19/05/2017 16h24

O fracasso do mutirão de cirurgias eletivas - por Laís Laíny

65% dos procedimentos contratados não foram realizados

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O mutirão de cirurgias eletivas anunciado ano passado, de longe, não cumpriu seu objetivo. Era de encher os olhos: R$ 6 milhões destinados a tirar quase 6 mil pessoas da fila de cirurgias oftalmológicas, ginecológicas, urológicas, ortopédicas e até plásticas.

Tudo perfeito, não fosse um pequeno detalhe: os pacientes não foram encaminhados aos procedimentos. Dos 5.891 contratados, ao custo de R$ 1 mil cada, apenas 2.034 foram realizados. A maioria dos contratos já venceu e sobraram 3.857 cirurgias sem fazer. Isso representa 65% de casos não encaminhados.

A coluna teve acesso a um relatório, cuja autenticidade foi confirmada pelo secretário de Saúde, Rubens Griep. Os números também foram endossados pelo diretor da 10ª Regional de Saúde, Miroslau Bailak. Este, inclusive, assegurou que por pouco Cascavel não perdeu os R$ 4,8 milhões que o Estado tinha reservado ao mutirão. Os outros R$ 1,2 milhão saíram dos cofres municiais.

Uma articulação política entre Regional de Saúde e a atual gestão da Prefeitura de Cascavel garantiu que o convênio fosse prorrogado. Para a realização do mutirão, foi feito um chamamento público e cinco clínicas foram habilitadas. Todas elas fizeram menos cirurgias que o programado. Na tabela é possível constatar que na maior das especialidades o total de procedimentos realizados foi de zero.

Nenhum dos dois gestores atribuem culpa às clínicas contratadas.

SEM TRIAGEM
Pela lógica, não havia como dar errado. Havia pacientes, dinheiro, clínicas contratadas e médicos. O que falhou no mutirão?

Os dois gestores da saúde concordam: a Prefeitura deveria mas não encaminhou o total de pacientes. Os contratos foram mal elaborados e não houve um planejamento para realizar as cirurgias.

"O mutirão foi proposto pelo governo do Estado para tentar sanar um problema crônico que existe. Havia uma fila de 6 mil pessoas e com base nela foram elencados os procedimentos que ficariam em uma margem razoável de custo dentro de R$ 1 mil. Em cima dessa fila não houve triagem, não foi feito um refinamento para saber se todas essas pessoas ainda moravam em Cascavel ou se já tinham feito os procedimentos", explica Rubens.

Segundo ele, hoje o total de pessoas precisando de cirurgia é de 2.538. Questionado porque deu sequência em um contrato assim, ele respondeu:

"Eu não podia mexer em um contrato já assinado. O fato é que os serviços não estavam sendo realizados. Agora eu tenho a necessidade de chamar os prestadores e propor um novo mutirão e fazer uma nova tratativa. Meu compromisso é para que a gente não no problema que aconteceu".
Rubens estima que era possível ter finalizado o mutirão em um prazo de cinco ou seis meses, contados a partir de maio do ano passado quando foi feito o convênio.

De maio a dezembro do ano passado foram realizadas 1.744 cirurgias. Este ano, nos primeiros meses, foram feitos 563.

SEM CRITÉRIO

Miroslau Bailak disse ontem à coluna que a ideia da Prefeitura de Cascavel, ano passado, era zerar a fila de catarata mas quis aproveitar os recursos para fazer outros procedimentos.

Nisso, forçaram para que outras cirurgias fossem feitas, mesmo que a especialidade fosse diferente da clínica contratada. Resultado, a maioria dos procedimentos não foi feita.

"Chamaram os prestadores e resolveram: Como tinham um monte de gente, e a que tinha fila forte era de catarata, definiram que para fazer, teria que incluir outras especialidades. Por isso que aparecem clínicas de oftalmologia com cirurgia de ginecologia e urologia", disse Miroslau.

O diretor da Regional afirma esta decisão levou o mutirão ao fracasso.

"A prefeitura errou ao exigir que fizessem outras cirurgias".

Outro agravante foi que a Prefeitura de Cascavel demorou a conseguir certidões negativas exigidas pelo Estado para firmar o convênio.

"Demorou a prefeitura a conseguir a negativa e não tinha como pagar nada. As clínicas começaram a fazer as cirurgias e não recebiam. A prefeitura resolveu a questão das negativas, o dinheiro estava lá para ser pago por produção. Mas os contratos e o convênio terminaram".

Cascavel não perdeu o recurso pois a atual gestão, junto com a Regional de Saúde, conseguiu a prorrogação.

NÚMEROS

O documento recebido pelo blog mostra que a oftalmologia dominou o total das 2.034 cirurgias. Foram 1.669 procedimentos, abaixo do que estava programado: 2.420.

Para ortopedia estavam programados 140 pacientes. Nenhum foi operado. O mesmo aconteceu com a urologia. Ao todo, estavam previstas cirurgias oftalmológicas, plásticas, de otorrino, ginecológicas, ortopedia, urologia cirurgia geral e vascular.

Clique aqui e veja o documento.



Laís Laíny
Sou jornalista formada pela Univel em Cascavel e completo em agosto de 2017, 11 anos de trabalho na imprensa de Cascavel.

Tenho 30 anos, natural de Assis Chateaubriand (PR), 20 deles vivendo em Cascavel.

Trabalhei no jornal A Voz do Paraná e em 2006
fui contratada pelo Jornal Hoje/O Paraná, onde trabalhei por oito anos, boa parte deles na editoria de Política.

Também trabalhei como editora de política do Portal CGN, gerente de Comunicação da Câmara de Vereadores de Cascavel e na assessoria de imprensa do HUOP (Hospital Univeristário do Oeste do Paraná).

Durante um ano e meio, também escrevi para o meu blog, LaisLainy.com, abordando assuntos ligados à política, cultura e questões sociais.

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