20/07/2017 18h01

Caruaru, a Copa Truck e meu Corsinha - por Luc Monteiro

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Duas semanas atrás, pela primeira vez, estive num evento da recém formatada Copa Truck. É bem verdade que estive em Caruaru movido por interesses estritamente pessoais: além de participar da etapa preliminar do evento, a prova de abertura do Pernambucano de Marcas e Pilotos, fui lá para levar pessoalmente o convite às equipes do Nordeste para que integrem pelas bandas de cá o grid da edição cinquentenária da Cascavel de Ouro. Esse tipo de interação é sempre positivo, não só para amealhar contatos na agenda como para conhecer um pouquinho mais a fundo esse lado de cá do balcão no que diz respeito às corridas de carros. Foi um fim de semana intenso, cansativo e prazeroso, em resumo, aquele em Caruaru, onde eu jamais havia visto chuva - o rapaz da lanchonete montada ao lado do acesso aos boxes me falou que não chovia por lá havia sete anos, não sei dizer se foi conto de mentiroso.

Fui lá tratar da minha vida, como já disse, mas seria impossível não atentar para o andamento do novo campeonato. Os episódios que levaram à criação da Copa Truck no primeiro semestre todo mundo que acompanha o nosso automobilismo já sabe, e quem não sabe é por não ter o menor interesse no assunto, então não vale a pena esmiuçar o assunto. Uma programação bem movimentada e cheia de ações alternativas, como a disputa de arrancada com caminhões entre Roberval Andrade e Beto Monteiro, um levando o escudo do Corinthians e outro o do Sport Recife, ambos pilotos da Iveco, ou o Speed Truck, com os pilotos levando convidados em voltas rápidas pela pista com seus próprios caminhões de competição - dei uma volta de carona com o Adalberto Jardim antes da minha corrida, a fim e tentar assimilar alguma coisa das exigências do traçado de lá, e o que de mais contundente trouxe daquela volta rápida foi uma dor no pescoço que durou dois dias.

As etapas são divididas em duas provas distintas, o que não deixa de ser uma novidade em se tratando das corridas de caminhões, e têm transmissão ao vivo dos canais SporTV, os mesmos que transmitem o campeonato da Stock Car. A decoração dos boxes é padronizada, e o padrão é muito atrativo. Na pista, coisa de que eu mesmo duvidava quando comecei a ser alcançado pelos boatos de que a Copa Truck estava a caminho diante de conflitos entre os interesses dos pilotos e dos organizadores da Fórmula Truck, há caminhões de seis marcas - Ford, Iveco, Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen-MAN (tem um MAN, também, mas entra na mesma conta) e Volvo. Bati um papinho com o Carlos Col, ex-promotor da Stock Car e atual consultor da Copa Truck, outro com minha eterna chefe Vanda Camacho, que é uma fofura de pessoa, bati papo com muita gente naquele evento que, do salto do papel para a realização da primeira etapa, consumiu apenas 40 dias. Deve ter sido uma correria frenética.

Bati um papo, também, com o Dadai. Para os que não sabem de quem se trata, Waldner Bernardo, presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, sujeito que conheci alguns anos atrás à mesa no Algarve, onde degustamos as delícias típicas de Portugal - no meu caso, uísque e pizza de calabresa. Dadai, como eu, ainda não tinha estado em nenhuma das etapas da Copa Truck. Em princípio, bastante natural vê-lo por lá. Mora em Recife, a uma horinha e pouco de carro do autódromo de Caruaru. É da casa. O que me chamou atenção foi ver o Dadai perambulando por lá trajando sua camisa da CBA impecavelmente passada. Ué, veio a trabalho?, perguntei, para ouvir dele que sempre está nas pistas a trabalho, algo nesse sentido. Pedi algum prognóstico para as corridas de caminhões de 2018, visto que há pouco a CBA rompeu o contrato que conferia à Fórmula Truck a organização do Campeonato Brasileiro. Dadai respondeu só que é muito cedo para falarmos disso, e passou ele a me fazer perguntas, sobre o meu Corsinha de corridas, e ainda tirou uma casquinha, disse que se já não bastasse me aturar como repórter e narrador, agora tinha de lidar comigo na condição de piloto também. Foi um papinho bem descontraído.

Quanto à minha corrida em Caruaru, aliás, pouco a relatar. Nada, na verdade. Dificuldade nos treinos com uma falha no carro e com a total falta de conhecimento da pista e uma participação que na verdade nem aconteceu, porque o carro teve problema e fui empurrado do grid para os boxes já depois da volta de apresentação. Essas coisas acontecem em corridas, a gente fica puto no momento e depois passa. A inscrição em Caruaru, aliás, valeu um convite bastante especial do Paulo Plutarcho, amigo cearense que conheci nas corridas paulistas, para estar com a Copa Truck e a preliminar da categoria Marcas e Pilotos também neste fim de semana em Fortaleza. Cheguei a comprar as passagens, mas no início da semana, durante curtas férias com meu filhão no interior paulista, desisti de correr em Fortaleza. Dá uma pontinha de arrependimento, mas ainda acho que, para o momento, tomei a melhor decisão. Vida que segue, e temporada também.





23/05/2017 11h48

Copa Truck com 20 caminhões - por Luc Monteiro

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Uma semana de novidades no automobilismo brasileiro. Uma delas, a estreia do Campeonato Brasileiro de Turismo 1600, com a primeira etapa aqui em Cascavel. Uma categoria que devolve ao âmbito nacional, depois de duas décadas, a disputa entre pilotos de carros com motores 1.6 fabricados no Brasil - o regulamento admite, na verdade, todos os modelos produzidos no Mercosul.

A outra novidade do nosso esporte sobre quatro rodas tem seis: é a Copa Truck, que dá largada à sua primeira temporada em Goiânia, em uma programação de pista conjunta com a da terceira etapa da Copa Centro-Oeste de Marcas e Pilotos. O autódromo vai acolher, ainda, um evento organizado pelo Planeta Caminhão que vai reunir centenas de caminhoneiros e suas "naves" no autódromo, com direito a premiação aos participantes e tudo mais. O primeiro grid da Copa Truck será composto por 20 caminhões de seis marcas.

A RM Competições terá seis caminhões Volkswagen-MAN no grid, um a mais que quando atuava na Fórmula Truck. Em Goiânia, a equipe promove a estreia dos paulistas Vinicius Palma e Rodrigo Belinatti, pilotos que tiveram formação automobilística na Spyder Race. Renato Martins, decano das corridas de caminhões no Brasil, deixa de ser só chefe de equipe e volta a pilotar, tendo ainda a esposa Débora Rodrigues, David Muffato e Adalberto Jardim como companheiros de equipe. Felipe Giaffone, titular da RM, não participa da etapa goiana, em que terá Palma como substituto. O tetracampeão brasileiro estará em Indianápolis como comentarista da Band na transmissão da Indy 500.

São quatro, em princípio, os Scania no grid. Um deles é o da RVR Motorsport, equipe de Roberval Andrade que mantém a parceria com o Sport Club Corinthians Paulista. Danilo Dirani, de volta às corridas de caminhões depois de três anos, é o titular. Andrade, dono de dois títulos brasileiros, deverá assumir um segundo caminhão do time na sequência da temporada - por ora, corre com o Iveco da Dakarmotors, equipe de Carlos "Paraguai" Assis pela qual já competiu em parte da última temporada da Fórmula Truck. Outros dois caminhões Scania estão na Luhrs Motorsport. São os Scania que integravam a equipe de Pedro Muffato, desativada ao fim da última temporada. Um modelo de cabine frontal, o chamado "cara-chata", é pilotado pelo catarinense Joel Mendes Júnior. Outro, de motor avançado, ou "bicudo", é o do paranaense Duda Bana, que ensaiou em fevereiro um contato definitivo com os brutos de competições, mas acabou adiando para agora o novo passo da carreira.

A Original Reis Competições, equipe goiana de pilotos goianos, responde pelo quarto Scania do primeiro grid do ano, o de José Maria Reis, que também é o chefe de equipe. O time assume uma façanha neste início de história da Copa Truck, inscrevendo caminhões de marcas diferentes. O outro, um Ford, tem como piloto Pablo Alves, destaque das competições regionais de Marcas e Pilotos. Há ainda os Ford da DF Racing Fans. Djalma Fogaça e seu filho Fábio são os pilotos das duas máquinas. Fabinho tem sua própria equipe, também com um caminhão Ford, que tem estreia prevista para a segunda etapa, em Campo Grande. A Iveco também tem três caminhões na pista. Além de Andrade pela equipe do "Paraguai", a marca se faz representar pela Lucar Motorsport, com os pilotos Beto Monteiro e Luiz Lopes.

A Mercedes-Benz se apresenta com dois caminhões. A AM Motorsport, equipe de André Marques, trabalha em ritmo frenético na montagem do equipamento. André, piloto de um dos caminhões, garante que os dois estarão prontinhos da silva a tempo do embarque para Goiânia. Seu companheiro de equipe é Wellington Cirino, piloto de caminhões há duas décadas e também tetracampeão brasileiro. A Volvo, igualmente, chega com dois pilotos em ação. O paranaense Leandro Totti e o gaúcho Régis Boessio são os pilotos da Clay Truck Racing, equipe chefiada pelo também piloto João Marcos Maistro.

Os pilotos da nova Copa Truck não fazem a menor questão de disfarçar a alta expectativa pelo momento. A partir da sexta-feira os caminhões estarão na pista, e a etapa vai ser transmitida no domingo, a partir das três da tarde, pelo canal SporTV 3.

A seguir, a lista dos 20 nomes que vão dar início a essa história.

5 -Adalberto Jardim (SP/Volkswagen-MAN), RM Competições

6 - Wellington Cirino (PR/Mercedes-Benz), AM Motorsport

7 - Débora Rodrigues (PR/Volkswagen-MAN), RM Competições

8 - Vinicius Palma (SP/Volkswagen-MAN), RM Competições

9 - Renato Martins (SP/Volkswagen-MAN), RM Competições

11 - Rodrigo Belinatti (SP/Volkswagen-MAN), RM Competições

12 - José Maria Reis (GO/Ford), Original Reis Competições

15 - Roberval Andrade (SP/Iveco), Dakarmotors

27 - Fábio Fogaça (SP/Ford), DF Racing Fans

28 - Danilo Dirani (SP/Scania), RVR Motorsport

33 - Pablo Alves (GO/Ford), Original Reis Competições

35 - David Muffato (PR/MAN), RM Competições

44 - Joel Mendes Júnior (SC/Scania), Luhrs Motorsport

47 - Duda Bana (PR/Scania), Luhrs Motorsport

72 - Djalma Fogaça (SP/Ford), DF Racing Fans

73 - Leandro Totti (PR/Volvo), Clay Truck Racing

77 - André Marques (SP/Mercedes-Benz), AM Motorsport

83 - Régis Boessio (RS/Volvo), Clay Truck Racing/Boessio Competições

88 - Beto Monteiro (PE/Iveco), Lucar Motorsports

99 - Luiz Lopes (SP/Iveco), Lucar Motorsports




08/05/2017 12h06

A hora dos marquinhas - por Luc Monteiro

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As atenções do automobilismo costumam ter focos preferenciais e bem definidos. O megaevento da Stock Car e suas categorias coligadas. A luta da Fórmula Truck para se reinventar e retomar seu potencial ao mesmo tempo em que outra categoria de caminhões, a Copa Truck, tem data marcada para a primeira largada. O crescimento consolidado do Porsche Império GT3 Cup, como evento e como competição esportiva. O ressurgimento, mais um, da Fórmula 3. O novo e positivo momento do Endurance, agora calçado pelo patrocínio e pelo forte mote promocional da Dopamina. E por aí vai. São os assuntos das nossas rodas.

Uma lista de pautas que, cada vez mais, passa a ser frequentada pela categoria Marcas e Pilotos 1.6. Sim, o "marquinhas" (os pilotos odeiam essa definição), comendo pelas beiradas, está ganhando seu espaço. É a base da ascendente Cascavel de Ouro, ganhou atenção também do automobilismo paulista com a recente implantação do Endurance Interlagos, específico para os modelinhos de produção em série, tem bons campeonatos regionais em todos os cantos do país - no Rio Grande do Sul, inclusive, desmembrada em uma versão 1.4 e outra, 1.6, que agora ganha pneus slick -, contabiliza com facilidade qualquer coisa em torno de 400 praticantes no automobilismo brasileiro.

É diante desse potencial todo que se formatou o ressurgimento do Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos 1.6. O nome, na verdade, não é esse. É Campeonato Brasileiro de Turismo 1600, que particularmente não me agrada. Acho que a expressão "Marcas e Pilotos" tem bastante peso. Eu a teria usado. Mas não foi minha a iniciativa de promover o Brasileiro. Foi do Ítalo Carrareto e do Ângelo Correa. Na verdade, não só deles. Há um batalhão de automobilistas mobilizados em torno disso. O Ítalo, que é de Brasília, e o Ângelo, que é de Goiânia, estão à frente desse trabalho conjunto. A Scuderia JK, empresa do Ítalo, é que tem o contrato de concessão da Confederação Brasileira para promoção e realização do novo campeonato.

O formulário de pré-inscrição lançado no site brasileirodeturismo1600.com reuniu em poucos dias quase 80 carros, todos de pilotos ávidos por levar suas atividades dos campeonatos regionais a um Brasileiro. Convenhamos, muitos deles não vão correr. Deram seus nomes no calor do momento. Mas arrisco que apostar em um grid com qualquer coisa em torno de 40 ou 50 carros na primeira etapa, dia 28 em Cascavel, é tiro certeiro. Os carros seguirão um regulamento técnico que, após meses de discussão, ficou o mais próximo possível dos regulamentos praticados nas competições regionais - já falei por aqui sobre a necessidade de uma equalização de âmbito nacional desses regulamentos, é coisa que precisamos buscar de forma efetiva e rápida. Em termos desportivos, serão três as categorias em disputa: A e B, categorias de graduação que dispensam apresentação, e Máster, esta voltada aos pilotos com idade mínima de 50 anos.

Depois de mais de duas décadas sem um Brasileiro de Marcas e Pilotos, a chegada do Brasileiro de Turismo 1600 acaba promovendo algo como uma inclusão social no automobilismo, levando ao cenário nacional pilotos que normalmente não teriam tal condição diante dos custos altos das ditas categorias top. Em termos de divulgação e exposição, o novo campeonato oferece, de cara, a transmissão ao vivo de suas corridas na televisão e na internet. Os pilotos podem participar em dupla ou em atuação individual. A taxa de inscrição para cada carro é de R$ 1.800 por etapa e os procedimentos estão todos indicados no site já citado.




12/04/2017 16h33

Copa Truck - por Luc Monteiro

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Enquanto do outro lado da rua em Santana do Livramento a Fórmula Truck prepara o segundo evento do calendário do Campeonato Brasileiro, reunindo grid com 12 caminhões na pista de Rivera, no Uruguai, as equipes que se retiraram da categoria por divergências e discordâncias com a gestão de Neusa Navarro Félix dão seu primeiro passo em público no que diz respeito ao surgimento da nova competição automobilística de caminhões do Brasil, que muito tem sido especulada e mesmo posta sob dúvida nos últimos meses.

Copa Truck. Esse será o nome do novo campeonato, segundo press release de João Alberto Otazú. Seis etapas de maio a dezembro, em três regiões brasileiras e com uma subdivisão em copas regionais - a Nordeste, a Centro-Oeste e a Sudeste. As pistas que formam o calendário de eventos, até por dedução óbvia, são Goiânia, Campo Grande, Caruaru, Fortaleza, Curvelo e Interlagos, muito embora o nome "Interlagos" não seja mencionado no comunicado. Não conheço outro autódromo na cidade de São Paulo e não imagino uma corrida de caminhões em pista de rua, enfim.

O Sul ficou fora. A considerar o calendário divulgado horas atrás, as corridas de caminhões em Cascavel, Londrina, Curitiba, Velopark e Guaporé em 2017 serão, ou terão sido, as da Fórmula Truck. As pistas de Santa Cruz do Sul - onde autoridades municipais foram à imprensa acusando a Fórmula Truck por insolvências - e de Tarumã, em Viamão, não entraram no calendário de nenhuma das duas. As duas etapas nordestinas da Copa Truck têm apenas duas semanas de intervalo entre si, ambas em julho, pela óbvia complexidade da operação logística. Não há etapas previstas para os meses de agosto, setembro e novembro. Sei lá, essa janela poderia até comportar uma Copa Sul.

O site Grande Prêmio, ao repercutir o comunicado da Copa Sul, informou que o domínio do site do novo campeonato foi registrado em nome de Carlos Col. Quem acompanha corridas sabe quem é o Col, não preciso apresentá-lo.

A íntegra do comunicado que veio hoje anunciando a Copa Truck segue abaixo.

Copa Truck anuncia parceria e calendário

Categoria de caminhões de competição começa em maio, promovida pela Sport Promotion

A Associação Nacional de Equipes de Truck (ANET) fechou acordo de parceria com a Sport Promotion Marketing Esportivo, conceituada empresa deste segmento, para promover o evento esportivo de corrida de caminhões que visitará vários Estados de todo o País já em 2017.

Formada por nove equipes e seus respectivos pilotos, a ANET anuncia que a primeira prova da temporada, de um total de ao menos seis será realizada no dia 28 de maio, em Goiânia (GO).

Essa inovadora competição da categoria de caminhões será disputada em forma de Copas, com a realização da Copa Truck Nordeste, Copa Truck Centro-Oeste, Copa Truck Sudeste.

"Será um novo conceito em eventos, certamente criando o interesse das montadoras, indústria de autopeças do segmento de caminhões e demais anunciantes, que poderão usufruir deste novo modelo de competições para o relacionamento com seus públicos, aproveitando as suas características regionais", comenta Renato Martins, presidente da ANET.

"A Sport Promotion está ansiosa por colocar sua estrutura e experiência de 35 anos de atuação no marketing esportivo, a serviço deste tão importante projeto para o automobilismo do Brasil", anunciou Alfredo Carvalho, Diretor Comercial da Sport Promotion.

"Estamos muito satisfeitos com o acordo e a oportunidade de trabalhar junto a profissionais que acreditaram em nosso projeto e seu novo formato de corridas, com tantos pilotos profissionais e competitivos, inclusive todos os campeões dos últimos oito anos, entre eles Felipe Giaffone, o atual Campeão Brasileiro", enfatiza Martins.

A Associação Nacional de Equipes de Truck é composta pelas equipes RM Competições, AJ5 Sports, DF Motorsport, RVR Motorsports, Dakar Motors, Fábio Fogaça Motorsports, Lucar Motorsports e Clay Truck Racing, que formam um grid de cerca de 20 caminhões.
Confira o calendário da Copa Truck 2017:

28/05 - Goiânia (GO) - Copa Truck Centro-Oeste
11/06 - Campo Grande (MS) - Copa Truck Centro-Oeste
09/07 - Caruaru (PE) - Copa Truck Nordeste
23/07 - Fortaleza (CE) - Copa Truck Nordeste
15/10 - Curvelo (MG) - Copa Truck Sudeste
17/12 - São Paulo (SP) - Copa Truck Sudeste

Falei rapidamente com o Renato enquanto preparava o post. Perguntei-lhe alguns pontos sobre o novo evento. A tônica do breve papo veio na resposta dele: "Calma, uma coisa de cada vez". E tem coisa à beça.

Com relação à Fórmula Truck, que estreia em Rivera, o grid de domingo pode contar com até 12 caminhões. Além de oito dos nove que foram desembarcados no Velopark para a corrida do mês passado - um dos quais, o Ford que era de Edu Piano, não teria sido levado ao Uruguai -, tudo indica que dois Ford de José Maria Reis e dois Scania de Pedro Muffato possam figurar no evento. Não sei com quais pilotos. A categoria não divulga esse andamento. Os últimos comunicados à imprensa falavam da entrevista coletiva e da liberação do camping no autódromo uruguaio. Sei da estreia do Edson Ferreira porque ele me telefonou todo contente para contar a novidade. Resta esperar os treinos livres, que começam nesta sexta, para sabermos quais pilotos e caminhões estarão na pista.



24/02/2017 19h59

A Truck, a CBA, o Facebook - por Luc Monteiro

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A maior polêmica do automobilismo brasileiro nos últimos meses, talvez anos, está protocolarmente encerrada. Mesmo não tendo havido até agora nenhum comunicado oficial, sabe-se que a Confederação Brasileira de Automobilismo concordou em renovar, por mais uma temporada, o contrato com a empresa de Neusa Navarro Félix para promoção do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck.

É o suficiente para dizer que a novela terminou, como afirmou o colega Américo Teixeira Júnior em seu Diário Motorsport. Não, não é como vejo. Pode-se sim, para validar o termo empregado pelo Américo, definir como uma novela as circunstâncias que levaram à renovação do contrato de promoção do campeonato. A situação chegou ao conhecimento público, o que deu margem para virar assunto de debates longos e inúteis nas redes sociais da internet.

Foi na tarde de 30 de janeiro que a CBA distribuiu comunicado informando que iria contratar empresa para promover e organizar o campeonato de caminhões, na nota, em ato falho, a entidade usou o nome "Fórmula Truck", que pertence à Racing Truck, empresa que tem Neusa e os filhos como proprietários. A resposta veio na mesma moeda. Um comunicado emitido no dia seguinte, em que a direção da categoria frisou os direitos assegurados por registro sobre a marca "Fórmula Truck" e manifestou ainda estar lidando com a questão de filiação da categoria, uma vez que o calendário de etapas distribuído a equipes e à imprensa uma semana antes determinava a realização de etapas na Argentina e no Uruguai. "O campeonato deixou de ser brasileiro e passou a ser sul-americano", concluía aquele trecho da nota. A Truck considerou passar a promover suas corridas através de uma liga e, uma vez tendo desistido disso, focou na possibilidade de ter o caráter desportivo do campeonato, agora sul-americano, gerido pela Codasur.

A chancela da Codasur, por protocolo, passaria também pela CBA. Trocando em miúdos, não haveria campeonato sem anuência da CBA, e esse passou a ser o foco, já correndo o início de fevereiro. A Truck enviou no dia 3 a papelada protocolar para participar da, digamos, concorrência. Era uma das duas propostas recebidas pela CBA, a assinatura da outra é protegida por cláusulas de confidencialidade. A outra ponta da conversa tinha o pernambucano Waldner "Dadai" Bernardo, do Conselho Nacional de Velocidade da CBA, que no mês que vem vai assumir a presidência da entidade - venceu a eleição do mês passado por 10 votos a 7 do paranaense Milton Sperafico.

As duas semanas que se seguiram foram de ajustes dos termos; havia, afinal, uma série de exigências por parte da CBA, e de igual forma havia uma série de condições apresentadas pela Truck. Por parte da entidade, condições tratadas intramuros acerca de patrocínios, transmissão de televisão, administração, inscrições, relação com os pilotos. A empresa formalizou compromisso quanto à quase totalidade da lista. Em um dos itens, que diz respeito à participação da promotora como dona de equipes, Neusa apresentou argumentos que foram aceitos pela CBA. Os dirigentes veem conflito de interesses no fato de Neusa ser promotora do campeonato e manter uma equipe, a ABF, embora não haja lei desportiva alguma que a impeça disso. A CBA concordou com a sequência da prática - com a qual, aliás, a Fórmula Truck convive desde que nasceu. O contrato está confeccionado, tem vigência de um ano e será assinado logo após o feriadão entre a CBA e a Racing Truck.

Tomando-se por base o calendário de eventos que a Fórmula Truck anunciou no dia 25 de janeiro, faltam 23 dias para a primeira largada do ano. É o apertadíssimo prazo de que a direção da categoria dispõe para costurar um acordo com as ditas equipes independentes. A posição de várias delas é de que, diante das definições tardias, não há como viabilizar presença na pista sob o ponto de vista comercial. Falar em protelar o início do campeonato seria mero exercício de especulação, embora qualquer tabela de datas sempre apresente o asterisco de sujeição a alterações. E de especulação os perfis de Facebook de quem acompanha as corridas de algum modo já estão cheios.

"Não existe uma divisão da categoria. A Fórmula Truck era e continua a ser única. Mais de cem pilotos e várias equipes passaram pela categoria nestas mais de duas décadas. Uns entram, outros saem, mas a Fórmula Truck continua firme e nunca teve outra essência além daquela inicial, dada pelo fundador Aurélio Batista Félix", dizia o comunicado de 31 de janeiro. É no que quer crer a considerável comunidade automobilística do Brasil. Arrebatar de volta os pilotos e as equipes que anunciaram debandada é a necessidade que urge. É possível? Claro que é. Juntos tudo é possível, já preconizava o slogan político do início dos anos 80. Há arestas a aparar? Há, talvez não sejam poucas, e essas são da conta de Neusa, de seus filhos sócios e dos pilotos e equipes, que precisam de uma merecida trégua dos especialistas de Facebook enquanto resolvem a vida. E que talvez devam manter a condução do assunto sob saudável discrição. Cá de longe, só me reservo o direito de torcer para que ao fim das contas dê tudo tão certo quanto possível.

É com o que posso contribuir de momento, com a minha torcida.



26/10/2016 19h46

A Cascavel de Ouro e eu - por Luc Monteiro

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Foi uma corrida de números maiúsculos e muitos recordes. Eles, os números, dão parâmetros infinitos, uns mais úteis que os outros. A 30ª Cascavel de Ouro reuniu 100 pilotos, número redondo! de nove estados brasileiros e mais o Distrito Federal, que entre treinos e corridas completaram 10.214 voltas, ou 31.316,9 quilômetros, mais que três quartos de uma volta na Terra pela Linha do Equador. Transmissão ao vivo pelo Fox Sports 2, o que foi uma conquista inédita do evento. Novos nomes na galeria dos vencedores, Odair dos Santos e Thiago Klein, que além do troféu com a serpente de ouro maciço e do cheque de 20 mil dinheiros receberam como prêmio uma participação pelo Team Ginetta no Fara USA em Homestead e os custos técnicos para uma corrida na Sprint Race Brasil. Não é pouca coisa.

Mas o que tinha para ser dito sobre a Cascavel de Ouro já foi dito por quem é do ramo, aliás, destaque-se a presença da imprensa no autódromo durante o fim de semana, que vários colegas observaram ter sido bem mais marcante que em etapas de importantes campeonatos nacionais. Eu poderia discorrer laudas e mais laudas sobre os atributos do evento, do que deu certo e também do que poderia ter sido melhor, sobre tudo que ouvi de muita gente no domingo e depois disso também, sobretudo do que ouvi de velhos e novos amigos que vieram de longe para correr a prova, todos maravilhados com o formato da disputa, com a hospitalidade da festeira comunidade automobilística de Cascavel. Todo mundo volta em 2017, e vem muito mais gente. Podem me cobrar daqui a um ano: teremos mais de 65 carros empilhados nos boxes do autódromo disputando as 50 vagas do limite do nosso grid.

Sou egoísta demais para falar dos outros. Vou falar é de mim. Pela primeira vez, tomei parte de uma Cascavel de Ouro. Estando dentro da pista, no caso. Já havia estado em sete edições da corrida, normalmente cobrindo para o jornal onde trabalhava, em um dos casos auxiliando o Vanderlei Luiz Ratto na narração da transmissão ao vivo pela TV Tarobá, o Ratto, já há vários anos, está na CATVE, onde inclusive narrou as três últimas edições da corrida. Essa foi, portanto, minha oitava Cascavel de Ouro. A primeira como piloto. Tive a oportunidade de fazer parte desse momento histórico com um carro cedido pelo Edson Massaro e pelo chefe de equipe da Speed Car, Cláudio Deitos. Meus parceiros são pilotos de tarimba: Leandro Romera e Paulo Salustiano aceitaram a arriscada missão de dividir o carro comigo em treinos e corrida.

Em se tratando de mim, não poderia ser um fim de semana normal. Jamais imaginei participar de uma Cascavel de Ouro. Recusei, inclusive, os três ou quatro convites que recebi no ano passado, depois de ter feito uma corridinha no Metropolitano de Turismo 1600 com um Escort da Paraguay Racing. As coisas caminharam para isso em 2016 e a primeira necessidade era me preparar bem. O que esbarrou na minha agenda sempre doida: na quinta-feira, dia em que parte das equipes estava na pista fazendo treinos particulares para aprendizado e acerto dos carros, tomei um voo e me mandei para Goiânia para narrar mais uma etapa do Porsche GT3 Cup. Só saí de lá no sábado à noitinha, quando o grid aqui em Cascavel já estava definido. Foi uma operação de guerra que, obra e graça da parceria de sempre do irmãozinho de coração Beto Trento, me permitiu chegar em casa às 3h30 do domingo, horas antes do warm up.

Até então acompanhei o trabalho da equipe pelos contatos telefônicos diários que mantive com o Salu e o Romera. Teria os 20 minutos do treino de aquecimento do domingo para umas voltas com o carro. Os dois tinham sugerido algumas mudanças ao Cláudio Deitos. Não tínhamos, na equipe, qualquer tipo de saia-justa para lidar com minha notória deficiência técnica em relação a eles dois. Romera me pediu para que cedesse o já reservado tempo do warm up ao Salu, para que testasse as mudanças feitas. Concordei. Deitos não achou boa ideia eu só entrar no carro com a corrida já em andamento. Dividimos o warm up, algo como dez minutos para cada um. Dei lá minhas voltinhas, que serviram, e até agora não tinha dito isso a ninguém, para me demover da ideia de deixar que o Romera e o Salu corressem sozinhos.

Salu largou. Era 33º no grid. Chegou a figurar em 19º quando chegou a hora do primeiro pit stop. Por instrução do Romera, que era o nosso estrategista, eu estava pronto para assumir o carro no segundo stint da corrida. Adolpho Rossi, do Team Ginetta, acompanhava toda aquela movimentação lá do nosso box. Experiente que é em corridas de longa duração, me chamou de canto, passou algumas orientações bastante úteis. Muito camarada, sempre, o Adolpho. Eu queria pilotar lá pelo quarto ou quinto dos seis turnos, quando as coisas já estivessem mais acomodadas na pista. O Romera decidiu que eu entraria antes. As decisões dele, para nós, eram mandamentos quase bíblicos e pronto. Salu pediu apenas uma garrafinha d água e seguiu no carro.

Foi quando veio o primeiro dos percalços do Gol #88. A corrida estava sob intervenção do safety car. Por regulamento, quem saísse dos boxes naquele exato momento teria de esperar no fim do pit lane até que o pelotão da pista passasse pela saída de boxes. Nessa, perdemos uma volta em relação a todo mundo. Bem, vida que segue. Ainda havia mais de três horas de corrida pela frente. O carro reagia bem melhor no domingo que nos treinos livres e, mesmo sabendo que meu ritmo seria menos eficiente que o dos meus parceiros, tínhamos a expectativa real de terminar a peleia entre os dez que iriam ao pódio. A volta do Salu aos boxes aconteceu antes do previsto. Um problema com o tanque de combustível, que também afetou a bomba. O carro ficou parado por 27 minutos. Foi-se ali nossa esperança de um trofeuzinho.

Com tudo reparado, o carro voltou à pista, comigo a bordo. Sabia que meu filho e minha namorada estavam no receptivo da Speed Car lá junto ao S do Saul no início da corrida, torci para que ainda estivessem lá. Eles me reconheceriam facilmente pelo capacete, um presente do Eduardo Homem de Mello que, como todos de seu acervo, imita a pintura usada por François Cevert. Dá para distinguir da lua aquela pintura listrada. Achei os dois pertinho do alambrado durante meu primeiro safety car. Acenei pela abertura do acrílico da porta e vi de longe que aquilo deixou o Juninho feliz. Fiz uma parada no box porque a aceleração do carro travou na descida do Bacião, bem no instante em que reduzi de quinta para quarta marcha. Rodar no Bacião dá saudade de casa, como costumo dizer na narração das corridas.

Bem, mesmo sob aquela situação consegui chegar ao box. Havia quebrado o eixo da TBI. Deitos, Everaldo Bueno e os meninos da equipe trocaram a peça rapidamente e voltei para a corrida. Pelo rádio, que era uma novidade completa para mim, ia descrevendo ao Romera como estava sendo a experiência. Tive a pachorra de acionar o PTT em pleno Bacião para contar a ele que havia acabado de fazer uma ultrapassagem. "Do caralho, mano!", ele me respondeu. Quando abriu a terceira janela de reabastecimento, ele me avisou que deveria entrar na primeira oportunidade que tivesse. "Vou agora", respondi. "Só que fico na pista". Para quem queria cumprir apenas o quinto e penúltimo trecho da corrida, eu estava bem saidinho. "É isso aí", ele condescendeu. Caberia ao Romera levar o carro nos dois últimos stints.

Reabastecimento feito, voltei à pista e dei mais algumas voltas, até enfrentar um problema com a embreagem. Encostei de novo. Ouvi o Deitos dizendo a alguém que era porque deixo o pé esquerdo repousando no pedal da embreagem. Disse-lhe depois que não, porque meu "descanso" do pé é a elevação da carroceria para o paralama dianteiro esquerda. Fiquei parado por uns instantes, eles mexeram num monte de coisas e o Deitos me mandou voltar à pista. Ótimo, pensei, o Romera não vai ficar sem se divertir. Mas ficou. Tentei voltar e o carro não saiu do lugar. O Claudio passou a mão na frente do pescoço, nosso sinal de que a brincadeira acabou por ali. Completamos 65 voltas. Foram 44 do Salu e 21 minhas. E nenhuma do Romera, que ainda assim saiu de Cascavel com o nome na lista dos visitantes que acharam a corrida sensacional e já garantem presença na de 2017, que ainda nem tem data marcada.

Ver uma Cascavel de Ouro de dentro, o que inclui o tempo nos boxes atento ao trabalho do Salu, foi uma experiência divertidíssima. Em se tratando de corridas, até mesmo quebras e rodadas ? sim, tive uma outra rodada na entrada do Retão, e nessa rodei de bobo, mesmo, fazem parte do pacote da diversão. No fim, fiquei feliz pelo Odair e pelo Thiago, dois grandes parceiros, que não fizeram a menor questão de esconder quão emocionados ficaram depois de inscrever seus nomes na galeria de vencedores da prova. Agora são 33 os pilotos que ganharam a Cascavel de Ouro pelo menos uma vez. O fim da mais maiúscula de todas as 30 edições já realizadas já aguçou a expectativa de todo mundo pela do ano que vem. Será, dentre vários outros eventos estatísticos, a edição dos 50 anos da corrida. Tudo que aconteceu desde que Bruno Castilho e Rodolfo Scherner levaram um Simca Chambord à vitória em 1967 daria (ou dará...) um belo livro. Em algum lugar vai aparecer o nome Luc Monteiro. Vou achar o máximo.





11/10/2016 10h10

É bruto, mesmo! - por Luc Monteiro

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"Você não tem o menor compromisso com nada. Entra lá, curte e vai ver como é". Foi o que me disse o Paulo Salustiano, vice-líder do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck, hoje pela manhã, quando, fruto de um desafio dele que teve anuência da chefe Danielle Navarro Félix, me vi dentro de um caminhão da categoria para algumas voltas pela pista de Cascavel.

Não foi exatamente um teste, ou um treino, ou coisa que os valha. Foi uma chance única e rara que tive, fruto da extrema camaradagem do Salu, de experimentar um pouquinho do que vivem e fazem os doidos que narro uma vez por mês nas transmissões das corridas da Truck pela Band. Hesitei um pouco, é verdade. Aquilo não é para o meu tamanho - e aqui não falo da pouca estatura. Mas quando é que eu teria essa chance de novo? Provavelmente nunca. Aceitei. "Quem guia bem um Truck guia bem qualquer coisa", costuma dizer o Djalma Fogaça. Não guiei bem o Truck, mas pude atestar a impressão do Monstro, que já guiou praticamente de tudo que existe em pistas de corridas.

As cinco voltas que dei com o Volvo da ABF Motorsport hoje cedo em Cascavel me permitiram entender melhor o que esses doidos sempre manifestam sobre pilotar na categoria, mesmo sem ter feito um décimo do que eles fazem em treinos e corridas - eu não tinha, lembremos, qualquer compromisso que não fosse o de aproveitar ao máximo aqueles minutos no ambiente que é deles, dos pilotos. "Vai ver que é mais fácil do que parece", avisou o Adalberto Jardim, ele próprio piloto da Truck há 11 temporadas. De fato. Cronômetro à parte, lidar com aquela cavalaria toda dando soco nas costas quando a turbina enche não pareceu aquele bicho todo de sete cabeças que eu imaginava. Pelo sim, pelo não, preferi não arriscar nenhuma gracinha. Freadas antecipadas, esse era meu lema. Teve uma hora que ousei dar acelerador antes da hora na saída do S do Saul, como fazemos com os carros, e o negócio quis atravessar.

Os pilotos da Truck contornam o Bacião - ah, o Bacião... - em sexta marcha. Salu me deixou à vontade para espetar uma quinta. Era para eu ter mais confiança, segundo ele. Na última volta, já tendo visto o sinal dele de que deveria entrar para o box, arrisquei descer em sexta. Como estava lento, não houve sustos maiores. Na saída do Bacião, alguma coisa no câmbio soltou. Consegui usar um pouquinho da quinta para subir a antiga reta oposta e desci o Retão a caminho dos boxes em ponto morto, como já me vi obrigado a fazer com o Escort da Paraguay Racing e com o Gol da Sensei-Sorbara, nesses dois casos por quebra de homocinética, e no último caso por causa da quebra quando era o líder da corrida. Voltando ao Truck de hoje cedo: algumas vezes, por vício, procurei a alavanca de câmbio para subir marcha na reta dos boxes. Não se sobe marcha num Truck na reta dos boxes. Entra em sexta, desce em sexta e pronto.

Tive essa experiência depois do próprio Salu ter dado algumas voltas com o caminhão a título de checagem. Depois dele, alguns pilotos testaram de verdade o caminhão. Joel Mendes Júnior, que já corre na Truck, Witold Phellip e João Cury, que têm a pretensão de integrar o grid em breve, e Daniel Kaefer, piloto da Honda na Copa Petrobras de Marcas, que tem atacado de comentarista da Truck nas transmissões de tevê - no caso dele, foi a segunda experiência prática com um caminhão; a primeira, no ano passado, aconteceu em Curitiba, com um Mercedes-Benz.

Osires Júnior, parceiro de microfones que perambulava por lá, deu-se o trabalho de cronometrar minhas voltas em seu iPhone. 1min31s59, 1min28s50, 1min28s94 e 1min29s88. Tempos de volta que não servem como referência para nada. Chegaria fácil, hoje mesmo, à casa de 1min25s, suponho, e dali por diante a dimensão seria outra. Mas nada de gracinhas. A volta mais rápida da corrida de ontem em Cascavel, cometida pelo Diogo Pachenki, veio em 1min20s61. Tomei 7s89 do Diogo. Achei foi pouco. Isso é o que menos importava.

Parei o caminhão nos boxes, desci, descrevi com alguns palavrões ao Salu como tinha sido a experiência. Preciso perder essa mania de usar palavrões. A Dani estava por lá ainda. Dei-lhe um beijo de agradecimento, foi o que me ocorreu para agradecer a ela. Foi, afinal, meu presente antecipado do Dia da Criança.





24/08/2016 17h31

Provas longas, o diferencial - Por Luc Monteiro

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Todo mundo gosta do arroz com feijão de cada dia, mas um cardápio diferente de vez em quando agrada qualquer um, certo? Não haveria por que ser diferente em quaisquer outras coisas da vida, e inclua-se aí o automobilismo regional do Brasil. Pilotos e equipes veem-se envolvidos com a preparação e a atuação nas etapas de seus campeonatos durante todo o calendário, ano a ano, mas sempre reservam atenção especial para as corridas festivas de suas praças. Já vi nessas provas de endurance casos de desafetos declarados, falo de pilotos, acabarem com suas rusgas num abraço efusivo na fila da inscrição, à porta da secretaria. Iriam pilotar o mesmo carro, levar as bobagens do passado para a pista não seria bom negócio a ninguém. O esporte tem dessas coisas, às vezes também aproxima as pessoas. E são muitas, via de regra com longa duração. Hoje falo rapidamente de quatro delas, que nos próximos meses vão proporcionar essas coisas do esporte, normalmente coisas boas.

O Rio Grande do Sul é pródigo em provas longas. E, pondo fim de um hiato de 16 anos, volta à cena a prova Seis Horas de Guaporé. Falei do assunto no meu blog pessoal alguns meses atrás, quando a corrida ainda estava marcada para 20 de agosto. No fim das contas, foi reagendada e confirmada para 10 de setembro. A Associação Guaporense de Automobilismo viabilizou bastantes subsídios para atrair pilotos e equipes. Deu certo. Serão pelo menos 40 carros de turismo (não haverá protótipos, uma particularidade) subdivididos em seis categorias e, segundo o regulamento próprio do evento, todos os que receberem a bandeira quadriculada terão seus pilotos no pódio. E ainda vão sortear um curso de pilotagem para um dos torcedores presentes, um prêmio muito legal ? seria um motivo a mais a me pôr no farto grupo, não fosse o compromisso em outro lugar, que me impediu inclusive de gestionar a participação nas Seis Horas. Acerca do automobilismo gaúcho, caberia citar ainda as 12 Horas de Tarumã. Essas merecerão abordagem particular num próximo bate-papo.

https://lucmonteiro.wordpress.com/2016/01/30/16-anos-depois-as-6h-de-guapore/

Na Cascavel de Ouro, assunto que tenho abordado bastante nas últimas semanas, o recebimento de inscrições começou em ritmo frenético. Em dez dias as equipes já preencheram metade do limite máximo de 50 vagas no grid da 30ª edição, confirmada para 23 de outubro. São duplas e trios, que vão correr por quatro horas com carros de Marcas 1.6 em busca dos R$ 33 mil em premiações que serão distribuídos. A valorização da vitória, além da fatia de R$ 20 mil do total de prêmios em dinheiro, prevê participações dos pilotos que integrarem a dupla ou o trio que receber a bandeirada em primeiro na liga norte-americana Fara USA, com um modelo Ginetta G40 do Team Ginetta, e na Sprint Race Brasil, na primeira etapa de 2017. E a corrida, tal qual já ocorreu nas duas últimas edições, terá transmissão ao vivo pela TV e pela internet, providências assinadas pela CATVE, que é uma das afiliadas paranaenses da TV Cultura. Podem pintar novidades nos próximos dias, inclusive, no que diz respeito à transmissão pela televisão.

Ano de gala também no Norte do Paraná, onde as 500 Milhas de Londrina chegam à 25ª edição. História ininterrupta, que teve largada em 1992, primeiro ano de existência do autódromo de lá. Corrida que observa números interessantes, como a façanha de Chico Longo e Daniel Serra em 2009, que completaram o percurso em menos de seis horas com sua Ferrari F430, ou ainda o recorde de 48 carros que formaram na reta principal, momentos antes da largada de 2006, uma das mais belas imagens da história do que já tentaram chamar de "Ayrtódromo" (o autódromo leva desde 1996 o nome de Ayrton Senna; o apelido, felizmente, não colou). Naquela corrida foram 36 os carros que resistiram às seis horas e meia de disputas, também um recorde. A 25ª edição das 500 Milhas, neste ano, vai acontecer no dia 26 de novembro, como sempre um sábado, largada no meio da tarde e chegada abrindo a festa que sempre irrompe madrugada adentro, normalmente comandada pelos vencedores. Estive presente a umas seis edições, o clima é sempre dos mais agradáveis. Neste ano, vou de novo. Talvez leve macacão e capacete.

Pessoal de São Paulo, com suas dez etapas anuais do campeonato estadual, não foge à regra. Mesmo tendo zilhões de categorias dividindo a programação de cada evento do Paulista com as atividades de track day que têm auxiliado no fechamento da conta - que não é pequena -, o pessoal já se prepara para um momento diferente. Vai ser em fevereiro, ainda não há dia definido. E só para carros da categoria Marcas e Pilotos 1.6, tal qual na Cascavel de Ouro. Aliás, em briefing recente do Paulista de Marcas, o Aldo Piedade Júnior anunciou aos pilotos a decisão de promoverem a corrida, que terá duração de oito horas, e citou o evento de Cascavel como exemplo de vários pontos técnicos e desportivos que serão adotados. "Lá dá certo, aqui também vai dar", falou o Juninho. Os quatro pilotos cascavelenses que integravam o grupo ficamos orgulhosos.




09/08/2016 16h20

Cinco em um - por Luc Monteiro

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Era fim de 2014, setembro ou outubro, quando chegou aos meus ouvidos um zumbido que, de início, soou como um dos maiores absurdos que já tinha ouvido: alguém me contou que a Vicar estava arquitetando a junção de cinco categorias em um mesmo evento. O absurdo que imaginei não estaria, claro, em juntar os cinco campeonatos que a empresa promove direta ou indiretamente. Isso acontece em vários cantos do mundo - ok, é só uma boba força de expressão, eu sei que o mundo é redondo. A questão que tomei por base para fazer minha inútil primeira análise da ideia estava na estrutura dos autódromos brasileiros, ou em sua falta, identificada em doses maiores aqui, menores ali.

Pilotos e equipes de Stock Car, Copa Petrobras de Marcas, Brasileiro de Turismo, Fórmula 3 e Mercedes-Benz Challenge se acotovelando nos boxes foi coisa que me pareceu impossível, de início. Lembro que num evento em Curitiba chamei o Maurício Slaviero de canto e, antes de lhe antecipar os votos de saúde para o caso de um espirro dele mais tarde, perguntei em qual autódromo ele imaginava ser possível cumprir uma façanha tão doida. A resposta veio no tom tranquilo que o Maurício sempre usa: "Em todos eles". Arrisquei meu emprego treplicando que ele estava doido. Ele riu e saiu, talvez pensando em colocar meu cargo à disposição num balcão de anúncios diante de tamanha insubordinação. Nunca vou saber.

Bem, a ideia foi mesmo colocada em prática. A Copa Petrobras de Marcas deixou de ser carro-chefe de seu próprio evento para se abrigar sob o guarda-chuva da Stock Car. Os 12 fins de semana da categoria principal da casa abrigaram outros 32 eventos - F-3, Turismo, Marcas e Challenge tiveram oito etapas, cada, distribuídas no calendário de modo que uns eventos apresentaram três categorias ao público, alguns outros tiveram quatro e dois apresentaram as cinco categorias. É o que vai acontecer de novo na abertura da segunda metade da temporada atual, dias 10 e 11 de setembro. Interlagos vai abrigar, nos dois dias, nove corridas dos cinco campeonatos. É programação para fã de automobilismo nenhum botar defeito.

É lógico que não basta amontoar os campeonatos todos numa página de agenda e esperar os convidados. A Vicar e seus colaboradores submetem-se a uma verdadeira operação de guerra para fazer com que tudo isso seja trazido a efeito em meio a mais uma série de ações promocionais, sociais e logísticas que se fazem necessárias para que tudo saia nos trinques. E os fins de semana são, por assim dizer, bastante intensos. Basta imaginar a carga de trabalho que acomete, além do próprio batalhão da Vicar, comissários técnicos e desportivos, equipe de produção de TV, jornalistas e fotógrafos, sinalizadores de pista e até mesmo os integrantes das equipes de competição que disputam mais que um campeonato.

A falta de estrutura física peculiar à grande maioria dos autódromos brasileiros foi sanada a partir da adoção de estruturas móveis. Tendas, mesmo, apropriadas para o fim a que servem. Tem dado certo - o Maurício e o pessoal dele não estavam doidos, afinal. A programação de setembro em Interlagos terá foco em qualquer coisa em torno de 110 carros. Vá lá que os 18 eventos já realizados sob o formato que me pareceu absurdo num primeiro momento deram uma boa escola a quem tem a missão de fazer a coisa acontecer. O que é ótimo. Não devemos esquecer que, desta vez, os integrantes da programação quíntupla terão de lidar, também, com as obras - as intermináveis obras - no autódromo. Pelo sim, pelo não, desejem-nos sorte.





28/07/2016 18h21

Visão de piloto - por Luc Monteiro

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Quando comecei a me envolver diretamente com esse negócio de corrida de carros, no fim do ano passado, fiz um comentário que acabou virando discurso recorrente. É claro que resolvi participar das corridas, e aqui me refiro a estar dentro do carro, por diversão, é um fascínio comum a qualquer um que frequente autódromos por compromisso ou por lazer. Mas falei a alguém, e repeti isso várias vezes, que estando dentro da pista algumas vezes teria condições de avaliar melhor as situações das corridas dos campeonatos que narro pela Band ou pelo Bandsports.

Claro que essa condição seria bem mais protuberante se eu tivesse uma dose mínima do talento que têm os integrantes dos grids que costumo narrar. Mas estando lá no fundo da fila dá, sim, para ter uma noção um pouquinho melhor da encrenca que esses doidos enfrentam a cada mês, ou a cada três semanas. A cada vez que entro numa cabine de narração, enfim. É um privilégio dar pitacos sobre uma corrida de carros sabendo um pouquinho mais de perto como é a confusão olhando lá de dentro. Privilégio que lendas como Barão Fittipaldi e Edgard Mello Filho exerceram com maestria. E condição de que, talvez poucos saibam, o bróder Sérgio Maurício, do SporTV, também usufrui.

Uma das lições que tive na prática participando de corridas depois de aprendê-la em tese, neste caso com o diretor de provas Sérgio Berti, foi a de que nem sempre o piloto que é chamado ao terceiro andar da torre de controle para dar explicações fala a verdade. Não porque minta. Mas por ter em mente uma situação da maneira como ele viu. O exemplo que o Sérgio costuma dar é simples. Há um incidente envolvendo dois pilotos. O primeiro é chamado pelos comissários desportivos, dá sua versão; o segundo é chamado, faz o mesmo. Depois chamam-se os dois juntos e mostra-se a eles na TV a imagem do incidente. E os dois veem que estavam equivocados. Nenhum deles mentiu deliberadamente. Cada qual tinha sua verdade, que não condizia exatamente com a, hã, verdade verdadeira.

No último fim de semana tive a oportunidade, inédita para mim, de participar de uma corrida em Interlagos. Correr em Interlagos, algo tão corriqueiro a centenas de amigos meus, era algo que frequentava minha lista de ideias malucas desde a adolescência (estou longe do eixo paulista, é sempre bom lembrar). Formei dupla com o Caíto Carvalho, que é gente da nova safra de pilotos aqui de Cascavel, e com ele revezei um dos carros da equipe do Wilton Pena, a PaceCar Motorsport, na oitava etapa do Paulista de Marcas e Pilotos.

Inscrevemo-nos na categoria Novatos. Caíto chegou a figurar em terceiro lugar na categoria, levou pancada, saiu da pista e foi sexto o colocado na primeira corrida, no sábado - trouxe um trofeuzinho para casa, o que é sempre bom. Eu, na de domingo, tive um desempenho menos digno de nota. Fiquei em 21º na geral, em décimo na categoria, num grid com 36 carros.

O fim de semana de macacão em Interlagos me trouxe outra experiência inédita: a de envolvimento em um acidente. Era fim da corrida de domingo, faltavam umas três ou quatro voltas. Saí da Junção atrás do carro do Jefferson Hubner. Naquele ponto ele ultrapassou o Rogério Cruzeiro e eu acompanhei a manobra. Uma vez tendo ultrapassado o Cruzeiro, vi condição de passar também pelo Jefferson, que já havia parado para trocar um pneu furado e tinha volta de desvantagem. No Café, ele assumiu a linha intermediária da pista. Vi espaço pela esquerda para ultrapassar e tentar alcançar o pelotão que estava à frente. Não fazia a mínima ideia da posição em que estava na corrida, imaginava que sétimo ou oitavo, e se conseguisse passar mais alguém poderia arrebatar um trofeuzinho igual ao do Caíto.

Estávamos exatamente contornando o Café, eu por dentro e o Jefferson quase pelo meio da pista, quando me aproximei definitivamente para tentar o bote. Foi quando ele, seguramente sem ter notado minha presença ali, fechou para a esquerda. Houve o toque, o carro dele atravessou diante do meu, rodou e bateu de traseira no muro ao lado direito da pista. Eu consegui seguir na corrida, com a frente do carro avariada. Quem frequenta os canais da internet seguramente já viu imagens do acidente gravadas pelas câmeras onboard. Eu mesmo postei a do meu carro. A do carro do Rogério, que estava logo atrás de nós, também já está circulando de celular em celular, de perfil em perfil.

São imagens que podem parecer contraditórias, inclusive. A da minha câmera, instalada dentro do carro, mostra claramente o movimento que o Jefferson faz para a esquerda. Fiquei sem ação. Houve quem dissesse que eu tinha total condição de evitar o acidente. Teria feito isso se notasse a aproximação a tempo; aliás, passei a corrida toda aliviando o pé para evitar toques com os colegas de pista - esses acidentes, além de doer no bolso, podem machucar, é a primeira coisa que tenho em mente. A da câmera instalada no teto do carro do Rogério suscita a impressão de que me aproximei e bati deliberadamente no carro do Jefferson, o que é definitivamente errado supor ou concluir.

Jefferson, a quem eu não conhecia (na verdade ainda não conheço) veio falar comigo assim que a corrida terminou. Integrantes da minha equipe haviam me alertado que ele estava furioso comigo - sei, de tantos casos que já testemunhei, o quanto ferve o sangue de um piloto de corridas após um episódio como esse. Veio falar comigo sem alterações ou excessos, exigiu explicações. Narrei-lhe o acidente tal qual minha visão, ofereci minha câmera para que ele examinasse as imagens como bem entendesse. Não fez questão. Perguntei se estava tudo bem com ele, respondeu que sim e disse desolado que a batida de minutos antes havia acabado com seu carro de corridas. Manifestei o quanto lamentei o episódio.

Lamentei de fato, e lamento até agora, pelo carro do Jefferson. Espero vê-lo em ação nas pistas de corrida o quanto antes. As imagens de diferentes câmeras suscitam impressões diferentes, também. Às vezes o piloto tem de aliviar o pé do acelerador. Atenção aos espelhos retrovisores é sempre fundamental. Sangue frio na pista e fora dela, mais ainda. São mais lições que ficam e que se reforçam para as corridas que virão - esteja eu amarrado ao banco-concha ou na cabine de narração.




Luciano Monteiro
Luc Monteiro é jornalista há 23 anos. Teve início prematuro na profissão em 1992, aos 14 anos, na redação do jornal "O Paraná", onde atuou até fins de 2008. Atualmente, Luc atua como narrador de automobilismo na televisão e na internet, nas transmissões de categorias como Brasileiro de Marcas, Porsche GT3 Brasil, Mercedes-Benz Challenge e Sprint Race. Formado em jornalismo em 2009, Luc também integra a equipe da agência jornalística Grelak Comunicação.

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