14/01/2014 19h29

Subida para El Salto

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Seguindo o planejamento Roberto, Ervikton e Thyago foram para o Salto, local do nosso ultimo acampamento, levaram tudo que estava em Pedra Grande, porém Carol e eu tínhamos planejado ir ao Salto e voltar, pois ela ainda não estava bem aclimatada. Aproveitei então para levar uma cargueira com boa parte das coisas para que no outro dia Carol fosse para o Salto levando menos peso. Durante a subida Carol estava indo muito devagar (respeitando sua condição física) enquanto Roberto e Thyago tomaram a frente, logo Ervikton nos alcançou; quando tive a idéia de chegarmos no Salto e não voltarmos a Pedra Grande, pois sabia que se a Carol voltasse, no outro dia não aguentaria subir novamente. Pedi para o Ervikton acompanhar Carol até Salto e fui na frente, já que não acamparíamos mais em Pedra Grande eu teria que voltar para buscar o restante das coisas, uma caminhada longa e dura. Quando cheguei no salto, Roberto e Thyago já estavam montando o acampamento, descansei e contei para eles da minha idéia. Os dois concordaram, mas me alertaram que eu iria me desgastar muito. Ajudei um pouco na montagem do acampamento e voltei correndo para Pedra Grande, e como diz o ditado ?na descida todo santo ajuda?. Lá chegando, encontrei outro brasileiro, o Rafael, mais conhecido como Papael. Conversei um pouco com ele enquanto fiz um almoço de Liofoods, nesse tempo ele me contou como havia chegado ali na montanha, uma história muito doida, mas que fica para outro post. Em seguida carreguei a outra cargueira, desmontei a barraca e escondi algumas coisas que não iríamos levar para o último acampamento. Foram quase três horas para subir até Salto e quando estava chegando Roberto veio me encontrar. Ele estava preocupado pois já era tarde. Falei que estava tudo bem e que apenas estava cansado e com fome, ele me contou que tinha ido até La Hoyda aclimatar. Chegando no acampamento fui ver a Carol. Ela estava deitada, com enjôo e dor de cabeça, até vomitou, mas dei remédio para dor de cabeça e falei para ela dormir, pois é normal isso acontecer na altitude. Ervikton e Roberto fizeram a janta por volta das 20h, pois como planejávamos atacar o cume do Cerro Plata na madrugada seguinte tínhamos de dormir cedo, principalmente eu, pois havia feito duas vezes o trajeto de Pedra Grande ao Salto e estava com as pernas muito fadigadas. Antes de deitar falei para o Roberto me acordar, e avisei que iria junto se a Carol estivesse melhor. Deixar alguém sozinho na montanha passando mal é algo muito difícil de fazer e eu também sabia que teria outro dia para ataque ao cume.

Por DOUGLAS.



14/01/2014 19h13

Acampamento I

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27 de Dezembro de 2013

Hoje foi o dia de deixar o conforto do Refúgio (2800m) e partir para o Acampamento 1. Daqui em diante ficaremos em barracas e temos de levar todo os pesados equipamentos para cima, como as botas duplas, barracas, saco de dormir, isolante térmico, fogareiro, panelas e comida suficiente para nossa permanência na montanha, ou seja, agora a subida é feita utilizando as mochilas cargueiras, com aproximadamente 85 litros de capacidade.
Douglas e Carol se anteciparam, Ervikton e Thyago seguiram logo atrás deles e eu fiquei para acertar a logística do restante do equipamento que será levado de mulas amanhã até o Acampamento El Salto (4300m).
Pagando 850 pesos argentinos (R$ 215) contratamos o serviço de mulas, o que facilita muito a nossa subida. Uma mula é capaz de transportar 60Kg e foi o suficiente para levar toda a comida para cinco pessoas durante um período de dez dias e mais duas barracas para neve que pesam em torno de 4,5kg cada.
Saímos por volta de 9h, cada um com aproximadamente 25kg nas costas e devido nossa boa aclimatação, optamos por pular dois locais de acampamentos: Veguitas (3200m) e Vegas Superior (3300m), indo direto para Piedra Grande, onde montamos o acampamento a 3500 metros.
O tempo melhorou muito, chegamos a Piedra Grande após aproximadamente 4 horas de jornada e não havia uma nuvem no céu.
Abaixo de um impressionante teto estrelado fizemos nosso primeiro jantar a base de fogareiro e descansamos.
O plano é não perder tempo para o dia seguinte: desmontar as barracas e partir para o acampamento 2, El Salto, a 4300m de altitude.

Por LAZZARI.



14/01/2014 18h36

Aluguel de equipamentos

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26 de Dezembro

Saímos do refúgio San Bernardo com destino a Mendoza por volta de meio dia. Chegando à cidade fomos almoçar no Ítaka, um restaurante e hotel que já conhecíamos da outra viagem, pedimos pizza e uma cerveja para relaxar e esperamos até 16h para irmos alugar os equipamentos. Os argentinos têm um horário de trabalho diferente do nosso, é das 9h às 12h e das 16h às 21h. Fomos primeiro a loja Chamonix, para alugar botas duplas, campons e barracas 4 estações. Roberto, Ervikton, Thyago e Carol encontraram botas duplas, porém para meu tamanho de pé não havia nenhuma, é muito difícil encontrar botas duplas para tamanho 44. Então fomos para outra loja chamada Orviz onde encontramos uma bota para meu tamanho, Só o valor do aluguel da minha bota e campon por 7 dias ficou em torno de mil pesos.
No fim do dia fomos ao mercado comprar mais comida para complementar com a comida Liofilizada que trouxemos do Brasil, compramos macarrão, farinha de polenta, doce de leite, chá, suco e até um refrigerante.
Antes de voltarmos ao refúgio jantamos no mesmo restaurante que almoçamos, e pedimos pizza novamente, aproveitamos para utilizar a internet do local para postarmos as informações dos primeiros dias da montanha.

Por Douglas.



27/12/2013 00h16

Pico Franke

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25 de Dezembro

Na noite de natal após um dia cansativo no San Bernardo, Lazzari apresentou a idéia de fazer o cume do Franke no dia seguinte, uma montanha com pouco mais de 4800m. Comentamos essa idéia com outros montanhistas que estavam na Ceia de natal e todos só diziam ?és muy largo? trecho muito longo a ser percorrido. Então pensamos, vamos sair cedo, porem a idéia ficou só no planejamento, acordamos mesmo eram 8:30h da manhã, apenas Lazzari, Ervikton e Eu fomos fazer a ascensão enquanto Carolina e Thyago foram para Piedra Grande (local onde será nosso primeiro pernoite em barracas durante a jornada de ascensão ao Plata) levar alguns equipamentos para montar o acampamento.
O dia estava muito bonito, com sol entre nuvens e a temperatura oscilando entre 5ºC e 15ºC. Estava meio preocupado com a subida, pois no dia anterior não havia feito uma parte da aclimatação que era chegar ao cume do San Bernardo. Com isso estaria indo dos 3600m direto para 4800m, o que tornaria ainda mais difícil a subida, mas mesmo assim encarei o desafio, Lazzari estava muito bem durante a subida, Ervikton estava muito cansado, apesar de aclimatado, e eu cansado e não tão bem aclimatado quanto eles. Durante o trajeto entendi porque os argentinos diziam ?és muy largo?, que montanha dura! Além de longe ela é muito íngreme, com muitas pedras e trechos de escalada, Ervikton e eu pensamos varias vezes em voltar, mas Lazzari não nos deixava. Após 7h de subida chegamos ao cume, pra ajudar ainda tem um trecho de escalada fácil, porém perigosa, qualquer descuido e o desfiladeiro do outro lado era caminho certo. No cume tinha duas cruzes e pouco espaço, mal cabia nós três lá em cima. Ervikton e eu começamos a sentir os sintomas da altitude, náuseas e muita dor de cabeça, se pudéssemos ficaríamos por lá mesmo para evitar a descida, mas como dizem os montanhistas ?o cume é apenas a metade do caminho? então após dormir uns 15 minutos e tirar algumas fotos começamos a dura descida, pegamos um atalho por um caminho muito íngreme e de pedras soltas onde descemos escorregando, o que nos poupou umas 3h da caminhada, ao fim deste trajeto ainda tínhamos mais 5km até o refúgio, chegamos nele por volta de 20:40h exaustos e com muita fome, não por menos, foram quase 12h de atividade intensa, mas fomos recebidos com uma sopa quente muito deliciosa preparada por Thyago e Carolina.

Por DOUGLAS.



27/12/2013 00h12

Navidad

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Dia 24 de dezembro.

Navidad, em português, Natal.

Após a descida da montanha, descansamos e nos preparamos para a ceia de natal. Vários montanhistas e escaladores de outros refúgios se reuniram conosco no San Bernardo para a ceia. Gente de vários cantos da argentina, franceses e brasileiros. Sim, mais brasileiros na motanha! Acabamos conhecendo um pessoal de Curitiba, entre eles o Natan Frabrício Loreiro Lima, presidente da Federação Paranaense de Montanhismo e Escalada, a qual somos federados.
Foi uma grande festa: asado de cordero, empanadas de carne, queso y tomate, tarta, ensalada de lechuga y tomates, e por supuesto: Vino!

Apesar de estar longe da minha família, me sentia em casa. Sem dúvida, um dos melhores natais que já passei.

Que todos recordem o real significado do natal.

¡Feliz navidad!

Por LAZZARI.



27/12/2013 00h01

Acima dos 4 mil metros

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Dia 24 de dezembro:

Véspera de Natal!

Saímos às 9 horas com a intenção de subir o San Bernardo, montanha com mais de 4100 metros que deu origem ao nome do refúgio onde estamos alojados. A subida começa dura, com um desnível de 200m de altitude até o córrego que nos guia para o pé da montanha.

Contornamos pela face sul da montanha por uma trilha marcada por totens. Ervikton, Thyago e Eu seguimos a frente. Carolina e Douglas estavam um pouco atrás de nós. Paramos em uma pedra a 3400 metros onde nos juntamos novamente, nos hidratamos e aproveitamos para tirar uma foto. Sempre levamos garrafas térmicas com chá, pois quanto mais alto mais a temperatura castiga, e uma bebida quente ajuda muito. A ascensão a partir daqui ficou mais difícil: muitos cascalhos soltos, trechos que passam por desfiladeiros e penhascos e trilhas que se dividem com marcações por várias direções. É muito fácil se perder. E então, que caminho seguir?? O GPS nesse momento é uma excelente ferramenta para nos orientar, além do que sempre levo comigo uma carta topográfica da região. Novamente nos afastamos do Casal. Carolina não havia se sentido muito bem no dia anterior devido aos sintomas do Mal da Montanha, por isso, Douglas a acompanhava num ritmo mais leve.

Próximo do cume, nos obrigamos a largar os bastões de caminhada, deixar o trekking para fazer um trecho mais íngrime escalando, nada muito difícil, mas todo cuidade é pouco para não escorregar. Temperatura já muito baixa, chuva e neblina que dificultava a visibilidade.

Apesar de todos os contratempos chegamos ao cume às 13:20h depois de 4 horas e 20 minutos de jornada: 4111 metros de altitude. Sentimos uma leve dor de cabeça, sintomas devido a altitude que atingimos.

Refeição de gala: Pão com atum! Descansamos, registramos o feito e esperamos pelo Casal por aproximadamente uma hora. A temperatura caiu muito e a chuva aumentou, resolvemos então descer, já que o trecho de volta se torna ainda mais perigoso. Novamente o GPS foi essencial.

Todos retornamos bem para o refúgio. Douglas e Carolina chegaram próximo do cume, mas desceram após Carolina não se sentir bem. Fizeram o mais correto, não se pode abusar em grandes altitudes, pois qualquer que seja o problema um resgate se tornaria uma operação difícil e arriscada.

Por LAZZARI.



26/12/2013 23h56

Lomas Blanca

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23 de Dezembro

Iniciamos a ascensão da montanha Lomas Blanca que tem 3648m, esta por sua vez apresenta uma subida mais dura com muitas pedras e cascalhos soltos, que a torna muito difícil, pra ajudar o tempo fechou e a temperatura chegou perto dos 5ºC. Carolina começou a sentir os efeitos da altitude, o cansaço era grande, Lazzari, Ervikton e Thyago seguiram na frente, eu fiquei com Carolina até o ponto em que ela não agüentou mais subir, então ela pediu para se abrigar do vento em uma pedra para que eu fosse até o cume. Marquei o ponto no GPS onde a deixei para na volta passar por ela e fui até o cume onde encontrei os outros, ficamos pouco tempo, pois começou a chover e ficamos preocupados com Carolina, ficar parado na montanha esperando é muito ruim, pois o frio só aumenta, ainda mais que já estava chovendo.
Quando chegamos ao ponto onde Carolina deveria estar não a encontramos, ela havia feito um sinal com pedras avisando que tinha descido, então ao final da caminhada encontramos ela sentada nos esperando, já recuperada do mal estar causado pela altitude, e assim finalizamos o primeiro dia de aclimatação, com três montanhas.

Por DOUGLAS.



26/12/2013 23h53

Lomas Arrenales

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23 de Dezembro

Após fazemos a montanha Andresito, fomos fazer mais uma, Lomas Arenalles com aproximadamente 3376m. Durante a subida a pouca mudança de altitude em relação a montanha anterior já foi o suficiente para termos que colocar mais roupas, a temperatura chegou a 10ºC e o vento diminuía ainda mais a sensação térmica. Fizemos um lanche e tomamos um chá no cume e em seguida nos preparamos para a próxima montanha.

Por DOUGLAS.



26/12/2013 23h50

3 mil metros

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Dia 23 de dezembro:

Início da aclimatação.

Todos ainda bastante cansados da viagem mas muito felizes por termos chego bem. A paisagem aqui compensa qualquer cansaço.

Saímos do Refúgio San Bernardo (2800m) às 12 horas. A subida começa leve e o desnível vai ficando maior conforme nos aproximamos do pé da Montanha. Seguimos contornando por um córrego de água estremamente gelada que desce do vale de Lomas Coloradas, direto do desgelo das motanhas acima.

Após percorrer pouco mais de 2 km em um desnível de quase 300 metros chegamos ao cume do Andresito ? 3090 metros de altitude.

Ainda hoje subiremos mais duas montanhas acima dos 3000m.

FIBRAAAP.

Por LAZZARI.



26/12/2013 23h43

Mendoza!

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Dia 22 de dezembro. Após percorrer aproximadamente 2200 Km chegamos a cidade de Mendoza.Mendoza é a capital da província que leva o mesmo nome e é também considerada como uma das capitais mundiais do vinho! contando com mais de 1400 vinícolas. Está situada em uma região semi desértica nos pés da cordilheira dos Andes. O clima nesta época é quente. A altitude aproximada é de 800 metros e a temperatura hoje é de 35 graus. Fizemos uma pausa para o almoço e as compras no mercado para os primeiros dias que passaremos no refúgio de Montanha. Após isso passeamos no parque San Martin! o maior e mais antigo parque da cidade. Agora seguimos para o refúgio San Bernardo na região de Vallecitos a 2800metros de altitude para pernoitar e iniciar nossa aclimatação.

Por Lazzari



Extreme Sports

Douglas Zubéldia

Douglas Zubéldia, 30 anos, casado. Formado em Educação Física pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG) e com especialização em Avaliação Física e Prescrição de Exercícios para Populações Especiais. Trabalha como Personal Trainer no Studio Health.

Apaixonado por esportes outdoor, é aficionado por escalada esportiva e também praticante de montanhismo. Escalador desde 2007, encontrou nessa prática uma forma de estar em contato direto com a natureza e fugir da rotina do mundo moderno.

Acredita que qualquer um que goste de estar no meio da natureza pode participar do universo do montanhismo, basta procurar a orientação correta. Incentivador do esporte está sempre disposto a ensinar aqueles que têm interesse em começar.



Roberto Lazzari Junior

Roberto Lazzari Junior é Educador Físico especializado em Treinamento Desportivo e Personalizado pela Faculdade Assis Gurgacz. Proprietário da academia Equilíbrio Vertical, trabalha como Instrutor de Pilates e Escalada.

Montanhista por paixão, tem como foco as escaladas tradicionais. Já participou de várias expedições pelo Brasil, Canadá, Patagônia, Cordilheira dos Andes e está sempre em busca de novos desafios.

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