23/04/2015 16h05

Porsche GT3 Cup em Cascavel! - por Luc Monteiro

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O ano era 2009, meu primeiro lá dentro do campeonato, o palco era a parte de trás da área de boxes do finado autódromo de Jacarepaguá. Eu conversava pouco com o patrão naquela época, mas durante um café arrisquei perguntar sobre a possibilidade de uma etapa do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil cá no autódromo de Cascavel. A resposta foi uma sonora gargalhada, e por um bom tempo não voltei ao assunto. Tinha perguntado por falta de coisa melhor a dizer à mesa, mesmo. Tinha plena ciência de que, na situação de então, o autódromo daqui mal tinha condição de receber os eventos regionais que abrigava a cada mês.

Aí saiu um plano de reforma do autódromo, fins de 2011. Comentei a questão com o chefe em Interlagos, durante a última corrida daquele ano. Em vez de uma gargalhada acompanhada de um "esquece!", ouvi um "se reformarem a gente pode conversar", acompanhado de certo ar de desdém. Uma evolução e tanto. Passaram-se dois anos e, de autódromo já reformado, foi o chefe quem me chamou à conversa, nos boxes do Velo Città. "Como está Cascavel?". Poderia ter respondido que vai bem, obrigado, mas sabia que era do autódromo que ele falava e descrevi o que podia, tomando o cuidado de, mesmo puxando deliberadamente a brasa para a sardinha cascavelense, não levantar falso testemunho e não exagerar.

Aí chegou a primeira etapa de 2015, Curitiba, essas conversas sempre acontecem em boxes de autódromos. Essa última, na verdade, transcorreu dentro da van que conduzia o staff ao aeroporto para os devidos voos de volta, mas começou atrás do box número 9. Puxei com o chefe uma conversa despretensiosa - ok, de despretensiosa não tinha nada - e o resultado é que o autódromo de Cascavel será o 11º do mundo a receber as corridas do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil. Os outros dez, por ordem cronológica atestada pelo Luiz Alberto Pandini, foram Interlagos, Curitiba, Jacarepaguá, Santa Cruz do Sul, Velopark, Buenos Aires, Estoril, Algarve, Velo Città e Barcelona.

Depois de falar a respeito de Cascavel em tantos autódromos, hoje foi a vez do chefe vir ao autódromo de Cascavel, rascunhar tudo o que fosse possível para começar a preparar a inédita etapa cascavelense do campeonato que acabou de completar dez anos de vida. O chefe foi recebido pelo prefeito, pelo secretário, por nós que gostamos de automobilismo. Viu, mediu, anotou, observou, pitaqueou e confirmou: nossa próxima parada vai ser aqui mesmo.

Vai ser um sábado diferente para o público de Cascavel e região, esse 23 de maio, dia das corridas da terceira etapa - o calendário original reservava Interlagos como sede do evento, a mudança foi necessária como decorrência das obras que acontecem por lá.




09/04/2015 13h42

Campo Grande, o retorno - por Luc Monteiro

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Mexamos com mais alguns numerosinhos, coisa que gosto bastante de fazer. O GP Petrobras devolve a Fórmula Truck a Campo Grande depois de quase cinco anos. A contar da data da última corrida, realizada lá a 10 de maio de 2010, terão transcorrido até domingo exatos quatro anos, nove meses e dezesseis dias de distância. Das pistas que saíram do calendário em algum momento e depois voltaram, não terá sido o maior hiato. Essa marca ? nada desejável, diga-se - ainda pertence a Cascavel, que ficou sem ver uma corrida de caminhões de perto por cinco anos, quatro meses e 25 dias entre 2007 e 2012. A pista de Tarumã, em Viamão, chegou perto. De 2008 a 2013, amargou um intervalo de quatro anos, quatro meses e um dia.

Ficar fora do calendário não desmerece autódromo algum. No formato atual o campeonato da Fórmula Truck compreende dez eventos por ano, são 15 os autódromos brasileiros, e por seis anos seguidos tivemos etapas anuais na Argentina, ora em Buenos Aires, ora em Córdoba. Por opção própria, a única competição do nosso automobilismo que não repete pistas dentro de um mesmo calendário - isso aconteceu pela última vez em 2001, com duas etapas realizadas em Curitiba. A particularidade não é suficiente para contemplar todas as pistas com uma etapa anual e o trabalho para se costurar um calendário que contemple o maior número de praças é bem mais complexo do que pode supor quem analisa tudo do alto da sapiência virtual.

A Fórmula Truck tem especial ligação com o Autódromo Internacional de Campo Grande, cujo circuito de 3.433 metros leva o nome de Orlando Moura, desportista cá de Cascavel que acabou sendo o principal responsável pela construção do autódromo. Até agora, é o único autódromo brasileiro inaugurado com uma corrida da categoria, isso no já distante 5 de agosto de 2001, com pole e vitória de Wellington Cirino, na campanha pelo primeiro de seus quatro títulos. O "até agora" corre por minha conta. O Circuito dos Cristais, na mineira Curvelo, está saindo do forno. Uma festa regada a caminhões velozes para marcar sua inauguração seria uma boa pedida. Estaria eu colocando os caminhões à frente dos bois" Saberemos até 2016.

Desde a inauguração do autódromo, foram oito aparições da Truck na Cidade Morena. Cirino, sempre com caminhões Mercedes-Benz, voltaria a vencer em 2003, 2008 e 2010 - situação que o credencia ao chavão "rei de Campo Grande", que certamente alguém da mídia vai usar. Leandro Totti, de Ford, conquistou lá a primeira de suas 16 vitórias na categoria, isso em 2004. Vinicius Ramires, também de Mercedes, ganhou em 2006. Em 2007 foi a vez da vitória de Roberval Andrade, com Scania. Em 2005 a corrida foi suspensa por conta daquele acidente monstruoso na largada, que envolveu 19 dos 23 caminhões inscritos - dele, só se safaram sem qualquer envolvimento Renato Martins, Vinicius Ramires, Fred Marinelli e Felipe Giaffone.

Não vou a Campo Grande desta vez, onde imagino que haverá ritos em profusão acerca das duas décadas da categoria. A primeira corrida da história, cá em Cascavel, vai completar vinte anos poucos dias depois da corrida de domingo - rabisquei algumas reminiscências a respeito no meu blog dias atrás. É uma marca respeitável sob qualquer ponto de vista, e obviamente não falo só do campo esportivo. Sobretudo em tempos de dificuldades generalizadas como os que temos amargado. Minha atenção desta vez se resumirá a acompanhar a transmissão pela TV, que terá comando do Celso Miranda. Pro Celso, não deixa de ser uma volta às origens: foi na etapa campo-grandense de 2010 que ele fez sua estreia como narrador da categoria.




30/03/2015 13h53

À moda da casa - por Luc Monteiro

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Já havia um bom tempo que eu não conseguia pôs os pés no autódromo de Cascavel em dia de corridas do Campeonato Metropolitano de Marcas e Pilotos, culpa absoluta da agenda frenética de outras corridas aqui e ali onde invariavelmente apareço para defender o leite do Luc Júnior - é uma resposta que invariavelmente tenho de dar aos amigos cá da cidade que me cobram aquela aparição durante os eventos caseiros dos quais estive perto por tanto tempo na década passada.

Consegui, no último fim de semana. Abertura da temporada de 2015, o que me levou àquela sessão flash back - foi em 2001 que tudo começou, grid com menos de 20 carros, e estávamos todos lá, pimpões e esperançosos, apostando que todo aquele trabalho daria em alguma coisa. Como deu: foi o Campeonato Metropolitano, à época tratado como "regional", que manteve ativo o automobilismo de circuito pelas bandas de cá. Ele, e por um bom tempo só ele, reunia no autódromo gente disposta a ver corridas.

Foi uma das coisas que me fizeram sorrir no autódromo: gente disposta a ver corridas. Vá lá que São Pedro não colaborou e confrontou-nos com um fim de semana carrancudo e de chuva. E não foi isso que impediu o público de Cascavel de montar tendas e churrasqueiras e posicionar suas caixas térmicas à beira da pista para acompanhar a etapa. É um dom de Cascavel, talvez exercitado em menor dose que em Guaporé ou Tarumã, mas que faz a gente chegar ao autódromo, examinar o panorama e sorrir.

Portão dos boxes adentro, cometi alguns sorrisos de satisfação. A categoria N, que mantém na ativa os carros carburados, passou a ter seu grid próprio. Foi rompido, enfim, o cordão umbilical com as classes A e B, essas ainda formando grid único com seus carros injetados, todos preparados à luz do mesmo regulamento, ficando a subdivisão em uma ou em outra categoria por conta meramente da graduação e do currículo de cada piloto. Isso dá certo em vários outros regionais e também dá certo por aqui.

Programação com quatro corridas. A e B somaram 21 carros na pista. O primeiro grid próprio do Marcas N teve 15 carros, um ótimo início em se tratando de um centro esportivo não tão forte quanto os eixos paulista, mineiro, gaúcho. Méritos todos ao Beto Haus, que arregaçou as mangas e fez com que a causa fosse abraçada - e, como o exemplo vem de casa, pôs na pista até o filho Raul. Exerceu liderança sem vaidades e deve ter sorrido satisfeito quando viu o grid pronto, cheio de potencial para abrigar mais e mais adeptos.

Quanto a resultados, domingo de seis vencedores: uma vitória do Leandro Zandoná e outra do Marcel Sedano na categoria A, uma do Anderson Portes e outra do Paulo Bento na B, uma do Gelson Veronese e outra do André Soffa na N - nessa, o André acabou beneficiado por uma punição em tempo aplicada ao Marquinhos Cortina, que na pista terminou em primeiro, mas tocou o carro de outro adversário e o fez rodar, e o CDA reza que se você tirar alguém da pista leva punição. Dura lex, sed lex.

A próxima etapa do Metropolitano vai acontecer no dia 3 de maio, claro que Autódromo Zilmar Beux. Mais uma em que não darei as caras, por ser o fim de semana da etapa de abertura do Moto 1000 GP em Curitiba. Mais de um mês para todo mundo envolvido preparar o espírito e o equipamento e, a título de sugestão da casa, para que se afine de vez a conversa que pode levar essas corridas às transmissões ao vivo pela televisão. Perto de atingir a idade adulta, o Metropolitano já faz por merecer.




19/02/2015 15h35

Os autódromos e seus nomes - por Luc Monteiro

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Detalhe que passa um tanto despercebido por quem acompanha corridas de carros e motos, uma coisa que sempre me chama bastante atenção é o nome de cada autódromo. Refiro-me aos do Brasil, já que fronteira afora devo saber os nomes de não mais que meia dúzia. Hoje são 14 os autódromos homologados no Brasil e que recebem etapas oficiais dos campeonatos do país. Pode-se dizer que são 15, se considerado o circuito do Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo, que me parece, embora nunca o tenha visitado, ter uma estrutura condizente com uma inserção nos calendários, em que pese seu traçado pouco extenso, de 2.100 metros. O que não deveria servir como critério, posto que o circuito gaúcho do Velopark, onde já correram todas as principais séries do nosso automobilismo, tem 2.278 metros.

Bem, era dos nomes dos autódromos que eu falava. Com a licença dos amigos de Piracicaba, atenho-me aos 14 que figuram nos calendários das competições. Maioria dessas pistas reverenciam, em seus pórticos de entrada, personalidades ligadas ao esporte. São três, por exemplo, as pistas batizadas como Autódromo Internacional Ayrton Senna - todas elas receberão a Fórmula Truck em 2015. A mais antiga delas é a de Goiânia, que fez 40 anos em outubro último. Senna, o piloto, jamais esteve lá, embora tenha sido campeão em um Brasileiro de Kart disputado na cidade. As outras duas são as de Londrina e de Caruaru, inauguradas quando o piloto de Fórmula 1 era vivo, ambas em 1992 - em agosto e em dezembro, respectivamente -. Da mesma forma, Senna jamais esteve em qualquer dos autódromos, o que parece tirar um pouco do sentido de seu nome estar estampado sobre seus portões.

É panorama oposto à aplicação do nome de Nelson Piquet aos autódromos internacionais do Rio de Janeiro e de Brasília. Piquet, ao contrário de Senna, fez carreira no automobilismo brasileiro, disputou e venceu muitas corridas nas duas pistas. Jacarepaguá tornou-se Autódromo Internacional Nelson Piquet por iniciativa do extinto "Jornal dos Sports" em 1988, 11 anos após sua inauguração e 24 anos antes de sua demolição completa por razões que ainda despertam debates acalorados entre a comunidade automobilística. Em Brasília, o autódromo foi inaugurado em 1974 e era batizado como Presidente Médici, questionável reverência ao general de então. O nome do tricampeão de Fórmula 1 lhe foi dado também em 1988. Hoje, o autódromo - que está em fase de interrupção das obras de reforma - integra o Complexo Esportivo Ayrton Senna, o que não deixa de ser irônico dada a rivalidade entre os dois pilotos da F-1, refletida até entre os torcedores de um e de outro.

Há casos em que os nomes dados aos autódromos preservam a própria história do lugar. Em Cascavel, por exemplo, a reforma inaugurada em 2012 trouxe também o batismo por decreto municipal com o nome de Zilmar Beux, que foi, em fins dos anos 60, o grande responsável pelo advento da pista, numa época em que as corridas aconteciam num circuito improvisado nas ruas da cidade - reza a lenda, que é verdadeira, que Beux, durante a construção do autódromo, permaneceu no local por mais de dois meses, sem pôr os pés portão afora. Exagero, claro. Saía vez ou outra para pegar roupas limpas em casa. Beux morreu em 2005, aos 75 anos. O autódromo de Fortaleza, localizado na verdade na cidade vizinha de Eusébio, leva o nome de Virgílio Távora, político cearense que exerceu mandatos como ministro, senador e deputado federal, cargo que ocupava quando o local foi inaugurado, em janeiro de 1969. Távora morreu em 1988, aos 68 anos, vitimado pelo câncer.

Guaporé configura outro caso de reverência à história local. O autódromo de lá, que para mim é o mais agradável do Brasil - definição estranha para se dar a uma pista de corridas... - leva o nome do doutor Nelson Luiz Barro. Tive a satisfação de conhecê-lo pouco mais de dois anos atrás, quando, de saúde já bastante debilitada, foi levado pelos filhos para ver a quantas andavam as obras de reforma do lugar. Cardiologista de formação e piloto de corridas por compreensível diversão, doutor Nelson foi um dos fundadores da Associação Guaporense de Automobilismo, criada no fim da década de 60 com o intuito claro da construção do autódromo. Que acabou inaugurado com a pista asfaltada em 1976, quando a cidade tinha-o como prefeito pela primeira vez. Doutor Nelson tem hoje 77 anos.

José Carlos Pace, morto em 1977 num acidente aéreo no interior paulista, batiza Interlagos, o principal autódromo do país, homenagem justa por sua histórica vitória no GP do Brasil de F-1 de 1975. Emerson Fittipaldi, reconhecido como pioneiro da projeção internacional que o automobilismo do Brasil alcançou, não dá nome a nenhum autódromo, embora também tenha feito carreira no país antes de conquistar a Europa. Seu nome foi dado, nos anos 90, ao circuito oval construído dentro do autódromo do Rio, onde aconteceram cinco corridas da Cart, ou Fórmula Mundial, como a conhecíamos por aqui. O oval foi inutilizado na metade da década seguinte, na primeira etapa da mutilação do circuito para as obras das sedes dos Jogos Pan-Americanos de 2007.

Há três casos em que os autódromos, embora batizados oficialmente com os nomes das cidades onde foram construídos, prestam reverências a personalidades do esporte com o batismo dos circuitos, tal qual ocorreu com Fittipaldi no oval carioca. O Autódromo Internacional de Curitiba, localizado em Pinhais, contempla o Circuito Raul Boesel, primeiro piloto de corridas curitibano a conseguir projeção mundial. No Autódromo Internacional de Campo Grande percebe-se a ocorrência do Circuito Orlando Moura, entusiasta que teve forte atuação no processo que levou à construção do autódromo inaugurado em 2001. No Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul existe o Circuito Oswaldinho de Oliveira, reverência a um dos pilotos de maior destaque do automobilismo gaúcho nos anos 50 do século passado, vencedor de inúmeras das provas importantes da época - a Carretera número 18, seu carro mais famoso, está exposta no Museu do Automobilismo Brasileiro, mantido por Paulo Trevisan em Passo Fundo.

Em Caruaru, um dos três autódromos "sennistas", a pista de corridas foi batizada com outro nome. Lá existe o Circuito Aurélio Batista Félix, homenagem prestada pelos dirigentes pernambucanos ao criador da Fórmula Truck, que ainda em 1997 incluiu o autódromo no calendário da categoria e desde então, mantendo uma das características de sua linha de trabalho - a de promover, por conta própria, obras de melhorias dos autódromos para onde levava seu evento. Neste ano de 2015 caberá novamente a Caruaru a sede da primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck, em corrida marcada para 1º de março. Outra reverência a Aurélio Félix ganha destaque no autódromo de Santa Cruz do Sul, que deu seu nome à torre de controle do autódromo através de lei ordinária municipal assinada em novembro de 2009, quase dois anos após sua morte.

Outros três autódromos não levam nome de ninguém em âmbito algum. Dois deles estão no Rio Grande do Sul, onde o que não faltam à história automobilística são ídolos dignos da homenagem: Autódromo Internacional de Tarumã, em Viamão, e Autódromo Internacional Velopark, em Nova Santa Rita. A outra ocorrência está no Autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu, mais novo dos 14 circuitos brasileiros - foi inaugurado em 2012.




10/02/2015 14h52

Grid recorde à vista? - por Luc Monteiro

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Um hábito que venho alimentando nos últimos anos, quando dá janeiro ou no máximo fevereiro, é o de começar a rabiscar as listas de pilotos que vão disputar os campeonatos de automobilismo do Brasil. Basicamente desde que passei a assinar um modesto blog, o lucmonteiro.com.br. Não deixar de ter conteúdo para apresentar à audiência. Um exercício básico, também. No começo de fevereiro completei 23 anos de atuação no jornalismo, mais de 22 deles orbitando o mundo das corridas de alguma forma, e qualquer um que trabalhe com o automobilismo nesse meio de imprensa tem, acima de curiosidade, a obrigação de saber quem serão os personagens de cada grid em cada temporada. Fazer isso me ajuda bastante na familiarização com os contextos de cada campeonato onde trabalho, seja narrando as corridas ou escrevendo sobre elas. As pessoas que acompanham corridas gostam, também, se sentem parte do espetáculo - como de fato são - e nutrem a necessidade de estarem afeitas a tudo que acontece.

A cada postagem do gênero lá no blog, prontamente anunciada nos canais que mantenho nas ditas redes sociais, tenho recebido perguntas como respostas: quem serão os pilotos da Fórmula Truck? "Dá aí o grid da Truck", é o que pede quem me lê, em resumo. Esse o blog ainda não trouxe - não em 2015, frise-se. Prefiro publicar a lista quando tenho certeza de que está fechada, ou muito perto disso. Seria uma pretensão desonesta tentar antecipar aos fãs das corridas a escalação de um time que não sei se está escalado e pronto para entrar em campo. Mas as anotações que só eu entendo (às vezes, nem eu) no bloco de rascunhos aqui na mesa da agência têm nomes de pilotos e de equipes da categoria em todas as folhas, nas minhas tentativas nem sempre certeiras de chegar ao resultado pretendido pelos que me leem lá no blog. E, ora, por que não tentar? Vamos lá, então. A título de mera especulação, que fique bem entendido.

Na RM Competições, ou MAN Latin America, como queiram, nada muda. Continuam, por mera ordem alfabética, Adalberto Jardim, André Marques, Débora Rodrigues, Felipe Giaffone e Leandro Totti. O conceito dual brand que a equipe importou das ações comerciais da MAN também é mantido, com um deles pilotando um caminhão MAN TGX e os outros quatro inscritos com caminhões Volkswagen Constellation equipados com motor MAN D26 de 12 litros. Talvez não seja mais o Felipe a bordo do MAN. Poderia ser justo aplicar aqui o chavão de que em time que está ganhando não se mexe, mas não é bem assim. Ok, a RM ganhou bastante em 2014, seis corridas com Leandro e uma com Felipe. Mas não é demais lembrar que em 2013 o título foi da Iveco, com Beto Monteiro, e em 2012 da Mercedes-Benz, também com o Leandro. Por outro lado, a RM ganhou dos dois últimos quatro campeonatos, ou três dos últimos seis, ou quatro dos últimos oito, ou ainda cinco dos últimos nove. É uma potência, a equipe.

Serão cinco, também, os caminhões Mercedes-Benz na pista. Dois deles a cargo da equipe Mercedes-Benz/ABF. Wellington Cirino parte para sua 15ª temporada na equipe, tendo agora como companheiro de equipe o Paulo Salustiano. Os caminhões terão pintura parecida com a dos carros da Mercedes na Fórmula 1 e estão ficando lindões. Quem volta a defender a marca é Diogo Pachenki, depois de um ano correndo com Volvo. Ele encara o modelo bicudo, ou de motor avançado, como queiram, da Copacol Truck Racing. A ABF Racing Team tem os outros dois caminhões da marca, ainda sob o asterisco que indica "piloto a confirmar".

A esquadra da Scania também está perto da definição. Na Ticket Car-Corinthians, Roberval Andrade está em vias de anunciar seu novo parceiro, já que Danilo Dirani agradeceu a todos pelos bons anos de convívio e foi tocar a carreira em outras searas. Não tenho ideia de quem possa ser o novo piloto corintiano do grid, mas eu arriscaria dizer que Roberval já o tenha definido - para efeito das minhas contas, portanto, seria vaga preenchida. A Muffatão, baseada aqui em Cascavel, passa a ter pai e filho como pilotos titulares. Pedro Muffato mantém sua trajetória de 15 anos na categoria, enquanto David Muffato sai da equipe de Djalma Fogaça para integrar a do pai. As duas equipes mantêm pacotes técnicos equivalentes, com um caminhão cara-chata - ou frontal, como dizem os especialistas do meio - e um bicudo. Roberval e Pedro seguem apostando na melhor distribuição de peso dos modelos de motor avançado, os bicudos. David e o novo companheiro de equipe de Roberval, nos cara-chata. O quinto Scania do grid, também cara-chata, é o de Alex Fabiano Silva, que torna-se o 104º piloto da história da categoria depois de algumas temporadas de atuação em competições automobilísticas de gran-turismo e turismo no Brasil e no exterior. Alex pilota o caminhão da Max Power Racing, que absorve a estrutura utilizada por Fabiano Brito em seu retorno às pistas na temporada passada.

Entre os pilotos de caminhões Iveco, Luiz Lopes segue dando as cartas na Lucar Motorsports. Jaidson Zini, mais que satisfeito com o ambiente de competições que passou a integrar no ano passado, segue defendendo a Dakarmotors. A ABF mantém outros dois caminhões da marca, os que até 2014 foram utilizados pela Scuderia Iveco. Beto Monteiro, único piloto campeão pela marca até hoje, já deu indicativos sólidos de que está no grid. Novidades virão no decorrer do período. Na lista dos caminhões Volvo, João Marcos Maistro mantém o caminhão da Clay Truck Racing. Régis Boessio, depois de um ano fora da categoria, volta a representar o Rio Grande do Sul ? ao que tudo indica, com equipe própria e também de Volvo. A ABF Motorsport define até a próxima semana quem serão os pilotos de seus dois caminhões Volvo.

Fogaça, é lógico, segue competindo por sua própria equipe, a DF Racing. Passa a pilotar o Ford que atendeu David em 2014. Raijan Mascarello cogitou uma mudança de ares, mas teve uma conversa ao pé-do-ouvido com o chefe de equipe e concluiu que o melhor seria continuar onde está desde que estreou em 2013. Djalma e Raijan serão os dois únicos pilotos do time. Os outros dois Ford do grid são os da goiana Original Reis Competições, que, segundo apontam meus rabiscos aqui, ainda não têm nenhum piloto definido - José Maria Reis está negociando com alguns interessados.

A quem não se deu ao trabalho de contar, chegamos aqui a 20 nomes confirmados - considerado no cômputo o segundo piloto da equipe de Roberval. O grid terá mais, é claro. Os próximos dias nos bastidores da Fórmula Truck serão movimentados pela definição dos titulares dos dois Mercedes-Benz da ABF Racing Team, dos dois Iveco e também dos dois Volvo da ABF Motorsport, além dos dois Ford da Original Reis. Oito vagas ainda em aberto, portanto. Palpites sobre quem possa preenchê-las não me faltam, as combinações possíveis são vastas. Aderindo de novo à ordem alfabética, critério mais justo de todos os tempos, eu poderia citar Alberto Cattucci, Fabiano Brito, Gustavo Magnabosco, Jansen Bueno, o próprio José Maria Reis, Leandro Reis, Marcelo Cesquim, Michelle de Jesus, Rogério Castro, Ronaldo Kastropil e Valmir "Hisgué" Benavides.

Oito vagas em aberto levam-nos à projeção de que o grid possa contar com até 28 nomes nesta vigésima temporada da Fórmula Truck. Seria, ou será, recorde absoluto, superando a marca dos 27 caminhões que alinharam no grid da terceira corrida do ano passado, em Interlagos - a sexta etapa, que marcou a volta da categoria a Santa Cruz do Sul depois de mais de três anos, também teve 27 participantes. Já disse que gosto de bisbilhotar números, e notei aqui que nestas duas etapas, a de São Paulo e a de Santa Cruz do Sul, a Truck superou a marca dos 26 caminhões que formaram o grid de Londrina na sexta corrida de 2008, recorde até então. As etapas de Curitiba, Brasília, Cascavel, Londrina e Goiânia de 2014 também tiveram 26 caminhões. É esse, inclusive, o número em que fecho minha aposta para a corrida que vai abrir o campeonato no dia 1º de março em Caruaru.




30/01/2015 16h08

Brasília e o ex-autódromo - por Luc Monteiro

Etapa da Fórmula Indy que aconteceria no DF foi cancelada

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O Carlos Augusto Senise, dirigente do motociclismo do Distrito Federal, esteve hoje cedo no ex-autódromo de Brasília e deu uma volta pela ex-pista para nos mostrar em que pé pararam as obras de reforma que vinham sendo feitas desde fins do ano passado para a capital do país receber, em 8 de março, a etapa de abertura da Fórmula Indy - todos sabemos que o evento foi cancelado ontem, no fim da tarde. O vídeo está publicado lá no meu blog, aos que tiverem interesse em vê-lo basta acessar lucmonteiro.com.br.

A única providência da Confederação Brasileira de Automobilismo a respeito foi emitir uma nota, que chegou ao meu e-mail às 13h27 de hoje. A nota é muito pobre de conteúdo, não por inaptidão de quem a redigiu, mas pela falta de argumentos da entidade diante da questão. A frase que me chamou atenção na nota: "A CBA espera que, mesmo com o cancelamento da etapa da Fórmula Indy, a reforma já iniciada no autódromo Nelson Piquet tenha continuidade".

Como assim, a CBA espera? Três anos atrás o automobilismo brasileiro vivia drama parecido, com o iminente fim de Jacarepaguá, que o esporte perdeu para a especulação imobiliária. Naquela ocasião, o presidente da CBA, Cleyton Pinteiro, havia prometido aos quatro ventos que todas as medidas judiciais seriam respeitadas e observadas, mantendo o discurso de seu antecessor opositor Paulo Scaglione. Pinteiro havia declarado, ainda, que se fosse necessário acorrentar-se-ia aos portões do autódromo para impedir a demolição.

Foi demolido, e até hoje ninguém o viu perto de portão nenhum.

Figuras de linguagem à parte, se quando prometeu todo o empenho legal, logístico, político e desportivo possível a CBA deixou um autódromo ser destruído, que podemos esperar de um episódio como o de agora, em que a entidade "espera que a reforma tenha continuidade".

Um autódromo a menos no Brasil, podem contar. Os promotores, que já tinham seus calendários de eventos prontos, desdobram-se agora para definir com maior agilidade possível as corridas que haviam agendado para o Autódromo Internacional Nelson Piquet.




20/01/2015 17h51

Mais que os números, os motivos

E o 2015 das pistas será especial para a própria Truck

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A Fórmula Truck será uma das primeiras competições do automobilismo brasileiro a levar seus pilotos à pista nesta temporada. E o 2015 das pistas será especial para a própria Truck, que volta a atingir um número redondo - o de 20 temporadas disputadas. Número que, já é de se esperar, virá acompanhado de atos comemorativos em profusão, tanto no campeonato que vai começar em Caruaru na primeira tarde de março quanto no do ano que vem, quando a categoria completará 20 anos. As quantidades de temporadas e de anos, em casos como esse, nunca batem, trote numérico natural que leva os mais desatentos a duvidar da exatidão da matemática como ciência. Ficou em dúvida também? Conte nos dedos as temporadas e os anos de existência e sua dúvida será arquivada em definitivo.

Gosto desse negócio de fuçar nos números. Foi a brincadeira com os números que levou, no ano passado, à conclusão de que a corrida de setembro em Córdoba seria, e foi, a 200ª - ducentésima, aos que assim preferirem - corrida da história válida oficial. Não é uma contagem simples. Exigiu que se considerasse que os cinco primeiros campeonatos comportaram rodadas duplas, que alguns dos eventos desses anos aconteceram em tom extraoficial, que em 2005 uma corrida deixou de ser considerada porque um acidente na largada tirou quase todos os caminhões de combate, e por aí vai. A se manter a razão de dez corridas por ano em etapas únicas, como vem sendo desde 2009, o 200º evento oficial - ok, ducentésimo... - será o da terceira etapa do campeonato de 2018.

Disse antes que chegar à temporada número vinte é especial para a Fórmula Truck. E é, como também o foi completar seis, ou nove, ou treze campeonatos. Talvez o vinte chame mais atenção por ser um número inteiro, redondo, deve ter suas bodas simbolizadas por um material mais nobre que seus pares. Deixando os números de lado, já que eles, por si só, têm importância apenas e tão somente para doidos desocupados como eu, o interessante é tentar arrematar, de bate-pronto, tudo que aconteceu nessas quase duas décadas de história - como última curiosidade estatística do bate-papo, lembro que as duas décadas serão completadas em abril próximo, se considerada a primeira das corridas quatro experimentais de 1995, que aconteceu aqui em Cascavel e acabou marcando o início de tudo.

Foi muita coisa. De perto ou de longe, e nos últimos anos tem sido bem de perto, acompanhei com especial atenção o nascimento da Truck, a forma como buscou de seu nível próprio de excelência, os experimentos com que foi conduzida para ser diferente de tudo mais que leva gente a autódromos no Brasil e na América do Sul, seu amadurecimento, a profissionalização, a tênue transição de categoria para caminhoneiros (falavam isso no início) para o campeonato que já teve participação de cinco ex-pilotos de Fórmula 1, a trabalhosa equalização que possibilitou às equipes e às montadoras envolvidas levarem à pista caminhões de corrida de seis marcas diferentes, cada qual com seu peso, sua motorização e suas peculiaridades, e verem todos separados por centésimos e milésimos de segundo.

A categoria chega em 2015 a um imponente número redondo e é natural que haja reflexões, balanços, avaliações e projeções especiais por conta das 20 temporadas. Uma história digna de um livro (quem sabe?) foi escrita em pouco mais de 200 corridas e quase 170 eventos em 16 autódromos de dois países. No instante em que chega a seu vigésimo campeonato e percebe que o tempo passou rápido demais, a Fórmula Truck não apenas revisa o passado para reverenciar os autores dessas primeiras páginas de sua história - e foi muita, muita gente. Mais que olhar para trás, a categoria olha para a frente e começa a preparação das páginas onde vai escrever suas próximas décadas.



21/10/2014 17h28

Cinco em um!

Tudo é possível em 2015!

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Imagine uma programação com corridas da Stock Car, do Brasileiro de Turismo, da Fórmula 3, do Mercedes-Benz Challenge e do Brasileiro de Marcas em um mesmo fim de semana. Sim, todas no mesmo autódromo.

Imaginou? Então agora só espere pelo anúncio oficial, que virá nas próximas semanas. Essa será a novidade da Vicar, promotora dos cinco campeonatos, para a temporada de 2015. Juntar as cinco categorias em um único evento. Não será assim com todo o calendário, claro. Algumas das etapas terão uma ou outra categoria a menos.

Tomando por base as últimas etapas de cada campeonato, o novo evento reunirá mais de 120 carros e mais de 130 pilotos - Marcas, Turismo e Challenge permitem inscrição em duplas. Ontem, em Curitiba, perguntei ao Maurício Slaviero, capitão da Vicar, qual autódromo brasileiro teria condições para abrigar o gigantismo desse novo formato. A resposta veio natural: "Todos eles". Fez cara de quem sabia o que estava falando, inclusive.

Aliás, a título de acomodar mais adequadamente minha colocação de que as cinco categorias em questão são promovidas pela Vicar, cabe citar: o Campeonato Brasileiro de Turismo tem seu registro na Confederação Brasileira de Automobilismo pela Marques e Marques, empresa dos irmãos Gue e Gerson Júnior, que promovem a categoria de acesso em parceria com a Vicar, dentro de seus eventos. O mesmo ocorre com o Mercedes-Benz Challenge, que tem promoção da Mercedes-Benz do Brasil.





21/10/2014 12h17

Marco Romanini e Ingmar Biberg formam dupla para 28ª Cascavel de Ouro

Dupla cascavelense fará na próxima semana primeiro teste

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Corrida de longa duração mais tradicional do automobilismo paranaense, a Cascavel de Ouro terá no feriado de 15 de novembro a 28ª edição em seus 47 anos de história. O regulamento desportivo para este ano foi formatado de modo a acolher os carros que integram o grid do Festival Brasileiro de Marcas e Pilotos 1.6, que baliza todas as competições regionais da categoria no país. A previsão é de que o grid reúna perto de 35 carros de vários estados.

Entre as equipes de Cascavel com participação confirmada na Cascavel de Ouro está a Stumpf Preparações. A equipe comandada pelos irmãos Muriel Stumpf e Jorge Stumpf Júnior será representada por Marco "Tiko" Romanini e Ingmar Biberg, titulares do Renault Clio número 88 que terá layout composto pelas cores de Abraplac Compensados, Open Veículos e Auto Posto Maçarico. A corrida, com três horas de duração, vai marcar a estreia do carro.

O Clio com que Romanini e Biberg vão participar da Cascavel de Ouro está em fase final de montagem na sede da Stumpf Preparações. "A equipe fez um trabalho muito meticuloso, antecipando a solução para a maior parte das dificuldades que vão aparecer", diz Romanini, que voltará a competir depois de um ano - sua última atuação deu-se na penúltima etapa do Brasileiro de Marcas, disputada em Cascavel no dia 17 de novembro de 2013.
Biberg vai participar da Cascavel de Ouro pela terceira vez - participou em 2003, quando formou dupla com Marlon Bastos e abandonou por conta de problemas mecânicos, e em 2005, quando chegou ao sexto lugar ao lado de César Chimin. "Fomos a primeira dupla inscrita, o trabalho agora é para sermos também a primeira dupla a terminar a corrida", diz, em tom de bom-humor. "E o que não vai faltar até o dia da corrida é trabalho", ele acrescenta.

Com duração de três horas e mais uma volta o traçado de 3.058 metros do Autódromo Zilmar Beux, a 28ª Cascavel de Ouro será disputada por duplas e trios. A equipe campeã receberá o tradicional troféu que destaca a serpente de ouro - para o segundo e o terceiro lugar, o Automóvel Clube de Cascavel providenciou os troféus Cascavel de Prata e Cascavel de Bronze. As equipes estimam entre três e quatro paradas nos boxes para reabastecimento.

Disputada pela primeira vez em 1967, a Cascavel de Ouro experimentou vários formatos e acolheu categorias em seus quase 50 anos de história. Sua galeria de campeões destaca nomes de grande projeção no automobilismo - o maior expoente desse grupo é Nelson Piquet, que venceu a sétima edição, em 1976, pilotando um Super Vê. A última edição, em 2012, teve vitória de Paulo Bonifácio e Sérgio Jimenez, com um Mercedes-Benz SLS AMG.

CASCAVEL DE OURO ? GALERIA DE CAMPEÕES
(Os vencedores de todas as 27 edições da corrida)
1967 - Rodolfo Scherner/Bruno Castilho (Laranjeiras do Sul/Curitiba), Simca
1970 - Sérgio Valente Withers (Curitiba), Volks Divisão 5
1971 - Pedro Muffato (Cascavel), Puma Spartano
1973 - Francisco Lameirão (São Paulo), Avallone
1974 - Pedro Muffato (Cascavel), Avallone
1975 - Pedro Muffato (Cascavel), Avallone
1976 - Nelson Piquet (Brasília), Super Vê
1980 - Marcos da Silva Ramos (Curitiba), Chevette
1982 - Aroldo Bauermann (Porto Alegre), Fórmula 2
1983 - Edgar Favarin (Cascavel), Fusca
1984 - Cláudio Elbano (Curitiba), Passat
1985 - Saul Mário Caús (Cascavel), Opala
1986 - Dilso Sperafico (Toledo), Hot-Fusca
1987 - Aloysio Ludwig Neto (Cascavel), Dodge
1988 - Ruy Chemin (Cascavel), Dodge
1989 - Marcos Corso (Curitiba), Passat
1990 - Edgar Favarin/Clênio Faust (Cascavel/Francisco Beltrão), Passat
1991 - Edgar Favarin/Milton Serralheiro (Cascavel), Gol
1992 - Constantino Júnior (Brasília), March-Honda Fórmula 3
1993 - Cláudio Girotto/Lourenço Barbatto (São Paulo), Aldee
1994 - Edgar Favarin/David Muffato/Gilson Reikdall (Cascavel/Cascavel/Curitiba), Aldee
1996 - Edgar Favarin/Valmor Emílio Weiss (Cascavel/Curitiba), Gol
1997 - Valmor Emílio Weiss/Antônio Espolador (Curitiba), Gol
2003 - Flávio Poersch/Aloysio Ludwig Neto (Cascavel), Voyage
2004 - David Muffato/Ruy Chemin (Cascavel), Escort
2005 - Edgar Favarin/Flavio Poersch (Cascavel), Escort
2012 - Sérgio Jimenez/Paulo Bonifácio (Piedade/São Paulo), Mercedes-Benz SLS AMG






02/05/2014 07h50

Há 20 anos

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"Senna tenta fazer as pazes com a vitória no GP de San Marino". Foi esse o título com que abri uma das páginas do caderno de esportes do jornal O Paraná na edição de 1º de maio de 1994. Não fui pesquisar, lembro do título. Foi um texto frio, e do texto não lembro, que escrevi na noite de 27 de abril, quarta-feira. Aquela semana que antecedeu o GP da morte em Imola foi de uma agenda extremamente estrangulada para mim por conta de coisas do automobilismo que passavam bem longe de Imola.

Com um ano e poucos meses de lido com as coisas das corridas nas páginas do jornal, onde trabalhava desde fevereiro de 1992, meu convívio direto com corridas resumia-se às poucas etapas do Campeonato Paranaense de Automobilismo que havia acompanhado no autódromo aqui de Cascavel. Já tinha um certo entrosamento com os pilotos daqui, começava a conhecer alguns de fora, procurava noticiar tudo que fosse possível sobre as corridas do Brasil tomando como base os press-releases que, em temos pré-internet, chegavam por telex, por fax, por correio.

Estava entrando no meio, entrosamento que para o nível aqui do Paraná evoluiu bastante em 1993, sobretudo pela influência do Milton Serralheiro, à época piloto de corridas. Era na verdade uma quase cobrança do Milton, a quem muita gente que conheço deve os primeiros passos que deu em alguma coisa na vida, talvez nem sempre no caminho correto. Foi assim comigo nas corridas. Foi ele, o Milton, o cara que me obrigou a ir atrás dos pilotos para saber quem era quem e corrida de quê, que me colocou num kart e me fez treinar e correr por quase dois anos para ter noção do que era ser piloto de corridas, o que me permitira escrever e falar, à época só escrever, "com mais propriedade", segundo ele próprio dizia.

A correria alucinante daquela última semana de abril também foi obra do Milton. 1º de maio era o dia da abertura do Paranaense, corridas de Speed Fusca, Marcas, Fórmula A e Endurance no ainda mambembe autódromo de Curitiba. "Vamos comigo, você tem que estar nas corridas, não pode ficar escrevendo de casa", intimou o Milton. Era uma chance de ouro, aquela. Seria coisa inédita pisar em uma pista de corrida que não as de Cascavel. O empecilho que eu tinha para isso: não havia ninguém disponível ou disposto a me substituir no fechamento do esporte do jornal. Tempos sem internet, impossível fazer tudo de longe.

A saída foi providenciar material suficiente para fechar as páginas de quinta-feira, de sexta, de sábado e de domingo antes de embarcar na perua Quantum do Milton, com a então esposa dele, a Neide, e o Toco, filho caçula, à época um pirralho de sete ou oito anos, a caminho de Curitiba. Não havia verba do jornal para a viagem, claro, até porque a ida a Curitiba, ou Pinhais, como queiram, beirava a insubordinação pelos costumes da empresa. Mas fui, tinha hospedagem na casa de seu Juvenal e de dona Natália, os pais da Neide, o Milton deu uma força também.

Eu tinha 16 anos e era doente por corridas de F-1, havia deixado de assistir apenas duas até então desde que comecei com essa mania em 1989 - a do Japão, em 1989 mesmo, porque não consegui acordar na hora certa, e a da Itália, em 1992, porque a turma do grupo de jovens da igreja armou um almoço não sei onde e acabei trocando a F-1 pelo almoço. Minha mãe achou estranhíssimo. Mas, naquele fim de abril, a cabeça estava só nas corridas de Speed Fusca, de Marcas, de Fórmula A e de Endurance. O Milton corria em duas delas, a Speed e a Fórmula A, e tinha acertado um contrato de patrocínio com o cunhado, que representava várias marcas internacionais de máquinas. O carro de Fórmula A foi levado a Curitiba com o layout básico e um pintor contratado pela Latino Americana Import-Export, a empresa de Jair, o cunhado, aplicaria as logos dessas marcas. Adesivos eram um luxo inimaginável para a época, e a pintura das logos consumiu boa parte da madrugada de sexta-feira, e lá ficamos todos nós, plantados ao lado do carro, acompanhando o trabalho meticuloso do pintor embrulhados em cobertas. Fazia um frio de rachar.

O carro foi para a pista na sexta de manhã com a tinta ainda fresca e as logos aplicadas ganharam, digamos, efeitos de velocidade. As bordas de cada desenho acabaram borrando a carenagem, e assim a carenagem ficaria até o carro ser vendido dois ou três anos depois. E era dentro do cockpit daquele Fórmula A número 1 - o Milton tinha sido campeão paranaense em 1993 - que eu dormia no domingo pela manhã, quando outro monoposto, com o número 2, explodiu em um muro na Itália e mudou a maneira como o Brasil passou a se portar no automobilismo mundial. O carro estava no parque fechado depois do warm up e o Milton pediu que eu e o Amarildo Silva, seu mecânico, que nos revezassem ao lado do carro para garantir que ninguém iria mexer, sei lá qual era o temor. Tinha ido dormir bem tarde no sábado, estava com sono e meu turno de vigia compreendeu aquela soneca providencial.

"O Senna bateu", me disse a Neide, quando voltei aos boxes de Curitiba. Mentalmente, ao mesmo tempo em que tirei sarro de mim mesmo pelo título da matéria na página de esportes do meu jornal, fiz a conta dos 30 pontos que Schumacher abriria de vantagem no campeonato. Não atinei para a gravidade da coisa, apesar de ter visto a situação toda por uma pequena TV em preto e branco com tela de 14 polegadas naqueles boxes capengas do velho autódromo de Curitiba. Era um grande fã de Senna, tinha começado a acompanhar corridas porque ele ganhou as três primeiras a que assisti; aquele sujeito é imorrível, é o que devo ter pensado.

Bem, Milton ganhou a corrida da Speed Fusca. Na da Fórmula A, era pole-position e liderava com meia pista de vantagem sobre o segundo colocado quando escapou um fio da bobina do carro número 1 perto da curva do Pinheirinho, ele desceu do carro e teve de descascar o fio com o dente para reconectá-lo e voltar à corrida - terminou em quinto e a vitória foi do Valter Siqueira, quase certeza que a única da carreira dele na categoria. E fazer o dente de ferramenta custou ao Milton mais de 800 pratas em tratamentos no consultório odontológico da doutora Gislaine.

Foi momentos antes da corrida da Fórmula A que tive dimensão do tamanho do estrago. Escalando uma torre de madeira mais capenga ainda para filmar a corrida, também a pedido do Milton, encontrei o pessoal da TV Record e perguntei se havia mais notícias sobre Senna. Cabrini havia acabado de anunciar sua morte cerebral na Globo. Agradeci e continuei minha escalada. Parece que o cérebro da gente se condiciona a não processar informações indesejáveis. Foi só depois de uns 20 minutos, já com a corrida em andamento, que me caiu a ficha - cacete, se teve morte cerebral é porque morreu.

A viagem de volta a Cascavel, que consumiu a madrugada de segunda-feira, foi de choro. O pessoal da redação estava preocupado com como eu poderia estar mal, todo mundo sabia o quanto eu gostava de F-1 por causa de Senna, era um grande torcedor do cara - que, ouvi tempo depois, tinha viagem marcada a Cascavel para negociar fazendas com um latifundiário daqui. O jornal não circulava às segundas-feiras e, para os parcos recursos que tínhamos à mão, produzi uma página até bem-feitinha para a edição de terça, 3 de maio. A morte de Senna foi manchete daquela edição. "Brasil chora inconformado a morte de Ayrton Senna", foi o título da capa, puxei de memória também - vou tentar resgatar com o pessoal do O Paraná aquelas edições. Uma manchete editorialista, segundo definiu o chefe Toninho Sbardelotto ao defender o assunto na reunião de pauta da primeira página com o editor Idjalmas Bertollo, que não concordava em dar como manchete um assunto de dois dias antes.

É tudo que me passa pela cabeça quando lembro do 1º de maio de 1994 e seus desdobramentos. Viagem, pintura de um carro, soneca, discussão e editoração fora do padrão. Seria forçoso, até errado, tentar dizer que Senna fez parte do início da minha trajetória. Não fez.

Mas foi o cara que me colocou no caminho desse negócio de corridas de carros.



Luciano Monteiro
Luc Monteiro é jornalista há 23 anos. Teve início prematuro na profissão em 1992, aos 14 anos, na redação do jornal "O Paraná", onde atuou até fins de 2008. Atualmente, Luc atua como narrador de automobilismo na televisão e na internet, nas transmissões de categorias como Brasileiro de Marcas, Porsche GT3 Brasil, Mercedes-Benz Challenge e Sprint Race. Formado em jornalismo em 2009, Luc também integra a equipe da agência jornalística Grelak Comunicação.

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