato Brasileiro de Gran Turismo a ideia de fazer com que as corridas da etapa Cascavel valessem a tradicional prova "Cascavel de Ouro", e a sugestão foi levada a efeito, o resultado no âmbito cascavelense foi de rejeição.

A reclamação geral foi de que a "Cascavel de Ouro, uma prova de tanta tradição, deveria ser disputada por pilotos da cidade, da região, do estado, e não por pilotos que nada tinham ou têm a ver com essa rica história. Constatação com a qual concordo plenamente, e à qual não me ative sobretudo pelo fato da edição anterior da prova ter sido realizada em 2005. Passaram-se os anos de 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, e estava terminando 2012, e a "Cascavel de Ouro" era caso do passado. Como já era passado distante quando, em 2003, o Pedro Litron, então presidente do Automóvel Clube da cidade, resolveu retomar a corrida, que não era realizada desde 1997. Foram três edições seguidas, todas com as equipes e os carros do Campeonato Metropolitano de Marcas & Pilotos, e dali em diante a coisa ficou inviável e morreu na casca.

Houve, enfim, a "Cascavel de Ouro" em 2012, com somatória dos pontos das duas corridas cascavelenses do Brasileiro de GT, e o troféu foi conquistado pelo Paulo Bonifácio e pelo Sérgio Jimenez, com o Mercedes-Benz SLS "calça-jeans". E veio a certeza de que a manifestada insatisfação dos pilotos cascavelenses com a escalação de uma categoria nacional para resgatar a "Cascavel de Ouro" resultaria num conjunto de esforços eficaz o suficiente para fazer com que a corrida voltasse em 2013, tendo no grid os pilotos de Cascavel, da região, talvez dos centros de Londrina e Curitiba, alguns de fora.

Uma opção ótima para a pretensa edição de 2013 da "Cascavel de Ouro", uma corrida que já comportou tantos formatos e tantas categorias automobilísticas, seria o Festival Brasileiro de Marcas 1.6. Pilotos dos vários campeonatos de Marcas & Pilotos existentes pelo país proporcionando um espetáculo à altura a quem aprecia o automobilismo de base, por assim dizer. E valendo o tradicionalíssimo troféu. Some-se a isso o fato de campeão e vice de 2012 do Festival Brasileiro serem cascavelenses - no caso, pela ordem, o Luiz Pielak e o Juninho Caús. Mas a competição brasileira vai acontecer no Rio Grande do Sul, quase certo que em Guaporé. Vai ser um evento automobilístico do mais alto quilate, não tenho a menor dúvida quanto a isso.

E a "Cascavel de Ouro"? Bem, essa parece que vai ficar na saudade de novo. Até pensei em sugerir ao pessoal do Campeonato Brasileiro de Marcas que fizesse as provas da penúltima etapa, aqui na cidade, valerem pela "Cascavel de Ouro". Essa disputa vai acontecer no dia 17 de novembro, três dias depois do aniversário da cidade, poderia ser um grande esquema. Desta vez saio da conversa. Se a coisa virasse, poderia gerar insatisfação no meio cascavelense do automobilismo.

E se tem uma coisa que me aborrece é ver um amigo chateado com alguma coisa.



19/08/2013 14h14

Cascavel, o Porsche Cup e o WTCC

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Um dos ônus de trabalhar com automobilismo estando perto do automobilismo - são duas realidades diferentes, acreditem - é ter de responder às pessoas que acompanham com interesse e até com paixão esse mundinho das corridas que não, você não tem respostas sobre todas as questões ligadas aos bastidores da coisa. A curiosidade dos interlocutores que me abordam é compreensível, visto que o que se espera de um jornalista ligado ao cheiro de gasolina é informação. Ando meio sem informação ultimamente, para frustração dos que me têm como possível fonte.

Tenho acompanhado com alguma curiosidade o bochicho acerca da volta do WTCC ao Brasil via Cascavel. Falo do Mundial de Carros de Turismo da FIA, evento em que atuei em cinco edições, de 2006 a 2010, como locutor de arena da etapa brasileira em Pinhais. Um puta evento, diga-se. Uma puta categoria. Que neste ano trocou a etapa no Autódromo Internacional de Curitiba por uma no circuito de Termas de Rio Hondo, na Argentina, que está sendo preparado para acolher a festa do MotoGP.

A reforma empreendida em 2012 no autódromo de Cascavel deixou-o com nível técnico suficiente para acolher as principais competições nacionais, algumas internacionais. Não que seja aquela maravilha toda; pelo contrário, ainda falta bastante coisa. Mas já é suficiente, sobretudo pelo sucateamento a que outros autódromos do país têm sido submetidos, para ter etapas da Stock Car - duas neste ano! -, Fórmula Truck, Brasileiro de Marcas, Moto 1000 GP. Também do Sulamericano de GT, que esteve por aqui no ano passado ainda como Campeonato Brasileiro. Cascavel está fora do calendário do GT em 2013, uma questão que de minha parte só será definitiva depois que a temporada terminar.

E os olhos do automobilismo voltam-se, sim, para Cascavel. O Dener Pires, capitão do Porsche GT3 Cup Challenge, considera a inédita vinda de suas categorias para cá em 2014. Já abordei o assunto com o Dener umas cinco ou seis vezes em quase cinco anos de convivência. A primeira, lá pelos idos de 2009 ou 2010, teve como resposta um ?nem pensar?, ou qualquer coisa do gênero; a última, duas semanas atrás, mereceu uma pausa nos afazeres dele e meu para uma consulta minuciosa e um tanto demorada a informações armazenadas em determinado tablet.

As possíveis corridas de Porsche em Cascavel no ano que vem esbarram na mesma questão que a menos provável vinda do WTCC: homologação da Federação Internacional de Automobilismo. Desde o começo desta temporada, o Porsche GT3 Cup Challenge ostenta o selo de "Série Internacional" pela FIA, motivo pelo qual só pode se apresentar em circuitos que tenham a graduação B da entidade. Para ter graduação B, é necessário atingir um certo nível, que as pistas de Interlagos, Pinhais/Curitiba, Algarve e Barcelona, que receberam as corridas já realizadas neste ano, obviamente atingiram. Velo Città, aquele paraíso do automobilismo que o Eduardo Souza Ramos incrustou numa de suas propriedades no interior paulista, já está em fase final dos procedimentos para conseguir o tal carimbo da FIA.

É disso que Cascavel precisa. Do carimbo da FIA. Viável? Totalmente. Nosso autódromo (peço licença para usar o pronome possessivo de forma tão indevida, posto que nem contribuí em absolutamente nada para a cidade criar e, depois, reestruturar seu autódromo; no hipotético idioma luquês, "nosso" seria advérbio de lugar) segue a contramão da realidade atual e está em ascensão. Melhorá-lo ainda mais custa dinheiro, e como o dinheiro não esteja propriamente jorrando das gavetas oficiais, apesar do comprovado retorno que o investimento gera, é preciso costurar acordos que viabilizem as adequações. Antes disso, prefeito e secretários municipais incluídos na conversa têm de apurar por meios oficiais, dispensando palpites dos curiosos de plantão, quais são essas adequações. Melhorias que, suponho, estejam ao nosso (de novo...) pleno alcance, dado o ponto que já se atingiu com tudo que foi feito de 2012 para cá.

Pitaco meu, sem chancela de dirigente nenhum, é dessas melhorias que dependem as vindas a Cascavel de séries internacionais como o Porsche GT3 Cup Challenge e o WTCC. No caso do Mundial, claro, o buraco é mais embaixo, posto que o custo da operação exigiria grana pesada a título de patrocínio, esse carma que, em termos automobilísticos, torna-se ainda mais distante às vésperas da Copa do Mundo pelas bandas de cá. Mas é o caminho. Levar o nome e as coisas de Cascavel para sítios ainda mais distantes é algo que só o autódromo pode fazer. Para isso, que se levantem as necessidades de inclusão do autódromo na graduação exigida pela FIA e que se busquem as parcerias que possam suprir essas necessidades.

O resto vai ser história contada por alguém munido das informações que os fãs das corridas sempre buscam, por vezes nas fontes erradas.



19/03/2013 16h17

Automobilismo refrigerado

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Dei uma passada hoje cedo pelo autódromo de Cascavel. Salvo engano, foi a primeira do ano. Por lá estavam o Thiago Marques, capitão da Sprint Race, e um pequeno séquito de profissionais envolvidos até o pescoço com testes de desenvolvimento do carro da categoria, que terá em 2013 seu segundo campeonato.

Além do trabalho contínuo de equalização dos carros, que é sempre um desafio considerável, o Thiago, que foi à pista, testou um novo sistema de refrigeração. No do carro, mas do piloto. Um dispositivo que vem sendo desenvolvido há dois anos pela Embraco, fabricante de compressores que abastece uma de cada cinco geladeiras existentes no mundo.

O pequeno compressor de ar, que pesa qualquer coisa em torno de um quilo e meio, deve ser absorvido a partir do ano que vem por algumas das categorias nacionais de automobilismo. Ou várias, ou todas. Pelo que entendi da conversa, que não era comigo, o novo sistema vai substituir as camisetas-serpentinas lançadas alguns anos atrás, que demandam a instalação nos carros de caixas térmicas que, na hora do pega-pra-capar, têm de ser abastecidas com quilos e mais quilos de gelo em cubos. E em casos de corridas sob calor extremo, é sabido, esse gelo derrete antes da metade do percurso.

A refrigeração gerada pelo pequeno compressor é trazida ao piloto por um duto instalado na parte de cima do capacete - ao ver o do Thiago, que não fotografei por absoluta falta de tino jornalístico, lembrei-me de um daqueles capacetes de pilotos de aviões-caça. Parece bem funcional, o novo sistema. Que permite regulagem em um quintilhão de níveis de refrigeração. Cada piloto percebe uma exigência de conforto distinta, afinal.

Os testes com dois carros da Sprint Race no autódromo de Cascavel vão até quinta-feira, e parece que o Thiago vai ter companhia ilustre no trabalho, preciso checar melhor. Foi a primeira vez que um carro da categoria foi levado à pista em Cascavel, onde a categoria terá sua sexta rodada dupla no dia 22 de setembro. O Daniel Kaefer, piloto da cidade na Sprint Race, estava lá, acompanhando tudo.

Preferi não atrapalhar tanto o trabalho do Thiago, saí do autódromo e vim tratar do meu, sem ter conseguido saber dele qual foi a solução encontrada para encaixar no calendário a primeira etapa da Sprint Race em 2013. Que seria, não será mais, disputada no dia 7 de abril em Interlagos, na mesma programação da rodada inaugural da Copa Petrobras de Marcas - categoria onde o Thiago corre. Mas tudo indica que a questão já esteja resolvida e seja anunciada ainda hoje.



18/02/2013 11h52

Truck com campeão mundial na pista

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Hoje estão rolando testes da Fórmula Truck em Interlagos. Hoje e amanhã. Não são treinos coletivos, mas uma agenda em que oito pilotos de cinco equipes lideram o trabalho de preparação e verificação de seus caminhões. Afinal, todo mundo quer chegar a Tarumã, onde o campeonato começa no dia 10 do mês que vem, com o equipamento tinindo.

Os testes em Interlagos têm uma participação, hã, ilustre. Jaime Melo, piloto aqui de Cascavel que vi crescer no kart e que depois disso ganhou o mundo correndo de monopostos e de carros de gran turismo, tem uma experiência inédita com um caminhão da Truck. Vai cumprir algumas sequências de voltas, hoje, no Volvo com que o argentino Luiz Pucci disputou os dois últimos campeonatos.

O Jaime tem um dos currículos mais ecléticos que conheço no automobilismo, pra usar um termo que é mais próprio do meio musical. Já foi inclusive campeão mundial, na classe GT2 do extinto Mundial FIA GT, com Ferrari. Pilotou praticamente de tudo que tenha quatro rodas, inclusive um carro de Fórmula 1 - foi um presente da Williams na virada do século, um teste não lembro onde. É cedo para dizer que ele tenha interesse em participar do campeonato. Pode até ter, e é de se supor que isso passe pelo que vai acontecer daqui a pouquinho em Interlagos.

Claro que a curiosidade do Jaime sobre como é pilotar um caminhão é bem maior que a nossa. E não custa lembrar que muitos pilotos de incontestável calibre experimentaram a Fórmula Truck sem conseguir a devida adaptação. Óbvio, pilotar um caminhão - mesmo com todos os recursos que fazem do caminhão um carro de corrida que alguns comparam ao kart, pelas reações - é diferente de pilotar qualquer outra coisa. Mas, se o Jaime gostar da coisa, pode pintar novidade interessante para o campeonato de 2013. Que, não custa lembrar, já tem dois pilotos cascavelenses confirmados, o incansável Pedro Muffato e o sempre confiável Diogo Pachenki. É Cascavel dominando o mundo também na Fórmula Truck, como não?



14/02/2013 16h10

Touring Racing Club, já em 2013

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A Top Series e a Spyder Race encerraram seus campeonatos brasileiros antes mesmo da última temporada terminar, a Copa Fiat foi descontinuada porque perdeu o apoio da montadora, o Touring Racing Club morreu antes de nascer. Certo? Errado, ao menos no que diz respeito à TRC.

Liguei há pouco para o Marçal Melo, um dos capitães da ideia. Convalesce em casa de um mal excêntrico, o Marçal, que ri do próprio infortúnio. Bendito sejam os que riem quando estão fodidos, hão de bradar determinadas escrituras. Como está tudo bem com o amigo, perguntei do piloto e organizador de campeonato: haverá campeonato, afinal?

Sim, haverá, é o que garante o Marçal. O processo todo sofreu alguns reveses, é verdade. Alguns deles serviram para restabelecer o roteiro todo. A história dos males que vêm para bem em estado puro.

Fio-me no que conversei com o Marçal para tentar traçar aqui um panorama de como está e deixa de estar o TRC. Que não, não é natimorto. As coisas começaram a andar para trás em novembro, em Londrina, onde o João Gonçalves punha à prova a primeira unidade do Subaru Impreza WRX construído para o campeonato. Um escorregão do pé ao fim da reta oposta fez o Joãozinho sair da pista, bater e capotar. Os danos causados ao carro implicaram a necessidade de reconstrução da suspensão dianteira e daí surgiu o primeiro grande contratempo, de ordem burocrática: todo o processo de importação das peças levaria intermináveis 60 dias. Caía por terra, ali, o plano de inscrever o carro nas 12 Horas de Tarumã - a participação permitiria que se fizessem inúmeros testes.

Enfim, diante de um novo problema, uma nova solução. Está praticamente alinhavado um acordo com a gaúcha Moro, que já fabrica os conjuntos de suspensão e agregados dos carros do Brasileiro de Marcas e da Copa Fiat, para produção desses itens. Peças mais baratas, à pronta entrega e, o que é melhor, projetadas para as situações de pista. Assim será feito, pois. O carro, já montado, irá à pista no mês que vem no Velopark, com o polivalente Juliano Moro ao volante. A iminente vinda da Moro para o TRC contempla também a montagem de todos os carros que estarão na pista - já chego lá.

Enquanto se lidava com as consequências do acidente com o primeiro protótipo, o embrião do TRC passava por uma reorganização societária, se é que o termo é esse. O grupo encarregado de efetivar e gerir o novo campeonato ficou mais enxuto. Marçal, João e Leandro Braghin, em resumo, seguem à frente da iniciativa, com consultoria do Paulão Gomes.

Já citei que o carro voltará à pista com Moro no Velopark. A partir desse teste, esperado para a segunda quinzena de março, serão definidas as demais mudanças no carro e, contando daí, estima-se que sejam necessários quase três meses para a conclusão da montagem de todos os carros que vão formar o primeiro grid. Serão 12 na primeira rodada dupla, em junho. Sim, o campeonato vai começar em junho e terá seis etapas, todas na região Sul do Brasil, sempre que possível na programação dos campeonato regionais - pode rolar uma rodada dupla extracampeonato em Interlagos, a título de apresentação.

Já se planeja um intervalo de qualquer coisa em torno de dois meses para depois da primeira etapa, o que viabilizará tempo hábil para a conclusão da montagem de mais carros. Com isso, e diante do calendário estrangulado, surge outra situação atípica para os padrões vigentes: a realização de corridas em janeiro, fevereiro e março, complementando a primeira temporada. Por um lado, coisa estranha para nossa cultura de corridas; por outro, uma alternativa à falta de corridas nessa época.

Os imprevistos são muitos, vê-se. Marçal garante que sua motivação não vai sucumbir aos problemas já surgidos e outros que venham a se apresentar. O Touring Racing Club vai sair do papel, é o que jura, só não ajoelhado porque o mal que o acomete não permite.

Faz questão de fazer um campeonato bem feitinho. Meio que por birra, até.



Luciano Monteiro
Luc Monteiro é jornalista há 23 anos. Teve início prematuro na profissão em 1992, aos 14 anos, na redação do jornal "O Paraná", onde atuou até fins de 2008. Atualmente, Luc atua como narrador de automobilismo na televisão e na internet, nas transmissões de categorias como Brasileiro de Marcas, Porsche GT3 Brasil, Mercedes-Benz Challenge e Sprint Race. Formado em jornalismo em 2009, Luc também integra a equipe da agência jornalística Grelak Comunicação.

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